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Mom next door – A Inês e as noitadas do Santiago

Quando partilho com vocês algumas das evoluções que a Leti fez ao longo do tempo – alimentação, sono, entre outros – por vezes sinto que pareço aquela amiga super querida que nos vê com um vestido que assenta como um tutu a um elefante e diz “não está assim tão mal!”. Sim, o meu intuito é validar (aceitar e reforçar) tudo o que sentem e dar-vos algum ânimo mostrando que o que hoje parece um enorme problema amanhã está completamente resolvido, mas enquanto rosto do blog/página sei que sou suspeita. Para vos mostrar que as coisas realmente melhoram, nesta rubrica dedicada às grávidas e recém-mamãs serão partilhadas as histórias de outras meninas, mulheres e mães e respectivos filhotes.

Vamos começar pela Inês, uma grande amiga minha (e vossa, é impossível não gostar dela), mãe do Santiago (7 meses). Foram alguns os telefonemas partilhados entre lágrimas e desabafos, na altura eu dizia-lhe que os primeiros tempos são duros mas que  tudo iria melhorar, que o Santi (como lhe chamo) passaria a conhecer os pais, o meio, sentir-se-ia mais seguro, aprenderia a diferenciar a noite do dia, as cólicas desapareceriam, e com tudo isto começaria a dormir melhor. Hoje é a vez da Inês vos dar esse colo e  encher-vos de optimismo. Deixo-vos o seu relato:

“O relógio marcava 08h:31m da manhã do dia 26 de Outubro de 2016. O nosso mundo acabava de mudar. Para sempre. Ali estava ele, cheio de vida, tão pequenino, tão frágil, tão perfeito, o nosso Santiago. Nasceu de cesariana, às 39 semanas e tudo correu lindamente. Tinha na minha cabeça fantasiado um cenário terrível onde primeiro me espetavam a espinha com uma agulha gigante e depois me cortavam a barriga (desculpem os detalhes) onde nada havia de mágico ou sequer bonito mas esqueçam! Foi uma cirurgia super rápida, indolor e com uma equipa excelente, onde sempre me senti acompanhada e acarinhada até ao momento de ter nos braços o meu bebé.

Após 4 dias de internamento regressámos a casa. O tão esperado momento. Chegar a casa, com ele. Não éramos mais só nós os dois. Nunca mais seríamos. Éramos três, e a nossa família estava a chegar a casa. E com a chegada a casa, eu estava longe de imaginar o que aí vinha. Foram três meses. Três loooooongos meses de choros, cólicas, birras, noites infindáveis, muitas olheiras e pouquíssimo descanso. O Santiago foi um bebé que sofreu imenso de cólicas. Nós fizemos de tudo para acalmar as dores. Gotinhas mágicas, almofadas na barriga, massagens, TUDO e nada resultou. A par disto e como consequência, ele não queria dormir sozinho. Resultado: TODO o dia no colo. Ele não queria o berço, nem a alcofa e muito menos o ovo. Ele só queria estar no nosso colo. Conseguem imaginar o que é passar três meses com um bebé ao colo, todo o dia? É desgastante. Deprimente. Avassalador. A minha auto-estima estava abaixo de zero. Eu que tanto gostava de me cuidar, não conseguia. Simplesmente não havia tempo. Com muita sorte e entre birras eu lá conseguia ao fim do dia tomar um banho, 5 minutos, nada mais. Provavelmente muitas de vocês passaram pelo mesmo, temos de ter super poderes, buscar forças onde tu desconheces e sobretudo não ouvir “ruídos” externos. Esqueçam a vizinha que diz para “Forçosamente deitar o bebé mesmo que chore que lhe há-de passar” ou a amiga da amiga cujo bebé “É tão calminho e não dá trabalho nenhum”. Não precisamos disso naquele momento. Na verdade só precisamos de um par de boas noites de sono e de uma semana num SPA, como isso é tarefa impossível o melhor mesmo é tentar manter o “barco” o mais sereno e consistente possível.

