Menina, Mulher & Mãe

Podias ser tão mais bonita

Nos seus curtos 3 anos a Leti já ouviu esta frase algumas vezes – não foram muitas, mas foram mais do que as que eu gostaria.

Tanto eu como a minha irmã crescemos cercadas pela ideia de que éramos mais bonitas do que a média por termos olhos claros e cabelo loiro. Felizmente, a vida encarregou-se de nos ensinar que a beleza vai muito para além disso. Contudo, quando estou com a Leti noto que essa ideia continua a persistir.

Cada um terá o seu gosto, nada contra; aceito que exista uma maioria que acha que olhos claros são mais bonitos do que olhos escuros. O que me incomoda é que a beleza dos outros seja definida pelos meus parâmetros (altamente subjectivos) e que eu lhes coloque essa espécie de rótulo.

Há dias no hipermercado a Leti segurava um saco de cenouras na fila para a caixa. Uma senhora passou por nós e em tom de brincadeira disse que não tinha comido muitas cenouras quando era pequenina e que por isso tinha os olhos feios. Entrando olhou para mim e afirmou: “ah os olhos da mãe é que são lindos, os teus e os meus são feios. Que pena não teres os olhos iguais aos da mãe”. Embora a Leti seja pequenina tem uma capacidade de compreensão enorme e ficou de imediato triste. Eu abracei-a e disse-lhe que adorava ter os olhos dela pois a mãe quando lhe bate o sol na cara fica toda aflita e ela não; acrescentei que ela é linda assim e que não a imaginava de outra forma.

Custa-me aceitar esta falta de sensibilidade e a necessidade de criarmos inseguranças uns nos outros, ignorando que o que para mim pesa (cor dos olhos) não corresponde a uma verdade absoluta. Mais, existem comentários que se não trazem nada ao outro que promova o seu bem-estar e/ou evolução poderá viver perfeitamente na minha cabeça, não há necessidade de o verbalizar.

Espero conseguir criar uma criança capaz de perceber o que importa dizer e cuja beleza que vê no outro passe por mais do que o seu tom de pele, cor de cabelo ou dos olhos.

ser bonita

Anúncios
Standard
Fisioterapia Pélvica

Vamos falar sobre… Pavimento Pélvico (Fisiohandme)

Vamos falar de uma região que normalmente é conhecida por pipi, vagina ou “aquilo ali em baixo”…. Embora as mulheres estejam cada vez mais despertas para conhecer melhor a sua região mais íntima, os assuntos que envolvem a vulva ou vagina ainda são tabu. Conversa-se com muito constrangimento de situações que podem surgir a qualquer uma de nós. Umas gotas que saem sem querer quando espirro ou quando faço exercício no ginásio. Uma sensação de pressão, sensação de bola dentro da minha vagina. Uma dor que surge durante as relações sexuais que me atrapalha. Dificuldades em esvaziar o intestino. Ou uma sensação que a minha vagina tem mais espaço desde que o meu bebé nasceu…. em todas estas situações podemos pensar numa disfunção dos músculos do pavimento pélvico. É tempo de conversar abertamente sobre estas questões!

Comecemos pela questão inicial, o que é o pavimento pélvico? O pavimento pélvico é um grupo de músculos, ligamentos e fáscias que formam o “chão” da pélvis. São as estruturas musculares que dão o suporte dinâmico à bexiga, útero e intestino para que os ligamentos não alonguem demasiado. Estes músculos contraem para fechar orifícios e manter a continência (uretra, vagina e ânus), e relaxam para permitir esvaziar a bexiga ou intestino. Têm um grande contributo para uma função sexual prazerosa. A boa notícia é que com treino estes músculos melhoram a sua função!

