Menina, Mulher & Mãe

Não estás pronta para ser mãe

Desculpa dizê-lo de forma tão dura, mas não encontro outra maneira de o fazer. Não interessa se tens 18 anos ou 50, se sempre conviveste com crianças ou nunca estiveste perto de uma, se te sentes imensamente motivada para esta fase de vida ou não, se é o teu primeiro filho ou o terceiro, se a maternidade estava nos teus planos,  se tens muitos ou poucos recursos financeiros, se tens tudo a postos para a chegada do bebé ou ainda nem pensaste no assunto. Nada disto importa, nem altera o facto de não estares pronta para ser mãe:

… Não estás pronta para ver o teu corpo mudar, ganhar novos contornos, deixar de assentar tão bem nas tuas roupas favoritas.

… Não estás pronta para sentir enjoos, dores de costas, dores nas mamas, sono, azia; todo um role de sintomas desagradáveis.

… Não estás pronta para as dores do parto.

… Não estás pronta para passar noites em branco, a dar de mamar ininterruptamente, a mudar fraldas, a lidar com cólicas ou dentes a nascer.

… Não estás pronta para lidar com o choro do bebé horas a fio.

… Não estás pronta para lidar com a incerteza, com a frustração de não compreenderes o que se passa com o teu bebé, o que podes fazer para o ajudar.

… Não estás pronta para constatar que jamais serás a mãe perfeita que sempre imaginaste.

… Não estás pronta para deixar de pensar apenas em ti, no que queres fazer, no que te apetece naquele momento.

… Não estás pronta para lidar com o peso de cuidar sem pausas, sem folgas, nem feriados.

… Não estás pronta para perder a tua identidade.

Existem ainda outras experiências para as quais não estás pronta e sobre as quais ninguém te falou:

… Não estás pronta para ver o teu corpo alterar-se de modo a que o teu bebé se encaixe perfeitamente nele e retire daí tudo o que necessita – alimento, contacto, conforto e amor.

… Não estás pronta para perceber que o teu corpo está preparado e saberá o que fazer no momento do parto.

… Não estás pronta para sorrir cada vez que os vossos olhares se cruzam.

… Não estás pronta para ficar em segundo plano mas ainda assim sentires que tens um dos papéis principais, um foco de luz que provém dos olho do teu bebé e te segue onde quer que vás.

… Não estás pronta para descobrir uma nova forma de liberdade, em que não podes fazer o que queres, quando queres, mas em que aprendes a tirar o máximo de prazer de pequenos momentos.

… Não estás pronta para esquecer o peso de cuidar sem pausas, sem folgas, nem feriados, com apenas um sorriso, um toque suave daquela mão pequenina no teu rosto, um “mamã” dito de olhos a brilhar.

… Não estás pronta para te habituares a sair de casa cheia de mochilas, lanches e outros mimos, ao ponto de deixar de fazer sentido sair de casa só com a tua mala.

… Não estás pronta para colocar tudo o que sempre acreditaste em causa e descobrir novas formas de agir e educar.

… Não estás pronta para perceber que não queres ser a mãe perfeita que sempre imaginaste mas sim a melhor mãe que consegues ser, aquela que o teu bebé precisa, uma mãe real que tem a humildade de aprender diariamente.

… Não estás pronta para descobrir que tens em ti uma bússola valiosa – o teu instinto – que te irá guiar nesta aventura e conduzir a novos destinos (competências).

… Não estás pronta para passar madrugadas a contemplar cada detalhe do teu bebé apesar do imenso sono.

… Não estás pronta para ganhar um propósito na vida, encontrar resposta para aquelas dúvidas existenciais que sempre te assolaram.

… Não estás pronta para perder a tua identidade, vê-la a transformar-se e a partir daí surgir algo novo, que reúne maravilhosamente os teus papéis antigos e mais recentes.

… Não estás pronta para perceber que tens junto a ti tudo o que precisas.

… Não estás pronta para constatar que parte de ti passou a viver fora do teu corpo, e onde quer que vá tu também irás.

… Não estás pronta para sentir tanto amor ao ponto de te doer o peito.

… Não estás pronta para um simples abraço transformar os dias mais negros em dias luminosos.

… Não estás pronta para passar o dia a pensar no quanto amas aquela pessoa, para sentires saudades mesmo quando a tens ao lado.

… Não estás pronta para perceber que todo o teu percurso faz sentido – os talvez, as saborosas conquistas, as dolorosas perdas – tudo te conduziu a este ponto, a este lugar, a este grande amor.

 

Não estás pronta para ser mãe, na verdade não precisas de estar. É impossível sentirmos-nos preparadas para algo que não conhecemos. Além disso, o amor flui, não se treina nem “prepara”.

campo grande II

 

 

 

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Actividades em Família

Escapadelas em família – Carrança Lounge (Évora)

Acredito que o nosso conceito de liberdade se altera quando visitamos locais como este de que vos irei falar. Ainda que possamos ir a parques, procurar zonas mais isoladas, nada se compara à sensação de não ouvirmos carros e ruídos.