O meu testemunho serve para vos mostrar que sim, a maternidade tem um lado duríssimo, difícil, põe à prova tudo em ti e à tua volta mas nada, nada, nada vale mais a pena. Hoje o Santiago tem 7meses e mudou TOTALMENTE!! As cólicas passaram aos 4 meses, é um bebé com um óptimo humor, muito bem disposto, tem hábitos de sono consolidados, já dorme sozinho no quartinho dele e adora brincar e explorar o mundo em redor. Passar por toda esta experiência da maternidade tem me tornado uma mulher mais paciente, mais calma, o meu sentido de tempo mudou drasticamente. Sim a nossa vida gira em torno dele, das necessidades dele, dos hábitos dele. Dele. Mas somos agora tão mais felizes, mais inteiros, mais completos. Somos uns pais de primeira viagem, ainda temos um mundo de descobertas pela frente mas mergulhámos de cabeça nesta aventura. Afinal o nosso Amor, gerou uma nova vida.

mom next door - inês

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Menina, Mulher & Mãe

Para mulatinha até é bonita

Gostava de vos dizer que esta frase foi retirada de um filme sobre escravatura, que foi proferida pelo dono de uma plantação de algodão numa época em que ser racista era quase um valor social; infelizmente, estaria a mentir. Esta frase foi dita à minha filha, em pleno século XXI.

Tudo começa num parque em que neta e avó brincam alegremente. Ao longe um grupo de senhoras observa-as, a certa altura a minha filha aproxima-se e inicia-se uma conversa em que primeiramente procuram perceber se a menina é filha da rapariga loira de olhos claros com quem costuma ir ao parque, passa pela curiosidade (ou coscuvilhice) de saber qual o tom de pele do pai (como se existisse um degradê de tons de pele que separa os “aceitáveis” dos “inaceitáveis”), e termina com a frase “para mulatinha até é bonita“. Não, não foi uma situação excepcional. É frequente as pessoas tentarem perceber qual é o tom de pele do pai – o que nem me incomoda – e acabarem por dizer pérolas como “não deve ser assim tão escuro” ou “a mãe como é loira e branquinha ajudou a menina a ter um tom de pele bonito” (sim, se fosse mesmo negra tinha um tom de pele horrível!). Também existe algum burburinho em torno dos laços que nos unem – já perguntaram se a minha filha é adoptada, se sou ama dela e se tenho outro grau de parentesco que não o de mãe.

Actualmente não vivemos na época da escravatura mas continuam a existir pessoas escravas de pensamentos antiquados, envoltos em teias de aranha e assentes em crenças que cheiram a mofo. A frase desta senhora, tal como as de tantos outros, revela que continua a existir a ideia de que todos os que não são puramente caucasianos estão numa condição inferior. Sinceramente, a questão da beleza em específico não me preocupa, o que realmente me inquieta são os restantes pressupostos associados ao tom de pele de uma pessoa. A minha filha “até é bonita” (lá está, entenda-se que costumam ser feios, ela apenas se safou), mas será que um dia na escola lhe dirão que “para mulatinha até é inteligente”? Será que no trabalho ouvirá dizer que “para mulatinha até é bem-sucedida”? Será que entre os pares será vista como alguém que “para mulatinha até é porreira”? As expectativas em torno dela serão diferentes por ser como é? As oportunidades que lhe concedem serão mais limitadas?

Sim, a minha filha é diferente da maioria das crianças do nosso país, não vamos tapar o sol com a peneira. Numa creche com dezenas de crianças, ela é a única com “aquele tom de pele” e “aquele tipo de cabelo”. Sim, um dia irá aperceber-se, os colegas irão aperceber-se, e provavelmente tentará perceber o motivo pelo qual os seus pais, contrariamente aos pais dos outros meninos, são de etnias distintas. De uma coisa tenho a certeza: nenhuma das suas questões me deixará mais desconfortável do que as que fui ouvindo (assim como o meu companheiro) ao longo dos tempos. Já nos “vomitaram” em cima um pouco de tudo – “uma fina flor vai andar com uma coisa preta?“; “não tens vergonha de entrar com essa gente num café, de ir a um jantar com os teus colegas e perceberem que andas com alguém inferior?“; “já pensaste que vais ter um filho que nunca será igual aos outros meninos?“. Isto é apenas uma amostra, podia escrever um papiro com as inúmeras parvoíces que já tive oportunidade de escutar (já são mais de 10 anos na “má vida”).