Então quais podem ser as manifestações do meu corpo? Qualquer sintoma que surge é o corpo a comunicar que algo não está bem, que o sistema não está bem coordenado… o que podemos “ouvir” quando fala… Dificuldades em conter a urina, quando salta ou corre ou quando se ri, espirra ou tosse. Outro sintoma é estar constantemente a ir ao wc esvaziar a bexiga com sensação de urgência. Podemos sentir um peso, uma sensação de bola ao nível genital, frequentemente que piora ao longo do dia, ou depois de um dia em que esteve muito tempo de pé, depois de exercício físico intenso ou que o corpo não estava preparado. Ao lavar-se verifica que a vagina está demasiado aberta, ou sente algo a sair, por vezes ouve ou sente ruídos vaginais (como se fossem gases, mas que saem de dentro da vagina); sente que a vagina está pouco firme nas relações sexuais, com diminuição ou alteração das sensações, por vezes alteração ou diminuição da intensidade do orgasmo ou mesmo anorgasmia (ausência de orgasmo). Dor antes ou durante o acto sexual. Pode acontecer também falta de coordenação muscular e afectar o mecanismo de esvaziar o intestino, tendo uma sensação de esforço ou obstrução a maior parte das vezes, sensação que não esvaziou por completo ou dor anal. Estas situações nunca devem ser encaradas como normais, embora possam ser comuns entre as mulheres com as quais se cruza. Deve procurar ajuda de um fisioterapeuta especializado em disfunções pélvicas, pois não existe nenhuma razão para as mulheres de hoje permanecerem com desconforto e alteração da qualidade de vida se para a maioria das situações existe um tratamento simples e eficaz. Uma correcta função destes músculos permite-nos esvaziar a bexiga e intestino quando e onde queremos, e gozar de relações sexuais com prazer; qual será a razão para não cuidar deste pequeno e precioso grupo muscular?!

veja mais em https://www.fisiohandme.com/single-post/2018/04/07/Porque-devemos-falar-dePavimento-P%C3%A9lvico

Carina Portugal, Fisioterapeuta – Fisiohandme

foto 2

 

Standard
Fisioterapia Pélvica

Nova Parceria – Fisiohandme

Fisioterapia para mim é um trabalho de equipa! A minha parte envolve o compromisso de estar presente para cada pessoa, a cada instante; uma relação em que o meu contributo passa por educar, acompanhar, incentivar… é estar aqui e ajudar com todo o meu conhecimento. Para isso, leio muito, estudo, aprofundo cada vez mais, faço cursos, formações que me vão acrescentando e alimentando a vontade de saber mais, capacitando para ajudar mais… dou um pouco de mim a cada pessoa que se cruza comigo e sei que também levam um pouco de mim – os meus conselhos, o meu acreditar em transformar a sua realidade, o meu respeito, os meus conhecimentos técnicos com intenção genuína de ajudar. Sinto-me uma privilegiada, pois conheço partes de histórias de mulheres que mais ninguém sabe, porque posso cuidar deste universo tão íntimo de cada mulher…cada corpo, uma história…uma história que vamos alterar, recuperar, alcançar a liberdade que o corpo reclama para viver a vida…porque é pelo corpo que sentimos as emoções, é no corpo que sentimos os desconfortos, sentimos a incapacidade de ser.

Em 2016 criei o Fisiohandme, um local para servir mulheres em todas as fases da sua vida, para servir de rede de apoio feminino, para acompanhar as recém-mamãs e os seus bebés, para ser “aquele local” em que todas conseguimos obter algo que precisamos. Aqui prestamos serviços de Fisioterapia Pélvica (tratamentos de incontinências urinárias, prolapsos, vaginismo, dor pélvica, disfunções sexuais), uma especialização da fisioterapia que muitas pessoas desconhecem! Temos também muitas actividades para mamãs (tratamento da grávida, recuperação pós-parto) e bebés (vários workshops), contemplando igualmente as mulheres que estão noutra fase da sua vida. Pretendemos empoderar as mulheres através da educação sobre si próprias para que se compreenderam melhor e decidam conscientemente o que é melhor para si.

Tudo o que faço é com paixão, para vocês – mulheres. Podem encontrar-me no Fisiohandme, lá estarei de braços abertos para vos receber!

Ana Carina Portugal, fisioterapeuta de vocação e coração ❤

fisiohandme

Standard
Menina, Mulher & Mãe

BABY BLUES – OS PRINCÍPIOS MENOS COR-DE-ROSA

A primeira vez que ouvi o termo foi numa aula de Psicologia Sistémica (Psicologia da Família) no primeiro ano de Mestrado. Na altura, do alto da minha arrogância juvenil, achei os 60% de prevalência (número de mulheres que experienciaram baby blues) um verdadeiro exagero – nenhuma das mães que eu conhecia havia (supostamente) passado por isso. Mais, sentia-me superior ao ponto de achar que tal só aconteceria a quem não queria mesmo ter filhos ou não tinha vocação para tal – “A mim jamais me acontecerá, tenho tanto jeito para crianças, certamente serei uma excelente mãe”.

