Menina, Mulher & Mãe, Sem categoria

Larguem as mamas das mães

Hoje, uma colega (não é a mesma de segunda-feira) deixou um saco em cima da mesa cujo interior era visível a partir do ângulo em que eu estava sentada. Lá dentro era possível ver uma bomba eléctrica de extracção de leite.

Sentimentos e recordações à parte, pensei de imediato como deveria ser duro para ela tirar leite longe do seu bebé. Decidi meter conversa com o intuito de a reconfortar caso precisasse.

Quando a meio da conversa lhe perguntei a idade do bebé, notei uma certa hesitação a que se seguiu a resposta: “já tem 10 meses!”. “Oh, ainda é mesmo bebé!”, disse eu. De seguida percebi perfeitamente o motivo da sua hesitação: “Estão sempre a dizer-me que já é demasiado grande para mamar”.

Eu juro-vos que faço diariamente um esforço para compreender outras perspectivas mas esta noção de que nos podemos intrometer nas escolhas das pessoas incomoda-me imenso. Sobretudo nesta área da parentalidade e mais especificamente no que toca à amamentação, um processo tão pessoal e intimamente ligado à vinculação entre mãe e bebé. Entenderia se fosse uma prática com consequências negativas, mas que malefícios o aleitamento materno traz para a criança? Nutrição e carinho?!

Se a amamentação de cada um fosse um assunto comunitário todos poderíamos dar de mamar àquela criança. Uma vez que apenas a mãe pode, e se a cria é sua e do pai, parece-me claro quem são as partes envolvidas e com direito a partilhar a sua opinião.

Cuidem de vocês, da vossa saúde e dos vossos corpos e deixem que sejam as mães a decidir o que fazem com as suas próprias mamas 

mamas

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Osteopatia

Síndrome de morte súbita e Plagiocefalia

Actualmente, de acordo com as linhas orientadoras da Organização Mundial de Saúde, é aconselhado que os bebés durmam em DD (de barriga para cima) a fim de evitar a síndrome de morte súbita. Esta não tem uma causa determinada, mas parece estar relacionada com um défice de oxigénio em bebés quando deitados em DV (de barriga para baixo) e uma imaturidade de algumas zonas dos seus cérebros.

Desde 1992 que estas recomendações fizeram diminuir em mais de 50% as mortes no primeiro ano de vida, contudo contribuíram para o aparecimento mais frequente de deformidades cranianas nos bebés.

As deformidades cranianas surgem devido a pressões externas exercidas na cabeça do bebé por longos períodos de tempo:

-por factores intra uterinos (tipo de parto, alterações pélvicas maternas, gestação múltipla, etc),

-prematuridade,

-torcicolo muscular congénito,

-deitado de barriga para cima de forma prolongada (para evitar síndrome de morte súbita), por exemplo.

Existem vários tipos de deformidades cranianas, sendo a mais comum a plagiocefalia que significa cabeça oblíqua – “plagio” = obliquo e “cefalia” = cabeça.

cabeças

Através da análise cuidada da história pré, peri e pós-natal, e do exame físico do bebé pode fazer-se o diagnóstico desta disfunção sem qualquer necessidade de exames radiológicos de imagem.

Se observamos o crânio de topo, em caso de plagiocefalia, este tem o formato de um paralelograma com um achatamento oblíquo, a orelha do mesmo lado é mais anterior e a testa e o malar parecem mais proeminentes. O bebé também pode parecer ter menos cabelo na zona achatada.

Contudo isto não é um problema puramente estético. Todas estas assimetrias e consequentes restrições de mobilidade dos ossos podem condicionar o correcto funcionamento de nervos, artérias e veias provocando, por exemplo, refluxo, náuseas, problemas oculares e auditivos, escoliose, problemas na alimentação e na fonação, falta de concentração, entre outros.

E o melhor tratamento? É mesmo a prevenção!

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  • Quando estiver a dormir de barriga para cima, alternar as posições da cabeça
  • Se o bebé estiver desperto e sob vigilância, optar por coloca-lo de barriga para baixo (tummy time)
  • Evitar manter o bebé por longos períodos de tempo nas cadeiras de transporte ou espreguiçadeiras
  • Alternar o braço que usa para amamentar o bebé e a posição que o segura no colo
  • Em caso de torcicolo, ensinar os pais estratégias e exercícios para mobilizar o pescoço
  • Utilizar almofada certificada para prevenção de deformidades cranianas (p.e. mimos ®)

ALMOFADA

  • Ser avaliado por um Osteopata experiente nos primeiros dias de vida, porque quanto mais tempo passa mais sessões serão necessárias para obter os resultados pretendidos.