Decidimos visitar o Alentejo, mais especificamente Évora, para fugir da agitação constante da cidade. Quando procurámos por locais onde pernoitar percebemos que a maioria era no centro, o que para mim era sinónimo de agitação/confusão. Além disso, a relação qualidade-preço parecia-me desadequada.

O Carrança Lounge surgiu como a solução para os nossos problemas – fora do centro (mas perto), rodeado por natureza/espaço para a princesa Letícia brincar em liberdade, pequeno-almoço incluído e um preço convidativo. Quando telefonei para confirmar a disponibilidade, fiquei com a certeza de que seria este o nosso cantinho para a escapadela em família (fomos sábado e voltámos domingo ao final de dia). Algumas horas depois recebi um simpático e-mail da Rita, a filha, onde me era explicado tudo o que existia no local, as coordenadas exactas e a função de cada membro da família; perceber que se tratava de um negócio familiar foi a cereja no topo do bolo.

A Rita, mãe, assegura o funcionamento do local com o apoio da filha Alice, responsável pela confecção de refeições a pedido dos hóspedes (se ainda não comeram, não vejam as imagens!); contam com o apoio do Nuno, marido de Alice, que é o “faz tudo” lá do sítio – sim, testei os seus dotes ao estragar a fechadura da porta principal (eles foram uns queridos e disseram que foi do desgaste). A partir do estrangeiro, a Rita, filha, trata da gestão das reservas e o irmão, Francisco, reúne grupos de pesca e encaminha-os para o Carrança Lounge. O sucesso deste local paradisíaco, aberto desde Abril de 2016, deve-se ao esforço conjunto desta bela família.

 

Ao chegarmos ao local fomos recebidos pela Rita, uma senhora de sorriso fácil e com um sentido de humor fantástico (a Leti simpatizou de imediato com a Rita). Foram-nos apresentados os cães, uns pequenitos rafeiros alentejanos com pouco mais de 40kg; depois de nos cheirarem aceitaram-nos como parte da família e só pediam mimos. Após isso, a Rita aprečsentou-nos a casa, ofereceu-nos água e umas bolachas preparadas pelas netas, aconselhou-nos alguns locais para visitar e mostrou-se disponível para ajudar sempre que precisássemos.

 

A casa dispõe de uma porta principal que dá acesso a uma sala de estar. Neste local existe uma porta à direita que dá acesso à casa da família (podem por aqui perceber que é um ambiente realmente familiar) e uma porta à esquerda que nos leva ao nosso espaço. Este é constituído por uma entrada, 2 quartos – um com cama de casal e outro com duas camas individuais – uma casa de banho com base de duche e uma kitchenette (com frigorífico, micro-ondas, cafeteira, torradeira, lava-loiça); trata-se de um espaço pensado para 4 pessoas. Com todas estas comodidades pudemos aquecer o leite da Leti durante a noite e lavar o biberão sem problema.

 

 

 

No dia em que chegámos estava imenso calor, por isso pousámos as malas e corremos para a piscina (a Letícia conseguiu despir-se sozinha pela primeira vez, tal era a sua pressa de entrar na água).

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Durante a nossa estadia apenas ouvimos as nossas vozes, os pássaros, as ovelhas e os cavalos.

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O facto de o Carrança Lounge ser composto apenas por dois locais habitáveis – o que ficámos e o Carrancinha que fica no exterior – liberta-nos da sensação de crowding, como acontece nos hotéis, em que andamos sempre a cruzar-nos com pessoas, a ouvir outras vozes e ruídos, a ter de esperar pela nossa vez para fazer o que quer que seja. Posso dizer-vos que para além de nós apenas existia mais um casal no local (o Carrancinha está pensado para 2 pessoas ou 1 casal com um filhote pequeno). Tal permitiu que a Letícia se sentisse segura para correr, explorar, brincar sem limites e sem a preocupação de estar a incomodar alguém. Além disso, por se tratar de uma quinta no campo, não nos tínhamos de preocupar com a estrada e os carros; pela primeira vez consegui relaxar e deixá-la afastar-se mais. Confesso-vos que foi das vezes em que a vi mais feliz, os sorrisos e as gargalhadas eram constantes.

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Todos os recantos do Carrança Lounge foram explorados pela princesa Leti, até a casa da Rita (por insistência da própria), onde fez amizade com as suas 3 netas.