Se por um lado me incomoda que ainda existam pessoas que pensem assim, e que de alguma forma venham a limitar a minha filha, por outro lado vivo esta realidade sem grandes dramas, acreditando que da (eventual) adversidade nasce a vantagem. Todos somos de alguma forma julgados; no nosso caso, enquanto mulheres, facilmente somos chamadas de “gajas, vacas, cabras, porcas” (enfim, todo um rol de animais da quinta), e até “put@s”. No teu caso, querida filha, poderás acrescentar “preta” e ainda ser convidada a voltar para a tua terra (mal eles sabem que a tua terra é esta). Talvez alguns considerem que te lancei um obstáculo à partida, mais um “problema” com que terás de te debater, que te coloquei desde logo numa posição vulnerável; eu acho o contrário. Acredito que, partindo de uma auto-estima fortificada (é sobretudo isto que procuramos estimular), serás capaz de pegar na história de amor dos teus pais, nas tuas vivências (positivas e negativas), e transformar tudo isto numa verdadeira aprendizagem sobre a importância de respeitar os outros e as suas idiossincrasias. Em ti vive o poder do amor, o poder de lutar pela felicidade ignorando as pressões exteriores, o poder de marcar uma posição, e isso, meu amor, será sempre uma vantagem, ainda que te digam que “para mulatinha tu até (isto ou aquilo)”.

3m´s – Menina, Mulher & Mãe

leti rua

 

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Menina, Mulher & Mãe

Game of Thrones – Versão mães

Sentes saudades daqueles episódios emocionantes que te deixavam colada ao ecrã e te levavam às lágrimas cada vez que terminava uma temporada? Se és mãe, tenho uma excelente notícia para ti – não precisas de esperar por uma nova temporada! Na verdade, tu fazes parte da série. Nunca tinhas reparado?! Não faz mal, já vais perceber do que falo.

Todos sabemos que “quando nasce um bebé, nasce uma mãe“. O que poucos sabem é que as mães vivem em reinos que se distinguem pelas suas crenças e convicções. Alguns destes reinos são mais hostis, outros mais pacíficos, mas quase todos partilham uma guerra antiga – o desejo de conquistar a coroa dos 7 reinos, aquela que lhes confere o título de “Melhores Mães de Sempre”.

Talvez te estejas a questionar sobre o local  onde se dão as batalhas. Basta entrares num grupo de facebook direccionado para mães ou em páginas dedicadas à maternidade para assistires a lutas sanguinárias, daquelas em que vale tudo, até arrancar olhos, e onde um post simples como “o rabinho do meu bebé está assado, que creme recomendam?” termina com frases como “isso só aconteceu porque não teve cuidado nenhum, a culpa é completamente sua, aposto que também tem o rabo assado“.

As personagens dos diferentes reinos andam sempre à espreita, de segunda a domingo, esperando ansiosamente que surja um post que lhes permita atacar sem dó nem piedade, defendendo as cores (crenças) da bandeira do seu reino.

Provavelmente já estão a conseguir identificar alguns dos reinos rivais a que me refiro. Ainda assim, permitam-me que os (re)apresente.

1 – Reino da Amamentação vs. Reino da não-Amamentação

Estes reinos andam constantemente de costas voltadas. Num dos lados vivem as mães que de peito inchado (literalmente) defendem a amamentação, que comparam o leite materno a ouro e aproveitam qualquer conversa para mostrar que são umas survivers, que “só não dá de mamar quem não se esforça“, que as “gajas do reino ao lado são negligentes, estão a criar crianças anafadas e que irão estar sempre doentes“. No outro lado vivem as mães que dão leite artificial; estas acham as primeiras umas histéricas, obcecadas, umas imaturas que cheiram a leite (literalmente), e que no fundo têm inveja dos peitinhos firmes e orientados para Norte das mães que vivem neste reino.

2 – Reino do Parto Natural vs. Reino da Cesariana

A verdadeira mãe é aquela que vive as dores do parto, que tem de fazer força para dar à luz e que no dia seguinte sente a vagina dorida – isto são algumas das frases que ouves nas ruas do Reino do Parto Natural. Dentro deste reino existem diferentes graus de mérito – em primeiro lugar, o parto natural sem epidural e sem pontos (estas são as “máiores”); em segundo lugar, aquelas que cumpriram um destes dois critérios; por último, as que não cumpriram nenhum, vistas como as mais fraquinhas da classe. Ainda assim, nada se compara às cobardes do reino rival, aquelas dondocas que se limitam a deitar na marquesa para dar à luz, umas mimadas a quem a vida é facilitada e que não vivem verdadeiramente a experiência de ser mãe.