 

A osteopatia craniana utiliza técnicas manuais suaves e indolores que vão promover a mobilidade dos ossos do crânio para que o seu crescimento seja harmonioso e corrigindo assim qualquer assimetria.

Um estudo experimental controlado aleatorizado de Nuñez Prado em 2007 com 45 bebés mostrou que o grupo intervencionado com osteopatia teve melhor evolução (94.4%) que o grupo controlo (sem tratamento).

Assim, com as novas normativas sobre a síndrome de morte súbita e muitos outros factores, podemos afirmar que as deformidades cranianas são um problema cada vez mais comum, contudo não devem ser encaradas como algo normal! Existem várias estratégias que pode e deve adoptar e o seu Osteopata pode ajudá-lo a avaliar e tratar o seu bebé!

Dra Inês Alves – Osteopata

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Menina, Mulher & Mãe

Podias ser tão mais bonita

Nos seus curtos 3 anos a Leti já ouviu esta frase algumas vezes – não foram muitas, mas foram mais do que as que eu gostaria.

Tanto eu como a minha irmã crescemos cercadas pela ideia de que éramos mais bonitas do que a média por termos olhos claros e cabelo loiro. Felizmente, a vida encarregou-se de nos ensinar que a beleza vai muito para além disso. Contudo, quando estou com a Leti noto que essa ideia continua a persistir.

Cada um terá o seu gosto, nada contra; aceito que exista uma maioria que acha que olhos claros são mais bonitos do que olhos escuros. O que me incomoda é que a beleza dos outros seja definida pelos meus parâmetros (altamente subjectivos) e que eu lhes coloque essa espécie de rótulo.

Há dias no hipermercado a Leti segurava um saco de cenouras na fila para a caixa. Uma senhora passou por nós e em tom de brincadeira disse que não tinha comido muitas cenouras quando era pequenina e que por isso tinha os olhos feios. Entrando olhou para mim e afirmou: “ah os olhos da mãe é que são lindos, os teus e os meus são feios. Que pena não teres os olhos iguais aos da mãe”. Embora a Leti seja pequenina tem uma capacidade de compreensão enorme e ficou de imediato triste. Eu abracei-a e disse-lhe que adorava ter os olhos dela pois a mãe quando lhe bate o sol na cara fica toda aflita e ela não; acrescentei que ela é linda assim e que não a imaginava de outra forma.

Custa-me aceitar esta falta de sensibilidade e a necessidade de criarmos inseguranças uns nos outros, ignorando que o que para mim pesa (cor dos olhos) não corresponde a uma verdade absoluta. Mais, existem comentários que se não trazem nada ao outro que promova o seu bem-estar e/ou evolução poderá viver perfeitamente na minha cabeça, não há necessidade de o verbalizar.

Espero conseguir criar uma criança capaz de perceber o que importa dizer e cuja beleza que vê no outro passe por mais do que o seu tom de pele, cor de cabelo ou dos olhos.

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Fisioterapia Pélvica

Vamos falar sobre… Pavimento Pélvico (Fisiohandme)

Vamos falar de uma região que normalmente é conhecida por pipi, vagina ou “aquilo ali em baixo”…. Embora as mulheres estejam cada vez mais despertas para conhecer melhor a sua região mais íntima, os assuntos que envolvem a vulva ou vagina ainda são tabu. Conversa-se com muito constrangimento de situações que podem surgir a qualquer uma de nós. Umas gotas que saem sem querer quando espirro ou quando faço exercício no ginásio. Uma sensação de pressão, sensação de bola dentro da minha vagina. Uma dor que surge durante as relações sexuais que me atrapalha. Dificuldades em esvaziar o intestino. Ou uma sensação que a minha vagina tem mais espaço desde que o meu bebé nasceu…. em todas estas situações podemos pensar numa disfunção dos músculos do pavimento pélvico. É tempo de conversar abertamente sobre estas questões!

Comecemos pela questão inicial, o que é o pavimento pélvico? O pavimento pélvico é um grupo de músculos, ligamentos e fáscias que formam o “chão” da pélvis. São as estruturas musculares que dão o suporte dinâmico à bexiga, útero e intestino para que os ligamentos não alonguem demasiado. Estes músculos contraem para fechar orifícios e manter a continência (uretra, vagina e ânus), e relaxam para permitir esvaziar a bexiga ou intestino. Têm um grande contributo para uma função sexual prazerosa. A boa notícia é que com treino estes músculos melhoram a sua função!