No dia seguinte, a Rita serviu-nos um delicioso pequeno-almoço à hora que combinámos, ao ar livre, sem pressas. Foi difícil escolher entre os scones acabados de fazer (vieram para a mesa quentinhos), as compotas e doces caseiros, o sumo de laranja natural, a salada de fruta sem açúcar, os iogurtes, os pães e os croissants, por isso comemos um pouco (muito) de tudo.

pequeno almoço

Durante a estadia visitámos o centro de Évora e Monsaraz. No primeiro, ficámos fascinados pela carga histórica, no segundo, pela tranquilidade e bom funcionamento do local (tinha acesso para pessoas em cadeira de rodas e das casas de banho mais limpas em que já entrei).

 

 

A despedida foi mais íntima do que o habitual, parecia que nos estávamos a despedir daquela tia amorosa que visitamos algumas vezes. A hospitalidade da Rita e da sua família, o ambiente acolhedor do local e a sua informalidade levam-nos a criar laços – com o espaço e com as pessoas – difíceis de traduzir em palavras.

Fizemos a viagem de regresso com a sensação de que soube a pouco e de que iremos certamente regressar. Por vezes precisamos de respirar ar puro e sentir verdadeiramente o significado da palavra liberdade para que possamos recarregar baterias e preparar-nos para mais uma semana.

 

 

 

 

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Lazer

Actividades em família – Passeios de barco no Campo Grande

Os dias longos e luminosos estão a terminar, por isso aproveitemos ao máximo cada fim-de-semana.

Os passeios de barco pelo lago do Campo Grande são uma actividade pouco dispendiosa, divertida e simultaneamente relaxante. Além da água, os pequenotes podem observar os patos, a vegetação em redor, passar por baixo da ponte e até remar. Posso dizer-vos que a viagem da Leti foi feita a dançar e a cantarolar (é capaz de ter ofendido um ou dois patos).

 

O que precisam de saber:

  • Fecha à segunda-feira;
  • O passeio de 30 minutos custa 5 euros, o de 1 hora custa 8 euros (tive receio que 1h fosse muito tempo por isso optei pelos 30 minutos, no entanto passou a voar);
  • Levem alguém com coordenação motora pois remar é mais complicado do que se imagina (ou sou eu que tenho uma perturbação qualquer que me impede de perceber para que lado tenho de remar quando quero mudar de direcção, como podem perceber pela foto).

 

barco esforço

Bons passeios! =)

 

 

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Parentalidade Positiva

Estádios de desenvolvimento – uma das bases para compreendermos as nossas crianças

O desenvolvimento dos nossos bebés/crianças é composto por diversos estádios, uma espécie de fases de vida pelas quais vão passando. Para compreendermos verdadeiramente as necessidades do bebé/criança, ajustarmos as nossas expectativas relativamente ao que deverão ser capazes de fazer e, consequentemente, reagirmos de forma adequada é fundamental conhecermos o estádio de desenvolvimento em que se encontram – as suas características, os desafios que o compõem e as conquistas que surgirão.

Existem diversas teorias que caracterizam cada um dos estádios de desenvolvimento, sendo a minha favorita a de Jean Piaget. Não obstante, por se tratar de uma teoria extensa e que implica a compreensão de diversos conceitos chave, irei focar-me na componente social e apresentar-vos a Teoria do Desenvolvimento Psicossocial de Erikson.

Segundo Erikson, cada estádio de desenvolvimento caracteriza-se pela presença de um conflito. No fundo, existem dois pólos – um mais positivo e outro mais negativo – em conflito, cabendo ao bebé/criança, e mais tarde ao adulto, enfrentar essa bipolaridade e resolvê-la. Um desenvolvimento equilibrado pressupõe uma resolução eficaz do conflito, procurando-se que a vertente positiva predomine. Tal criará as bases para uma boa adaptação e promoverá a capacidade para lidar com os desafios seguintes.

A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial define 8 estádios, designados pelo autor por “idades da vida”. Para que este artigo não se torne demasiado extenso (e aborrecido) irei abordar apenas as primeiras quatro de forma sucinta. No final de cada uma escreverei uma breve reflexão.

1ª Idade – Confiança vs Desconfiança (do nascimento aos 18 meses)

O recém-nascido, enquanto ser completamente dependente, verá no meio a única forma de as suas necessidades serem respondidas. Nesta primeira idade (estádio), ao receber amor por parte de pessoas significativas (as mais próximas) e encorajamento na protagonização de actividades de descoberta o bebé aprenderá a confiar nos outros e em si mesmo. As sensações de ser pouco amado e de não lhe ser concedida atenção terão o efeito inverso, isto é, promoverão a desconfiança relativamente aos outros e às suas próprias capacidades, o que resultará em dificuldades em lidar com novos obstáculos e com situações sociais (ao não confiar nos outros tenderá a retrair-se).