Quando engravidei, embora tivessem passado alguns anos e a arrogância já se tivesse ido embora, continuava a acreditar que ser mãe era fácil, algo instintivo e natural, cuja complicação resultava do exagerado das pessoas. Ainda não me fazia sentido que alguém se sentisse triste após o nascimento do seu filho, um bebé que esteve na sua barriga vários meses, uma vida, uma família que iria nascer, alguém que iríamos amar e que nos amaria a vida toda – que motivos existiriam para ficarmos tristes e inicialmente rejeitarmos o pobre bebé?

A nossa filha nasceu através de um parto por cesariana. Por ter permanecido sentada até à altura do parto e por apresentar muito pouco líquido amniótico, o parto foi feito com alguma urgência. Foi tudo muito repentino, ao ponto do pai que estava em Angola não conseguir chegar a tempo do parto. Talvez pelo tipo de parto, ainda que a equipa tenha sido fantástica, a sensação com que fiquei foi a de que não houve uma transição – deitei-me na marquesa e em poucos minutos tinha a minha filha ao colo. Hoje sei que em termos hormonais, e não só, partos traumáticos, extremamente instrumentalizados e cesarianas contribuem para maiores dificuldades em lidar com o bebé e com toda a experiência da maternidade nos primeiros tempos.

Na mesma altura em que a nossa filha nasceu, nasceram outros bebés de um grupo de mães a que pertenço. A maioria colocava fotos lindas, com um ar de tremenda felicidade, e escreviam belas declarações de amor para aqueles bebés que eram apontados como as melhores coisas das suas vidas. Do outro lado do ecrã, eu recriminava-me por não sentir o mesmo, por tudo me parecer complicado e não estar a seguir o rumo que eu considerava normal – ela chorava a tomar banho, adormecia imenso a mamar e acabava por comer pouco, dormia mal durante a noite; tudo comportamentos típicos de um recém-nascido, e de uma recém-mamã, mas eu culpava-me, sentia-me menos capacitada do que as restantes mães.

As duas primeiras semanas de vida da nossa filha foram marcadas pelas minhas lágrimas constantes; não era preciso um motivo forte, por vezes bastava-me olhar para a nossa filha para sentir que estava a fazer um péssimo trabalho e chorar durante horas, outras vezes questionava-me se teria mesmo nascido para ser mãe (eu, que sempre vivi com a certeza de que essa seria a minha vocação), culpava-me por ter tomado essa opção, sentia o peso da responsabilidade de cuidar de alguém e da falta de liberdade, imaginava-me presa à mesma rotina pela vida fora, sem poder dar um passo sem ter de pensar na nossa filha. A parte mais dura foi não poder exteriorizar o que sentia – “Que raio de mãe pensarão que és? Isto que sentes e pensas não é bonito, não é normal, és a única assim, devias ter vergonha!”; de seguida vinha a pressão para socialmente fingir que estava a adorar a experiência e por último a frustração e a culpa por o fazer.

Não existiu o dia, a hora, o local, em que o amor pela nossa filha nasceu. A protecção, o instinto, o altruísmo, nasceram no parto, contudo o amor como hoje o sinto não foi imediato, foi-se construindo dia após dia, à medida que nos fomos conhecendo, que partilhámos momentos bons e maus. Cerca de duas semanas depois, o meu corpo começou a habituar-se à privação do sono, às mudas constantes de fralda, ao choro dela, aprendi a tirar maior prazer da simples bênção de a poder admirar, do seu cheiro, da nossa pele colada enquanto a tinha ao meu colo.

Um início mais atribulado não interfere num final feliz. Dois anos e meio depois, sou a figura central da vida da nossa filha, temos uma relação de grande proximidade, compreensão, em que ela confia e se apoio em mim sem restrições.