Então quais podem ser as manifestações do meu corpo? Qualquer sintoma que surge é o corpo a comunicar que algo não está bem, que o sistema não está bem coordenado… o que podemos “ouvir” quando fala… Dificuldades em conter a urina, quando salta ou corre ou quando se ri, espirra ou tosse. Outro sintoma é estar constantemente a ir ao wc esvaziar a bexiga com sensação de urgência. Podemos sentir um peso, uma sensação de bola ao nível genital, frequentemente que piora ao longo do dia, ou depois de um dia em que esteve muito tempo de pé, depois de exercício físico intenso ou que o corpo não estava preparado. Ao lavar-se verifica que a vagina está demasiado aberta, ou sente algo a sair, por vezes ouve ou sente ruídos vaginais (como se fossem gases, mas que saem de dentro da vagina); sente que a vagina está pouco firme nas relações sexuais, com diminuição ou alteração das sensações, por vezes alteração ou diminuição da intensidade do orgasmo ou mesmo anorgasmia (ausência de orgasmo). Dor antes ou durante o acto sexual. Pode acontecer também falta de coordenação muscular e afectar o mecanismo de esvaziar o intestino, tendo uma sensação de esforço ou obstrução a maior parte das vezes, sensação que não esvaziou por completo ou dor anal. Estas situações nunca devem ser encaradas como normais, embora possam ser comuns entre as mulheres com as quais se cruza. Deve procurar ajuda de um fisioterapeuta especializado em disfunções pélvicas, pois não existe nenhuma razão para as mulheres de hoje permanecerem com desconforto e alteração da qualidade de vida se para a maioria das situações existe um tratamento simples e eficaz. Uma correcta função destes músculos permite-nos esvaziar a bexiga e intestino quando e onde queremos, e gozar de relações sexuais com prazer; qual será a razão para não cuidar deste pequeno e precioso grupo muscular?!

veja mais em https://www.fisiohandme.com/single-post/2018/04/07/Porque-devemos-falar-dePavimento-P%C3%A9lvico

Carina Portugal, Fisioterapeuta – Fisiohandme

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Fisioterapia Pélvica

Nova Parceria – Fisiohandme

Fisioterapia para mim é um trabalho de equipa! A minha parte envolve o compromisso de estar presente para cada pessoa, a cada instante; uma relação em que o meu contributo passa por educar, acompanhar, incentivar… é estar aqui e ajudar com todo o meu conhecimento. Para isso, leio muito, estudo, aprofundo cada vez mais, faço cursos, formações que me vão acrescentando e alimentando a vontade de saber mais, capacitando para ajudar mais… dou um pouco de mim a cada pessoa que se cruza comigo e sei que também levam um pouco de mim – os meus conselhos, o meu acreditar em transformar a sua realidade, o meu respeito, os meus conhecimentos técnicos com intenção genuína de ajudar. Sinto-me uma privilegiada, pois conheço partes de histórias de mulheres que mais ninguém sabe, porque posso cuidar deste universo tão íntimo de cada mulher…cada corpo, uma história…uma história que vamos alterar, recuperar, alcançar a liberdade que o corpo reclama para viver a vida…porque é pelo corpo que sentimos as emoções, é no corpo que sentimos os desconfortos, sentimos a incapacidade de ser.

Em 2016 criei o Fisiohandme, um local para servir mulheres em todas as fases da sua vida, para servir de rede de apoio feminino, para acompanhar as recém-mamãs e os seus bebés, para ser “aquele local” em que todas conseguimos obter algo que precisamos. Aqui prestamos serviços de Fisioterapia Pélvica (tratamentos de incontinências urinárias, prolapsos, vaginismo, dor pélvica, disfunções sexuais), uma especialização da fisioterapia que muitas pessoas desconhecem! Temos também muitas actividades para mamãs (tratamento da grávida, recuperação pós-parto) e bebés (vários workshops), contemplando igualmente as mulheres que estão noutra fase da sua vida. Pretendemos empoderar as mulheres através da educação sobre si próprias para que se compreenderam melhor e decidam conscientemente o que é melhor para si.

Tudo o que faço é com paixão, para vocês – mulheres. Podem encontrar-me no Fisiohandme, lá estarei de braços abertos para vos receber!