Reflexão: Reparem que neste estádio existem duas palavras de ordem – amor e atenção – que resultam numa aquisição essencial – a confiança. É com base nestes constructos que a criança irá explorar as suas capacidades e realizar novas conquistas.  Coloco-vos(me) algumas questões: Quando deixo um bebé a chorar para que aprenda a dormir sozinho estou a provar-lhe que é amado, que tem a minha atenção e, por conseguinte, que pode confiar em mim? E quando o deixo a chorar sozinho para que não se habitue ao colo? E quando não lhe dou de mamar para que crie horários? Penso que as respostas a estas questões são bastante óbvias. No fundo, estamos preocupados em estimular novas competências, mais autonomia, quando na verdade os nossos bebés precisam apenas de amor e atenção, sendo o verdadeiro desafio desta fase e que realmente influenciará o seu futuro – aprenderem a confiar em nós – ignorado.

2ª Idade – Autonomia vs Dúvida e Vergonha (dos 18 meses aos 3 anos)

Na segunda crise psicossocial a criança procura resolver o conflito entre conseguir fazer as coisas por si e ter de depender quase sempre dos outros. Para conquistar a autonomia, o que implica controlar algumas funções orgânicas, a coordenação motora e a manipulação de objectos, a criança terá de aprender a lidar com a dúvida e a vergonha. Manifestações de comportamento como “birras”, a vontade de realizar tarefas sem receber ajuda (mesmo que com baixo nível de competência) e os “porquês” constantes são reflexo dessa busca.

As reacções dos pais às tentativas de autonomia por parte da criança irão assumir um papel fundamental na forma como esta resolve o conflito – humilhações, críticas  constantes, repreensões e punições contribuirão para o desenvolvimento de um sentimento de vergonha. A dúvida na sua capacidade para concretizar tarefas, por sua vez, emergirá através dos repetidos fracassos. Deste modo, caberá aos pais dosear a prestação de ajuda e o encorajamento na exploração do meio de forma autónoma.

Reflexão: Falamos imenso em “birras”, em crianças teimosas, como se estes comportamentos fossem anormais. Estas manifestações, ainda que nos possam deixar exaustos e desesperados, são extremamente saudáveis e sinal de um desenvolvimento adequado. Mais do que procurar formas de reprimir estes comportamentos, precisamos (pais e educadores) de encontrar estratégias de ajustar o nosso comportamento nessas situações, pois esse sim poderá condicionar a aprendizagem que procede aquele “birra”. Aceitem esta fase (mesmo que isso implique respirar e contar até 1000) como um reflexo do excelente trabalho que têm feito para que aquela criança cresça.

3ª Idade – Iniciativa vs Culpa (dos 3 aos 6 anos)

Nesta idade da vida a grande questão é: “Serei bom ou mau?”. O foco da criança deixa de ser a autonomia e as suas capacidades e passa a ser a moralidade e a aceitabilidade dos seus comportamentos. A par da linguagem, do pensamento, das habilidades motoras e do pensamento dá-se o desenvolvimento da imaginação e da curiosidade, sobretudo em relação ao corpo e às diferenças entre sexos.

Novamente, a forma como o meio envolvente, sobretudo os pais, reagem à curiosidade da criança irão determinar o seu grau de autoconfiança e de iniciativa. Reacções negativas irão transmitir a mensagem de que a sua curiosidade não é bem-vinda, o que pode provocar inibição excessiva, sentimentos de culpa e ansiedade, assim como pouca iniciativa na exploração do meio.

A resolução positiva do conflito deste estádio promoverá o gosto pela descoberta, a audácia e a capacidade de iniciativa.

Reflexão: Dizermos a uma criança que é má tem um impacto que podemos à partida não prever, pois toca no ponto com que esta mais se preocupa nesta fase. Como tenho vindo a dizer, o comportamento pode ser menos desejável, o que é totalmente diferente da criança ser má. Comportamento e criança (personalidade) não são a mesma coisa e nesta fase é extremamente importante fazer (e incutir) essa distinção.

4ª Idade – Indústria vs Inferioridade (dos 6 aos 12 anos)

Por “indústria” Erikson refere-se à competência, ao engenho, à produtividade no cumprimento de determinadas tarefas. Deste modo, o conflito que a criança enfrenta centra-se no facto de ser competente ou incompetente (muitas vezes por comparação com os pares).

Com a entrada no ensino escolar, novas competências são exigidas à criança, surgem novos desafios e o campo de interacção social alarga-se; esta passa a ser valorizada pelo que faz (competência) e não tanto pelo que é. Assim, o fracasso no desenvolvimento de competências, assim como a falta de incentivo e de apoio, assumem um forte impacto na sua auto-estima, podendo gerar sentimentos de inferioridade/descrença quanto às suas capacidades. Neste caso, o fracasso passa a ser percebido como inevitável e por isso o esforço e o empenho tendem a diminuir.

Na quarta idade existe uma vontade enorme de concretizar novas tarefas com sucesso, de aprender, de desenvolver sentimentos de competência. Quando tal acontece, isto é, quando há sucesso, há um aumento da autoconfiança, do prazer na realização das actividades e na auto-estima.