No Reino da Cesariana riem-se dos comentários das vizinhas e tratam-nas como umas frustradas, umas traumatizadas que sofreram horrores nos partos, umas mal resolvidas cujo pipi já deu tudo o que tinha para dar.

3 – Reino das Papas Compradas vs. Reino das Papas Caseiras

Assim que uma mãe do Reino das Papas Compradas cria um post a perguntar se determinado sabor/marca de papa comprada no hipermercado é geralmente bem aceite pelos bebés, as rivais do Reino das Papas Caseiras surgem como tubarões que cheiraram sangue, atiram-se e mordem sem grandes ponderações – chovem culpabilizações, suposições de que a criança será um obeso miserável e sem auto-estima, palavras técnicas como maltodextrina, receitas de papas caseiras, acusações de que as tipas que dão papas compradas são umas preguiçosas, e um manancial de estudos que fundamentam todas as afirmações anteriormente feitas.

No reino vizinho acreditam que as inimigas passam a vida na cozinha e que para preparar as tais papas caseiras de que tanto se gabam não têm tempo para brincar com os filhos, são uma espécie de hippies que querem tudo natural mas que provavelmente ao cair da noite se enchem de chocolates e gomas para compensar as horas de tédio passadas à procura de estudos para usar como arma.

4 – Reino do Corpinho Pós-Parto Fantástico vs. Reino do Corpinho Pós-Parto em Recuperação

“Ela é” fotos de costas a mostrar um glúteo firme ao ponto de lhe tocar na nuca, “ela é” fotos a mostrar um six-pack utilizado como base para o filhote fazer escalada, tudo isto publicado nos grupos de mães com frases do género: “saí hoje da maternidade e já estou assim“. As “amigas” do reino ao lado, cujo corpo precisa de mais tempo para se ir recuperando, trocam mensagens privadas onde abundam palavras/frases como “convencida, snobe, cuida do corpo porque não cuida do filho, assim também eu“. Do outro lado, as vizinhas que criam aquele género de posts acham as rivais umas preguiçosas, que não cuidam de si, que acham que ser mãe serve como desculpa para se desleixarem, e que por isso precisam desta motivação extra.

5 – Reino do Dorme Connosco vs. Reino do Dorme no Berço

Se o teu filhote dorme contigo, não o digas a alguém do Reino do Dorme no Berço – vão aproveitar para dizer que estás a criar uma criança dependente, incapaz de estar sozinha, um fedelho mimado que se por acaso dormir menos bem receberá logo a justificação de que “isso acontece porque não o habituaram a dormir no berço“; podem até levar-te a pensar que tens uma perturbação qualquer que te impede de te separares momentaneamente da cria.

No outro reino as críticas ao primeiro também abundam, estes defendem que os pais que não partilham a cama com os filhos não se preocupam em criar laços, são frios e distantes, estão a fomentar nas crias um sentimento de abandono e rejeição capaz de explicar várias dificuldades que estas demonstram (“se dormisse com vocês nada disto aconteceria)”.

6 – Reino do Contra Tudo e Contra Todos Só Porque Sim

Este reino está em guerra constante com os restantes. As personagens que aqui habitam não defendem nenhuma “doutrina” em específico, a sua missão é apenas lançar o caos e contrariar tudo e todos só porque sim (daí o nome do reino). Se lhes falarem nas vantagens da amamentação, estas irão apresentar 1001 argumentos contra, se lhes falarem nas desvantagens da amamentação, irão buscar estudos que abordam “as  10 grandes vantagens de amamentar”. Num mesmo dia são capazes de aparecer em diferentes locais com posições opostas, não há limites, desde que se crie uma discussão séria a sua missão está cumprida.

Frequentemente estas personagens vivem infiltradas nos diversos reinos, esperando nas sombras que surja um tópico mais polémico que lhes permita dizer “não concordo!“. Depois de lançarem o seu veneno, afastam-se de mansinho e admiram ao longe as batalhas campais entre as restantes intervenientes; quando não têm esta oportunidade, lançam o tema e esperam, montando uma teia traiçoeira onde as mães dos outros reinos caem sem que se apercebam.