Ana Carina Portugal, fisioterapeuta de vocação e coração ❤

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Menina, Mulher & Mãe

BABY BLUES – OS PRINCÍPIOS MENOS COR-DE-ROSA

 

A primeira vez que ouvi o termo foi numa aula de Psicologia Sistémica (Psicologia da Família) no primeiro ano de Mestrado. Na altura, do alto da minha arrogância juvenil, achei os 60% de prevalência (número de mulheres que experienciam baby blues) um verdadeiro exagero – nenhuma das mães que eu conhecia havia (supostamente) passado por isso. Mais, sentia-me superior ao ponto de pensar que tal só ocorria com quem não queria mesmo ter filhos ou não tinha vocação para tal – “A mim jamais me acontecerá, tenho tanto jeito para crianças, certamente serei uma excelente mãe”.

Quando engravidei, embora se tivessem passado alguns anos e a arrogância juvenil desaparecido, continuava a acreditar que ser mãe era fácil, algo instintivo e natural, cuja complicação resultava do exagerado das pessoas. Ainda não me fazia sentido que alguém se sentisse triste após o nascimento do seu filho, um bebé que esteve na sua barriga vários meses, uma vida, uma família que iria nascer, alguém que iríamos amar e que nos amaria a vida toda – que motivos existiriam para ficarmos tristes e inicialmente rejeitarmos o pobre bebé?

A nossa filha nasceu através de um parto por cesariana. Por ter permanecido sentada até à altura do parto e por apresentar muito pouco líquido amniótico, o parto foi feito com alguma urgência. Foi tudo muito repentino, ao ponto de o pai que estava em Angola não conseguir chegar a tempo. Talvez pelo tipo de parto, ainda que a equipa tenha sido fantástica, a sensação com que fiquei foi a de que não houve uma transição – deitei-me na marquesa e em poucos minutos tinha a minha filha ao colo. Hoje sei que em termos hormonais, e não só, partos traumáticos, extremamente instrumentalizados e cesarianas contribuem para maiores dificuldades em lidar com o bebé e com toda a experiência da maternidade nos primeiros tempos.

Na mesma altura em que a nossa filha nasceu, nasceram outros bebés de um grupo de mães a que pertenço. A maioria das mães colocava fotos lindas, com um ar de tremenda felicidade, e escreviam belas declarações de amor para aqueles bebés que eram apontados como as melhores coisas das suas vidas. Do outro lado do ecrã, eu recriminava-me por não sentir o mesmo, por tudo me parecer complicado e não estar a seguir o rumo que eu considerava normal – ela chorava a tomar banho, adormecia imenso a mamar e acabava por comer pouco, dormia mal durante a noite; tudo comportamentos típicos de um recém-nascido, e de uma recém-mamã, mas eu culpava-me, sentia-me menos capacitada do que as restantes mães.

As duas primeiras semanas de vida da nossa filha foram marcadas pelas minhas lágrimas constantes – não era preciso um motivo forte, por vezes bastava-me olhar para ela para sentir que estava a fazer um péssimo trabalho. Chorava durante horas, outras vezes questionava-me se teria mesmo nascido para ser mãe (eu, que sempre vivi com a certeza de que essa seria a minha vocação), culpava-me por ter tomado essa decisão, sentia o peso da responsabilidade de cuidar de alguém para sempre e da falta de liberdade, imaginava-me presa à mesma rotina pela vida fora. No meio de tudo isto, a parte mais dura era não poder exteriorizar o que sentia – “Que raio de mãe pensarão que és? Isto que sentes e pensas não é bonito, não é normal, és a única assim, devias ter vergonha!”; de seguida surgia a pressão social para fingir que estava a adorar a experiência e por último a frustração e a culpa de o fazer.

Cerca de duas semanas depois, o meu corpo começou a habituar-se à privação do sono, às mudas constantes de fralda e ao choro dela; aprendi a tirar maior prazer da simples bênção de a poder admirar, do seu cheiro, da nossa pele colada enquanto a tinha ao meu colo.

Não existiu o dia, a hora, o local, em que o amor pela nossa filha nasceu. A protecção, o instinto, o altruísmo, nasceram no parto, contudo o amor como hoje o sinto não foi imediato, foi-se construindo dia após dia, à medida que nos fomos conhecendo, que partilhámos bons e maus momentos. Dois anos e meio depois, sou a figura central da vida da nossa filha, temos uma relação de grande proximidade, compreensão, em que ela confia e se apoia em mim sem restrições.