Reflexão: Contrariamente ao que por vezes os agentes educativos e as directrizes escolares pressupõem, as crianças neste estádio encontram-se motivadas para aprender. O problema, que é tão frequentemente ignorado, reside no tipo de tarefas que apresentamos às nossas crianças, no seu grau de exigência e no facto de ignorarem completamente os seus interesses e áreas de maior aptidão. Antes de ganharem competências as crianças precisam de acreditar que são competentes e isso conquista-se respeitando AQUELA criança em específico, sem pressas. Quando tal não se sucede, estamos a condicioná-las à partida, ditando que o seu percurso seja pautado por fracassos, frustrações e sentimentos de incompetência; e isto, meus caros, vai acompanhá-las ao longo da vida, não só naquele ano, não só naquela disciplina e não só naquela matéria.

Importa também frisar, e a escola deve apoiar os pais nesta tarefa, que o que a criança faz/consegue não dita quem é, isto é, que o seu grau de competência em determinada matéria se circunscreve a isso; deste modo evitaremos que tal se estenda às restantes áreas da sua auto-estima. Somos muito mais do que bons/menos bons nisto ou naquilo!

 

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3m’s – Menina, Mulher & Mãe (por Tânia Correia)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Mom next door

Mom next door – a Sara e a sua adopção

Será possível um/a filho/a de pais negligentes tornar-se num progenitor cuidadoso, disponível e carinhoso? A resposta vive na Sara e na sua história de vida.

O primeiro contacto que tive com a Sara foi através da página 3m’s quando, a propósito do desenvolvimento da linguagem da Letícia, me perguntou por formas de estimular a fala do seu filhote, o A. Após algumas mensagens, a Sara confidenciou-me ter-se identificado com o texto Para mulatinha até é bonita, no sentido em que ela, por ter sido adoptada, apresenta traços físicos distintos dos seus pais. Foi na sequência desta conversa que conheci uma experiência de vida inspiradora, em diversos sentidos, e que não podia deixar de partilhar (com a devida autorização).

Os primeiros anos de vida da Sara são recordados de forma pouco precisa. Teria perto de 5 anos quando a progenitora (a Sara recusa-se a tratá-la por mãe) a deixou em casa de uma tia avó; pelo que se recorda, enquanto lá esteve foi bem tratada. Cerca de um ano depois a sua vida sofreu uma reviravolta com o regresso da progenitora – “foi aí que o pesadelo começou”. Nessa altura viu-se privada dos direitos mais básicos de qualquer ser humano – liberdade, alimentação, afecto, protecção, respeito. Sara passava longas tardes sozinha em casa, trancada num quarto escuro, sem acesso a comida nem a brinquedos; ali permanecia várias horas até o companheiro da progenitora chegar do trabalho com uma sopa, a única refeição a que tinha direito. As suas idas à rua cingiam-se aos momentos em que a progenitora a incumbia de vender artigos que tinham em casa a uma vizinha idosa que, por ver uma criança a vender, comprava os bens. No meio disto, nasceu outra criança, um menino, que era tratado de forma privilegiada por ser o único filho do casal (o companheiro da mãe não era pai de Sara).

Embora naquela época fosse muito nova, algumas recordações permanecem bastante vívidas na memória de Sara. Entre elas emerge a do dia em que, na sequência de a progenitora a ter mandado ao café comprar um pacote de batatas fritas, e devido à privação alimentar, sentiu necessidade de comer algumas, o que lhe valeu umas valentes palmadas. Recorda-se também de ficar sozinha em casa com o irmão que deveria ter aproximadamente 1 ano, da responsabilidade que sentia e das estratégias que arranjava para o entreter.

Certo dia, sem qualquer aviso, a progenitora foi a tribunal, alegou que iria para Espanha trabalhar e despediu-se de Sara; posteriormente um carro da polícia encaminhou-a até uma instituição de acolhimento sem grandes explicações. Inicialmente sentiu-se perdida, tudo lhe parecia (e era) muito confuso, contudo rapidamente se adaptou ao novo lar (ali dispunha de melhores condições). A progenitora visitou-a uma vez, prometendo que em breve a iria buscar, mas tal nunca aconteceu.

Foi num passeio pelo jardim, um ano depois, que lhe mostraram duas fotos – um senhor e uma senhora – que no verso diziam “novos pais da Sara”. A isto seguiram-se algumas tardes de convívio até que uma semana depois abandonou definitivamente a instituição para viver com aquele casal que hoje, com muito orgulho, trata por pais.