7 – Reino das Mães Livres

Contrariamente aos restantes reinos, aqui não existem guerras, nem ninguém ambiciona a coroa de “Melhor Mãe de Sempre”. Pelas ruas podem-se encontrar mães que fugiram de todos os reinos (excepto do 6!), convivendo de forma saudável e feliz. Não importa se dás LM ou LA, papas caseiras ou papas compradas, se partilhas a cama com o teu filhote ou não, se o teu corpo se está a recuperar mais ou menos depressa. O lema é “só tu sabes o que é melhor para o teu bebé”, por isso ninguém se mete na vida alheia, nem vive a pretensão de se achar capaz de determinar aquilo que é ou não melhor para os outros (até porque têm vida própria e muito com que se ocupar). Se virem algo que mexe com tudo aquilo em que acreditam, percebendo que existe abertura por parte da outra mãe, partilham esse sentimento, contudo sem tentar impor a sua posição – como poderiam impor algo sem conhecer aquele bebé, aquela mãe, aquela relação, aquela família, aquele meio?

Limitam-se a viver livres de pressupostos, da necessidade de ter razão e de fazer as suas opiniões prevalecer. Apenas cuidam dos seus o melhor que podem, um dia de cada vez, sabendo que deixaram de ser mães perfeitas no dia em que o seu bebé nasceu.

3m’s – Menina, Mulher & Mãe

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Nutrição

Alternativas Saudáveis #1 – “Danoninhos”

Como sabem, lançámos o desafio às nossas guerreiras de identificarem “os pratos” menos saudáveis que tanto apreciam, assim como os seus filhotes, cabendo ao nosso parceiro – A Pitada do Pai – alterar as receitas de forma a torná-las mais saudáveis.

Ao longo do tempo iremos responder aos vários pedidos enviados através da página de Facebook. Para já, iremos começar com um dos “discos mais pedidos”, aquele lanchinho que os mais novos tanto apreciam e que geralmente vem carregado de açúcar – os “Danoninhos”. A Pitada do Pai oferece-vos 3 receitas de “Danoninhos” saudáveis, é só escolher o sabor predilecto e pôr as mãos na massa (salvo seja).

Confesso que assim que vi a receita quis logo experimentar (depois mostro-vos o resultado final). Decidimos começar pelo “Danoninho” de framboesa e banana, ficou delicioso, até custa a crer que é saudável.

Deixo-vos o link onde podem encontrar estas (e outras) receitas para toda a família – https://www.apitadadopai.com/3-receitas-de-danoninhos-saudaveis/.

Experimentem e partilhem a vossa opinião.

Esperamos que gostem 😉

 

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Montessori

Como preparar actividades Montessori

Estou tão empolgada por vos apresentar a Diana!

Descobri o seu blog – http://www.taquid.com/ – por mero acaso. Confesso que fiquei colada ao ecrã, a ler atentamente cada um dos seus posts, a tentar ao máximo absorver toda aquela informação tão sabiamente partilhada. Nessa mesma tarde decidi contactá-la, precisava de divulgar o seu fantástico trabalho; tenho a certeza que também irão achar útil.

Esporadicamente a Diana irá escrever para a página sobre diversos temas ligados à educação Montessori. Achei por bem começarmos pelos aspectos mais básicos e foi este o meu pedido – ouvimos falar sobre este método, por vezes tentamos aplicar algumas actividades que vemos aqui ou acolá, no entanto poucos são os que conhecem verdadeiramente o que lhe está subjacente. Não me faz sentido aplicar algo só porque me dizem que é “giro e bom”, importa perceber quais são os seus princípios/linhas orientadoras, até para ter uma forma de avaliar a qualidade de determinada actividade que me é proposta. Por isso, será daqui que vamos partir.

(texto da Diana)

“The first aim of the prepared environment is, as far as it is possible, to render the growing child independent of the adult”                                          The Secret of Childhood

A educação Montessori está orientada para despertar o interesse e permitir à criança uma aprendizagem significativa. É um sistema baseado na escolha de algo em que a criança demonstra interesse. Este interesse natural conduz a uma motivação interior que desenvolve a atenção e a concentração.

A autonomia da criança é a chave para a sua escolha livre. Esta liberdade de escolher o seu próprio trabalho atende à necessidade e à vontade da criança.

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Para quem está a iniciar os estudos ou a aplicação do método, pode sentir-se confuso sobre como organizar os materiais e as atividades. Quando planeamos e organizamos materiais ou atividades para o ambiente preparado, devemos sempre pensar em algumas caraterísticas base:

Sentidos. Os sentidos são agentes de absorção de conceitos. A aprendizagem sensorial assume muita importância em todo o método;

Ritmo. A criança tem o seu próprio ritmo. Respeitar. Nem sempre a criança consegue desenvolver a actividade a 100%, especialmente das primeiras vezes. Se não conseguiu ou não mostrou interesse, não tem importância;

Mãos. O órgão que está ao serviço da mente é a mão.