Para ti, que estás a viver uma situação de baby blues, deixo-te o meu colo. Sim, tu também precisas, não desvalorizes isso. Não subestimes a dureza que a experiência da maternidade pode ter ao início e o teu esforço para lidar com ela. Se esta transição te afecta tanto é porque a levas realmente a sério, o que é sinal de sensatez, compromisso e empenho. Mais, não interessa como a tua irmã, a tua prima ou a vizinha lidaram com os primeiros tempos enquanto mães, a TUA gravidez foi única, tal como o TEU parto, o TEU bebé, as circunstâncias que VOS rodeiam e TU! Estamos a falar de uma mudança de vida significativa, de teres de te desorganizar por completo para que voltes a encaixar todos os pedaços da tua vida de uma nova forma. É como que sem saberes nadar fosses atirada para uma zona sem pé, tens de aprender ali, no momento, sem lições nem grande preparação; a maternidade é isto – aprendizagens feitas a um ritmo alucinante, nem sempre à primeira, num universo cheio de situações imprevisíveis. A maior das imprevisibilidades com que terás de lidar, pois é superior ao que já te relataram, é o amor que verás nascer entre ti e o teu bebé, ao vosso ritmo – a sensação de que ganhaste um grande propósito de vida, o arrepio quando ele te esboçar o primeiro sorriso, as lágrimas nos olhos quando intencionalmente te colocar as mãos no rosto, o calor no coração quando te chamar mamã pela primeira vez. Com o tempo, o VOSSO tempo, irás habituar-te à privação do sono, mudarás fraldas (literalmente) de olhos fechados, entrarás na rotina, passarás a conhecer melhor aquele a quem tens a honra de chamar filho, e tudo será mais simples, mais natural; irás vencer desafios e com cada obstáculo superado perceberás que afinal és capaz. Tu és mulher, tu és mães, tu és vida, tu és amor – tens em ti o melhor do mundo, só precisas de tempo para o ver 

baby blues

Standard
Menina, Mulher & Mãe

Mãe para a vida toda

Existem mulheres que o único contacto que tiveram com a função de mãe foi durante a gravidez (digo-o sem julgamentos), outras que cumprem o seu papel até os filhos demonstrarem alguns sinais de independência, e ainda aquelas que “vestem a camisola” e se comprometem a usá-la a vida toda. A minha mãe faz parte do terceiro grupo.

Ser mãe para a vida toda não implica que se seja uma mãe perfeita. A senhora que vêem nesta fotografia nem sempre foi a mãe que é hoje. Existiram muitos momentos em que não a compreendemos e em que ela não nos compreendeu. Hoje percebo que precisou de tempo para lidar com os seus fantasmas, para quebrar crenças e aprender a identificar o que realmente as suas filhas precisavam. A dada altura (não sei indicar o momento) decidiu colocar o passado para trás das costas e passou a escutar-nos com o coração.

Esta é a mãe que jamais abandonará o posto, que não usa o facto de as filhas serem adultas como desculpa para se ausentar das suas vidas. Dá-nos espaço, o que precisamos, mas está sempre presente, sem hesitar.

Esta é a mãe que se mostra disponível para ajudar, a quem podemos pedir os favores mais estapafúrdios e ligar a qualquer hora em busca de suporte.

Esta é a mãe que cuida, que prepara uma marmita para levarmos quando vamos às urgências com a neta, que nos delicia com os almoços de domingo, que lava e passa a ferro qualquer peça de roupa que fique esquecida em sua casa (ainda que o “esquecimento” seja claramente propositado), que liga para saber se tomámos o antibiótico a horas, que nos diz 20 vezes para nos agasalharmos.

Esta é a mãe que não invade o nosso espaço, que avisa quando vai aparecer, que pergunta se pode mexer, embora arrume a casa toda assim que viramos costas.

Esta é a mãe que aconselha, que sofre com cada queda nossa, que festejas as nossas vitórias como se fossem suas e que faz com que sintamos que nenhum erro colocará em causa o seu amor.

Esta é a mãe que abraçou o papel de avó desde o primeiro segundo, que esteve presente em ambos os partos sempre de sorriso no rosto, que nos apoiou no pós-parto e facilitou a vida em tudo quanto foi possível (encarregou-se de todas as tarefas para que ficássemos disponíveis para cuidar do bebé).

Esta é a mãe que me ajudou a crescer enquanto mãe, a mãe que quero ser e que 27 anos depois me permite continuar a saber o que é ser filha.

Esta é uma mãe para a vida toda ❤

mãe vida toda

Standard
Osteopatia

Refluxo Gastro Esofágico (RGE) – Osteopatia Pediátrica

Nos bebés o RGE é comum! Mas será normal??

O RGE é a passagem do conteúdo gástrico para o esófago e nos bebés pode acontecer por várias estruturas do seu corpo ainda estarem em desenvolvimento, por exemplo a válvula que separa o estômago do esófago ainda não fecha bem ou o diafragma ainda está muito horizontalizado. Para além disso, o leite materno é muito líquido e os bebés passam muitas horas do seu dia deitados.

Mas quais são os sinais de RGE?