A mãe da Sara confessa que os primeiros anos foram um verdadeiro desafio dado os “diversos traumas” da filha. O primeiro desafio foi o medo do escuro – depois de passar várias tardes a fio fechada num quarto escuro, Sara tinha dificuldade em dormir sozinha, o que implicou que inicialmente a mãe dormisse com ela no “quarto de princesa” – é assim que Sara descreve o primeiro quarto que foi pensado para si. Devido aos maus-tratos físicos experienciados, a filha também apresentava alguns medos específicos, como medo de cintos. Em simultâneo, sentia imenso receio de ser devolvida, quando a mãe interagia com outras crianças, entrava em pânico. Por vezes Sara “sentia-se revoltava” e partia alguns objectos em casa. Com a entrada na adolescência e o convívio com o que Sara hoje assume serem “más companhias” os desafios continuaram e surgiram os primeiros ataques de pânico.

Alguns anos depois, no final do ensino secundário, Sara começou a namorar com o actual companheiro, entrou no mundo do trabalho e finalmente encontrou maior paz interior. Hoje acredita que a paciência (os pais nunca a ameaçaram de ser devolvida para adopção), o carinho e a ausência de punições físicas por parte dos pais foram a chave para o equilíbrio alcançado.

Segundo as palavras da mãe de Sara, um processo de adopção de uma criança “mais velha” envolve algum receio inicial de que nem tudo corra pelo melhor; não obstante, acredita que o poder do amor e da compreensão permitem superar os diversos obstáculos. Frisou ainda a importância de se adoptarem crianças mais velhas, pois estas existem e têm o sonho de vir a ter uma família, como qualquer criança; ainda que os desafios possam ser maiores, as recompensas também serão.

Actualmente Sara tem 27 anos, é mãe do A., um doce bebé com quase 9 meses, e vive com o companheiro. O compromisso de Sara para com o pequeno A. é bastante claro – procura ser para o filho tudo o que os seus pais foram para si, enchendo-se de orgulho cada vez que fala deles.

Recentemente encontrou a progenitora no facebook, contudo a ausência de arrependimento levaram a que Sara escolhesse não manter contacto.

Com base nas diversas experiências vividas, Sara, tal como a mãe, enfatizou a importância do amor e do carinho no desenvolvimento da criança. Salientou ainda a necessidade de se encarar a adopção como uma escolha para a vida, não como uma tentativa, em que as crianças “não se adequam” e por isso são devolvidas como objectos – “com muita paciência todos podemos ser moldados“.

Decidi partilhar a história da Sara com vocês por diversos motivos. Em primeiro lugar, por se tratar de uma história em que o amor e a perseverança venceram os fantasmas do passado – estes ingredientes são tão potentes no desenvolvimento saudável. Em segundo lugar, para vos (nos) sensibilizar para a adopção de crianças mais crescidas, mostrando que apesar de todos os obstáculos é possível e pode ser realmente recompensador para todos. Por último, para vos provar que a menina que vive em nós e que reemerge quando nos tornamos mães pode ser acarinhada/escutada e permitir-nos fazer melhor do que fizeram connosco – tenhamos a coragem de usar as experiências menos boas como motivação para nos superarmos e de assim combatermos a perpetuação de estilos parentais pouco saudáveis.

sara ado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nutrição

“Ice Tea” de pêssego sem açúcar – sim, é possível

Um dos pedidos para a nossa rubrica em parceria com “A Pitada do Pai”, em que se transformam refeições menos saudáveis em prazeres livres de culpa (e açúcar, glúten e afins), foi o de criarem uma bebida que substituísse os malvados refrigerantes.

Fresco, leve e natural, este “Ice Tea” é uma excelente opção para estes dias quentes. A sua preparação é extremamente simples e pode ser consultada aqui – https://www.apitadadopai.com/o-nosso-ice-tea-natural-e-caseiro/.

Ao jantar irei experimentar o meu 😉 (o da imagem é d’ A Pitada do Pai)

ice tea

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Menina, Mulher & Mãe

Amamentação – o óbvio e o menos óbvio

Amamentar é daquelas coisas que tem tanto de simples como de complicado. Se por um lado dispomos de equipamento para o efeito – leia-se mamas – por outro trata-se de uma actividade nova para as partes envolvidas – a mãe nunca usou as suas mamas como fonte de alimento, o bebé nunca precisou de fazer nada para se alimentar, limitava-se a receber o alimento necessário através do cordão umbilical.

No nosso caso, foi complicado. A Letícia nasceu quase prematura, tinha os valores da glicémia baixos (esteve quase a ir para a incubadora) e por isso, depois de ter mamado o meu leite, bebeu leite artificial (LA). Mais, tinha imensa dificuldade em permanecer acordada para mamar e em fazer a pega (colocava o lábio inferior para dentro). No hospital (privado) foram incansáveis, apareciam constantemente no quarto para assegurar que a pega estava a ser bem feita, para vigiar se o leite já tinha subido/descido (ao início produzes colostro, um líquido amarelado ou transparente) e para me motivarem.