Erro. Em caso de erro o material deve dar essa resposta, deve ter controle de erro.

Silêncio. A criança precisa de se focar no material e não nas nossas palavras. Devemos usar o menor número de palavras possíveis;

Organização. É habitual organizar os materiais em tabuleiros. Primeiro, para organizar tudo o que é necessário e dessa forma evitar movimentos e distrações em busca do que falta. Segundo, porque fica tudo preparado na estante de actividades, permanecendo disponível para a criança. Terceiro, fica tudo arrumado no final, no sítio indicado;

Real. Dentro do possível, oferecer à criança materiais e atividades com elementos reais ou naturais. O trabalho torna-se muito mais rico;

Beleza. O Belo inspira o interesse. Objetos e atividades que encantem a criança tornam-se mais atrativos.

Na hora de preparar os materiais, estas regras básicas, são uma grande ajuda. É essencial observar muito bem. Com a observação conhecemos cada vez melhor a criança e dessa forma cresce a empatia pelas suas necessidades de desenvolvimento. Melhora também, o respeito pelo seu tempo, o respeito pela sua personalidade.

Para a criança não interessa o fim, mas sim o processo. Por isso o conceito de resultado final é muito alargado e vai mudando consoante a idade. Quando a criança trabalha de forma concentrada nas atividades, sente uma grande satisfação.  Este sentimento de conquista conduz a criança numa aprendizagem de descoberta.

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Actividades em Família

Festa dos Maios – Recomendo

O flyer apareceu-me à frente, assim de repente. Uma vez que estava sem ideias para esse fim-de-semana, decidi espreitar. Assim que percebi que era no meio da natureza, que envolvia o contacto com animais  e actividades rurais, ficou marcado.

No sábado (6 de Maio), o primeiro dia do evento, fomos até à Quinta do Pisão, em Alcabideche. À entrada da Quinta estão alguns jovens (o staff é composto maioritariamente por jovens, o que achei uma excelente iniciativa) que nos indicam se existem lugares de estacionamento vagos junto ao local das actividades – o caminho é relativamente longo para ir a pé, aconselho-vos a ir de carro ou, pelo menos, a levarem um carrinho se se fizerem acompanhar por miúdos mais pequenos (se forem com miúdos mais crescidos preparem-se para responder 435 vezes à pergunta “já estamos a chegar?”). O parque de estacionamento da Quinta é pequeno, se forem daquelas stressadinhas que não gostam de circular com o carro em locais apertados (yup, sou eu!) vão à pendura.

À entrada do recinto existem várias barraquinhas/rolotes com diferentes tipos de comida e onde podem comprar aquelas coisas que por vezes desaparecem misteriosamente (“eu trouxe a água da miúda, tenho a certeza, já procuraste bem?”). Depois disso, à vossa direita, têm umas escadinhas que dão acesso à primeira parte gira deste evento – as aves de rapina. A Letícia ficou fascinada embora não se aproximasse muito, como podem ver nas fotos (respeitinho é muito bonito).

Por sugestão de uma colaboradora, participámos num passeio sensorial por um trilho que existe junto ao recinto. Neste passeio existem algumas figuras de animais estrategicamente misturadas por entre a vegetação, para as encontrar os pequenotes precisam de ir concentrados. A certa altura colocaram-lhes uma venda e, com o intuito de identificarem vários elementos, mexeram em folhas com diversas texturas, pedras, musgo, tudo o que naturalmente se encontra naquele espaço (estamos mesmo no meio da natureza); de seguida, ainda com as vendas, foi-lhes pedido que ouvissem os sons que os rodeiam (torci tanto para que a Leti não dissesse nenhuma das suas larachas que me fazem rir como uma tonta). Entretanto os meninos receberam uma grelha para preencherem sobre elementos que iriam encontrar ao longo do percurso; confesso que nesta fase a Leti já estava saturada, e como preencher grelhas não é a sua actividade favorita, simpaticamente abandonámos o passeio. Cada criança é diferente, contudo diria que esta actividade é apenas indicada a partir dos 4 anos (na melhor das hipóteses); para os mais pequenotes torna-se demasiado aborrecido.