Para ti, que estás a viver uma situação de baby blues, deixo-te o meu colo. Sim, tu também precisas, não desvalorizes isso. Não subestimes a dureza que a experiência da maternidade pode ter ao início e o teu esforço para lidar com ela. Se esta transição te afecta tanto é porque a levas realmente a sério, o que é sinal de sensatez, compromisso e empenho. Mais, não interessa como a tua irmã, a tua prima ou a vizinha lidaram com os primeiros tempos enquanto mães, a TUA gravidez foi única, tal como o TEU parto, o TEU bebé, as circunstâncias que VOS rodeiam e TU! Estamos a falar de uma mudança significativa em que tens de te desorganizar por completo para de seguida voltares a encaixar todos os pedaços da tua vida de uma nova forma. É como que sem saberes nadar fosses atirada para uma zona sem pé, tens de aprender ali, no momento, sem lições nem grande preparação; a maternidade é isto – aprendizagens feitas a um ritmo alucinante, nem sempre à primeira, num universo cheio de situações imprevisíveis. A maior das imprevisibilidades com que terás de lidar, pois supera o que te relataram, é o amor que verás nascer entre ti e o teu bebé, ao vosso ritmo – a sensação de que ganhaste um grande propósito de vida, o arrepio quando ele te esboça o primeiro sorriso, as lágrimas nos olhos quando intencionalmente te coloca as mãos no rosto, o calor no coração quando te chama mamã pela primeira vez. Com o tempo, o VOSSO tempo, irás habituar-te à privação do sono, mudarás fraldas (literalmente) de olhos fechados, entrarás na rotina, passarás a conhecer melhor aquele a quem tens a honra de chamar filho, e tudo será mais simples, mais natural; irás vencer desafios e com cada obstáculo superado perceberás que afinal és capaz.

Tu és mulher, tu és mães, tu és vida, tu és amor – tens em ti o melhor do mundo, só precisas de tempo para o ver.

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Menina, Mulher & Mãe

Mãe para a vida toda

Existem mulheres que o único contacto que tiveram com a função de mãe foi durante a gravidez (digo-o sem julgamentos), outras que cumprem o seu papel até os filhos demonstrarem alguns sinais de independência, e ainda aquelas que “vestem a camisola” e se comprometem a usá-la a vida toda. A minha mãe faz parte do terceiro grupo.

Ser mãe para a vida toda não implica que se seja uma mãe perfeita. A senhora que vêem nesta fotografia nem sempre foi a mãe que é hoje. Existiram muitos momentos em que não a compreendemos e em que ela não nos compreendeu. Hoje percebo que precisou de tempo para lidar com os seus fantasmas, para quebrar crenças e aprender a identificar o que realmente as suas filhas precisavam. A dada altura (não sei indicar o momento) decidiu colocar o passado para trás das costas e passou a escutar-nos com o coração.

Esta é a mãe que jamais abandonará o posto, que não usa o facto de as filhas serem adultas como desculpa para se ausentar das suas vidas. Dá-nos espaço, o que precisamos, mas está sempre presente, sem hesitar.

Esta é a mãe que se mostra disponível para ajudar, a quem podemos pedir os favores mais estapafúrdios e ligar a qualquer hora em busca de suporte.

Esta é a mãe que cuida, que prepara uma marmita para levarmos quando vamos às urgências com a neta, que nos delicia com os almoços de domingo, que lava e passa a ferro qualquer peça de roupa que fique esquecida em sua casa (ainda que o “esquecimento” seja claramente propositado), que liga para saber se tomámos o antibiótico a horas, que nos diz 20 vezes para nos agasalharmos.

Esta é a mãe que não invade o nosso espaço, que avisa quando vai aparecer, que pergunta se pode mexer, embora arrume a casa toda assim que viramos costas.

Esta é a mãe que aconselha, que sofre com cada queda nossa, que festejas as nossas vitórias como se fossem suas e que faz com que sintamos que nenhum erro colocará em causa o seu amor.

Esta é a mãe que abraçou o papel de avó desde o primeiro segundo, que esteve presente em ambos os partos sempre de sorriso no rosto, que nos apoiou no pós-parto e facilitou a vida em tudo quanto foi possível (encarregou-se de todas as tarefas para que ficássemos disponíveis para cuidar do bebé).

Esta é a mãe que me ajudou a crescer enquanto mãe, a mãe que quero ser e que 27 anos depois me permite continuar a saber o que é ser filha.

Esta é uma mãe para a vida toda ❤

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