Embora no hospital tenha dado sempre leite materno (LM) e de seguida LA, em casa decidi investir mais no primeiro. Dava LM, ela adormecia, acordava pouco tempo depois a querer mamar mais; na altura diziam-me que devia fazer intervalos, criar horários – tudo errado!

Na primeira consulta de pediatria a nossa filha tinha perdido peso, o que para um bebé que desde o nascimento se enquadrava no percentil 15 era péssimo. Chorei muito, senti-me a pior mãe do mundo por ter insistido no LM; a pediatra deu-nos duas alternativas: abandonar o LM ou continuar a dar entre o LA. Nos dias seguintes, com o aumento de consumo do LA, notava-se um desinteresse cada vez maior pelo LM, como resultado eu produzia cada vez menos; sentia-me triste porque adorava dar de mamar (aquele momento só nosso de pele com pele) e por acreditar que o meu leite era o alimento ideal para a nossa filha. Estava prestes a desistir quando recebi uma mensagem no facebook de uma prima do meu primo (daquelas pessoas simpáticas com quem raramente nos cruzamos) que dizia algo deste género: “Olá, Tânia! Espero que tudo esteja a correr bem. Não sei se sabes que me tornei conselheira de aleitamento materno, se precisares de alguma coisa, avisa“. Lembro-me de ter chorado de tão feliz que fiquei, aquela pessoa surgia no meu caminho na hora exacta.

A primeira sessão com a Cristina (a tal prima) foi fantástica – ouviu-me, acarinhou-me, sugeriu e deixou-me escolher o caminho que iríamos seguir. Contrariamente ao que me diziam, a Cristina explicou-me e provou-me (enviou material de apoio) as vantagens de amamentar em livre demanda (sempre que o bebé quer); tal também faria com que a minha produção aumentasse. Confesso-vos que as primeiras noites foram terríveis, enquanto com o LA ela mamava e dormia várias horas seguidas, com o LM tinha de acordar constantemente para dar de mamar (no início chegou a ser de 30 em 30 minutos). Gradualmente a produção foi aumentando, passei a ter de acordar menos vezes e a dar menos LA.

Contra todas as expectativas, a nossa filha mamou até aos 12 meses, altura em que, com muita pena minha, fez o desmame natural.

Dar de mamar foi das experiências mais maravilhosas e duras da minha vida. Gostava de ter sido avisada sobre alguns aspectos desde o início, de dispor de várias alternativas que só mais tarde descobri. Posto isto, deixo-vos uma lista com as aprendizagens que fui fazendo (sobretudo com a ajuda da Cristina) e que poderão fazer a diferença entre uma amamentação feliz e uma amamentação abandonada precocemente.

1 -Prepara-te para que não acertar à primeira. O bebé está programado para mamar, a tua mama está programada para dar leite, ainda assim nem tudo flui imediatamente. O bebé pode ter dificuldade em fazer a pega, pode ter tendência a adormecer assim que começa a mamar, entre outros; os teus mamilos podem ter um formato que não facilite a amamentação (podes usar bicos de silicone), podem ter mais tendência a formar gretas, entre outros. Com o tempo (pode demorar!) vais dominar isto e perceber o que resulta com vocês.

2 – Dá de mamar sempre que o bebé quiser. Não te foques em horários, em criar intervalos e rotinas, tudo isso surgirá naturalmente. O teu bebé necessita de se alimentar e, tal como todos nós, terá o seu ritmo de o fazer – há quem coma pouco em cada refeição, e por isso coma mais vezes ao dia, há quem coma mais em cada refeição, e por isso coma menos vezes ao dia. Além disso, o bebé mama de acordo com as suas necessidades em cada fase e será deste modo que as tuas mamas irão perceber a quantidade de leite que precisam de produzir.

3 – “As mamas não são armazéns, são fábricas”. Esta frase da Cristina é mágica e libertadora! Quando começares a amamentar irás reparar que nos segundos que antecedem a mamada as tuas mamas parecem ter silicone de tão grandes e rijas que ficam; no final apenas te restarão duas uvas passa, moles e sem graça. Quando o bebé pede novamente para mamar e as tuas mamas ainda estão em modo uva passa sentirás que estás a produzir pouco, que ainda não tens leite suficiente para o alimentar, o que é altamente stressante. Eis que surge a Cristina com a explicação de que as nossas mamas não funcionam como armazéns, elas vão produzindo leite enquanto o bebé mama, pelo que uma mama aparentemente vazia não é uma mama inútil.

4 – Quanto mais os bebés mamam, mais leite produzimos.  Este princípio é básico mas menos óbvio do que se possa imaginar. Se sentes que estás a produzir pouco, permite que o bebé mame mais vezes ou, em último caso, recorre a uma bomba tira-leite (deverás ter muito cuidado para não começares a produzir demasiado leite e entrares num círculo vicioso em que por produzires demais tens de tirar com a bomba e ao tirar  vais produzir ainda mais).