Os sintomas, regra geral, são mais frequentes após as refeições:

  • Irritabilidade e choro;
  • Vómito ou regurgitação;
  • Dificuldade em mamar;
  • Diminuição do apetite ou recusa a alimentar-se;
  • Perda de peso;
  • Alterações no padrão de sono.

É certo que com o crescimento do bebé e a introdução de alimentos sólidos o RGE melhora, e até existem alguns truques que podem ajudar a reduzir os episódios de refluxo, como:

  • Alterar a pega na mama/biberão;
  • Manter o bebé numa posição verticalizada durante e 30 min após a amamentação;
  • Oferecer pequenas quantidades de alimento e várias vezes ao dia;
  • Deitar o bebé na cama com cabeceira elevada;
  • Usar roupa confortável e sem apertar a fralda em demasia na zona do abdómen.

Mas não seria melhor TRATAR as causas mecânicas do RGE?

A Osteopatia pode ser A ajuda! Através de técnicas manuais suaves o Osteopata vai avaliar e tratar todas as disfunções mecânicas que podem estar a promover o RGE e assim prevenir sequelas no seu bebé, tão importantes como:

  • Perda de peso;
  • Inflamação da mucosa do esófago;
  • Pneumonia por aspiração;
  • Sinusite e/ ou otite.

 

Por isso, melhor que tratar as possíveis complicações, será preveni-las através do tratamento atempado do RGE.

baby-2635037_1920

Standard
Menina, Mulher & Mãe, Sem categoria

A prioridade é estar connosco

“Coitado, faltava muito à creche, agora tem uma perturbação do desenvolvimento”
“Não chegou a aprender as cores porque passava mais tempo em casa do que na escola”
“Faltou à actividade de desenho dos números e ficou traumatizado”

Aqui estão algumas frases que exemplificam as consequências que habitualmente são apontadas como factores impeditivos de as crianças faltarem à creche para ficarem com os pais. Quando transformamos as tão temidas consequências em frases concretas percebemos que não faz assim tanto sentido, até porque nunca as ouvimos.

Sempre que se proporciona, a nossa filha falta à creche para ficar em casa connosco. Trata-se de uma decisão feita em conjunto, ciente das vantagens e desvantagens da mesma.

Respeito imenso o trabalho das educadoras de infância, o investimento envolvido na realização de um plano de actividades, acredito no amor com que a maioria trata as crianças, mas valorizo e acredito ainda mais o poder do amor e convívio com os pais nos primeiros anos de vida.

“Mas ela assim não faz as mesmas actividades que os colegas”. Sim, já aconteceu os colegas terem na sala um trabalho exposto e faltar o dela. Como em tudo na vida, existem desvantagens, contudo quando as vantagens se sobrepõem acho que podemos considerar tratar-se de uma escolha sensata. Perder uma actividade em nada se compara à possibilidade de passar o dia rodeada daqueles que mais ama e que mais a amam.

Hoje a nossa filha faltou à creche, mais uma vez. Provavelmente perdeu alguma actividade relacionada com os animais, como ouvir uma história ou pintar um deles. Enquanto os colegas faziam isso, a Letícia foi ao parque comigo, viu patos, peixes, pombas e cães. Ao vê-los, percebeu que existiam uns maiores e outros mais pequenos, de diferentes cores (falámos nelas) e com comportamentos diferentes (uns voam, outros nadam, e outros ainda fazem os dois). Viu outras crianças, interagiu, zangou-se, negociou, fez as pazes. Rimo-nos juntas, saltámos, corremos, abraçamo-nos e demos muitos beijinhos. O que a nossa filha perdeu na creche, e que eventualmente se irá confrontar quando voltar e não tiver um dos seus trabalhos expostos, em nada se compara ao que hoje ganhou – no fundo também trabalhou os animais e reforçou outros conceitos (contagem, tamanhos, cores, entre outros) de forma mais real, num contexto de muito amor.

As nossas crianças passam imenso tempo na escola, cinco dias por semanas, durante anos a fio. Para quê? Para adquirirem ferramentas que permitam adaptar-se ao mundo e viverem felizes. Numa primeira fase, em que os pais são a principal fonte de referência e em que o desafio em termos de desenvolvimento se centra em aprenderem a confiar no mundo, sentirem-se seguras e amadas, será realmente contraproducente perderem actividades “formais” para receberem dezenas de beijos, centenas de abraços, milhares de amor e criarem milhões de memórias felizes?

leti arco iris

Standard