5 – O vosso conforto é fundamental. Apanha as almofadas todas que andem aí por casa e constrói um castelo de almofadas que te permitam (e ao bebé) sentir confortável enquanto amamentas – nas costas, por baixo dos braços, no colo, vale tudo.

6 – Respira, relaxa e aproveita o momento. Enquanto a prolactina é a responsável pela produção de leite, a ocitocina, conhecida pela hormona do amor (é a que está também ligada aos orgasmos), é responsável por estimular a produção de prolactina e permitir que o tecido mamário se contraia de forma a que o leite passe pelas glândulas mamárias; traduzido por miúdos, a amamentação será mais fácil se estiveres relaxada pois a produção de ocitocina acontecerá de forma mais natural. Andares preocupada por teres “pouco leite” contribui para que tal aconteça.

7 – Não existem leites fracos, nem insuficientes, nem que alimentam pouco. Vais ouvir esta frase várias vezes, sobretudo quando o bebé chora, mesmo que por  outro motivo. O teu leite é óptimo, tem tudo o que o teu bebé necessita, nas quantidades exactas. Como referi, existem bebés que precisam de comer mais do que outros, que querem mamar como forma de consolo, entre tantas outras opções que em nada colocam em causa a qualidade do teu leite.

8 – Inicia a mamada na mama em que terminaste. Não me irei alargar em explicações técnicas, até porque não estou qualificada para isso, só quero transmitir a ideia de que enquanto amamentas a composição do leite vai-se alterando – inicialmente produzes um leite mais aguado, destinado a saciar a sede do bebé, ao passo que no final da mamada o leite torna-se mais rico em gordura e possui mais nutrientes e calorias. Se o bebé não esvaziar a mama e iniciar a mamada seguinte na outra mama poderá não chegar novamente à fase do leite mais rico em gordura; para evitar que tal suceda, deverás começar pela mama em que mamou da última vez.

9 – Existem dezenas de posições para dar de mamar. Recordo-me perfeitamente do dia em que a Cristina me perguntou se já tinha experimentado dar de mamar noutras posições – “como assim, outras posições?!”, perguntei eu completamente baralhada. Sim, existe uma espécie de “mamasutra” a que podes recorrer, com posições que poderão ser mais confortáveis do que a posição tradicional que sempre nos foi imposta. No nosso caso, a Leti mamar sentada (posição cavalinho) permitia que ficasse mais desperta e bolsasse muito menos no final (https://brasil.babycenter.com/a1500013/posi%C3%A7%C3%B5es-para-amamentar – apenas alguns exemplos).

10 – Cuida bem dos teus mamilos. Dares de mamar com mamilos feridos/gretados pode tornar-se impossível. Deste modo, coloca algumas gotas do teu próprio leite ou usa um creme adequado.

11 – A amamentação nocturna é importante. Conheço alguns casos de mães que decidiram “saltar” as mamadas da noite, dando LA, o que rapidamente condicionou a sua produção de leite. Durante a noite os níveis de prolactina atingem o seu pico, pelo que é fundamental dar de mamar neste período.

12 – Não laves as mamas antes de amamentar. A mama tem um cheiro próprio que incentiva o bebé a mamar, retirá-lo não é proveitoso.

13 – Podes sentir o útero a contrair durante a amamentação. Não te preocupes, é desejável que assim seja! Amamentar facilita a contracção do útero, isto é, que regresse ao seu tamanho original (já não precisas de um útero todo dilatado).

14 – “Passei o dia a dar de mamar”. Poderão existir dias em que andarás de mamas ao léu por saberes que dentro de momentos darás de mamar de novo, em que sentirás que passaste o dia a dar de mamar, em que te questionarás se amamentar é assim tão importante – é natural, senti o mesmo. Não obstante, são momentos de cansaço que passam, contrariamente aos benefícios da amamentação que duram uma vida inteira.

15 – Pede ajuda, não serás menos mãe por isso. Sem ajuda provavelmente a nossa aventura no mundo da amamentação teria durado menos de 1 mês. Se tens dúvidas, se notas que a amamentação poderia correr de forma diferente, procura ajuda profissional. Existem grupos no facebook dedicados ao aleitamento materno (embora alguns deles sejam compostos por pessoas fundamentalistas), a rede amamenta (http://amamenta.net/) e as conselheiras de aleitamento materno (CAM).

16 – Amamentar deverá ser prazeroso para ambos. Não o será todos os dias, em todos os momentos, pelo menos convém que seja na sua maioria. Se chegaste a um ponto em que já tentaste de tudo, em que sentes que realmente não está a ser proveitoso nem para ti nem para o bebé, tens direito a não querer prosseguir (na verdade tens direito logo desde o início). O LM é fundamental para o bebé, mas a felicidade e o bem-estar da mãe são mais.

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