A verdadeira festa começou aqui, quando nos dirigimos para o outro recinto – o dos cavalos e dos burros. Enquanto esperávamos que fosse a nossa vez de andar de charrete, a Leti foi andar de burro. Na fila existiam outras crianças da idade dela que pediam para andar mas ao aproximar-se do burro começavam a chorar. Preparei-me para enfrentar o mesmo, já me imaginava a entrar no recinto e a sair de imediato; assim que a coloquei em cima do burro ela fez um movimento com a anca e disse “anda, cavalinho!”. Pois é! Como não havia mais ninguém para andar (por sorte dela desapareceram todos) deu umas 527 voltas ao recinto, sempre a exigir que a deixasse ir sem apoio, isto é, sem lhe tocar, “não toca, menina” e “deixa a menina” foram as “músicas” que se fizeram ouvir ao longo do passeio. Acreditam que quando o burro dava algum solavanco, e ela ia mais para trás, se ria imenso?  Vou envelhecer rápido com esta malandrona!

No final demos uma volta de charrete (ela adorou!) por parte da Quinta e passámos pela horta biológica. Levem algum dinheiro em mão, assim aproveitam para trazer uns legumes biológicos para os vossos rebentos.

Não andámos mesmo a cavalo pois a fila era gigante!

A Festa dos Maios termina este fim-de-semana (dia 14 de Maio). Espreitem  os diversos ateliers que eles oferecem e inscrevam-se se for caso disso (alguns têm vagas limitadas). Aproveitem esta oportunidade para estar em família. Não engorda e é gratuito 😉

Deixo-vos o link do evento – http://www.cm-cascais.pt/evento/festa-dos-maios

P.s: Para quem se preocupa com animais, como nós, estes eventos têm sempre o seu lado menos cor-de-rosa. Não obstante, percebi que os animais que ali estavam vivem mesmo na Quinta e habitualmente andam em liberdade.

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Terças a Duas

Terças a Duas – Auto-estima após ser mãe

3m’s: Não sei o que hei-de vestir para a praia este ano. Não me sinto nada confiante com o meu corpo, não me apetece, de todo, andar a exibi-lo num biquíni.

Meia Lua – Mom. Life Lover (ML): Essa questão da auto-estima é muito pertinente para mim, no fundo tenho mix feelings. Quando estava grávida, foi a melhor fase para mim. Não só porque me sentia feliz por ser mamã mas porque me sentia mesmo bem em relação ao meu corpo. Nunca me tinha sentido tão bem até. Depois quando ele nasceu… nos primeiros momentos consegui perder todo o peso que tinha ganho na gravidez. Mas o difícil veio depois. Com um pós-parto complicado, a nível físico e emocional, fui-me muito abaixo e com isso as hormonas e o descontrole, veio o aumento de peso. Pensei sempre ser apenas uma fase e que iria passar, principalmente quando começasse a trabalhar. Mas a realidade não foi essa e acabou por se revelar até bem pior. Após 5 meses de ter dado à luz, o meu regresso ao trabalho foi atribulado. O meu dia-a-dia era super stressante e o meu descontrole emocional estava mais presente do que nunca. Não me conseguia olhar ao espelho, sentia-me mal comigo mesma. Em todos os sentidos. E os olhares, que nem precisavam de se transformar em comentários, diziam muito e pesavam muito no que eu me sentia.

3m’s: Sim, quando estava em casa com a Letícia também acabava por não fazer nenhuma refeição decente, comia pouco ao almoço porque tinha de estar com ela ao colo, entretanto ela ia dormir e aí eu aproveitava para ir arrumando as coisas, petiscava porcarias pelo meio, às vezes sentia-me tão exausta que pensava que depois de tanto esforço merecia aquele gelado ou aquelas gomas; nessa fase estava com algum peso a mais. Entretanto fui emagrecendo sem o querer, os comentários sobre o peso a mais que quase não existiram (pois não me queriam magoar) deram lugar a duros comentários sobre o facto de estar demasiado magra: “tens de engordar, estás escanzelada, não podes andar assim“.

ML – Eu também ouço comentários, mesmo que não sejam muitos ou às vezes não falem, sente-se; não que sejam maldosos, mas magoam. Sobretudo quando acabamos de ser mães, passados poucos meses, surgem comentários como: “agora tens que ir ao sítio”, “agora a ver se te cuidas”. Actualmente os que oiço mais é “estás em casa tens tempo para fazer exercício” e “só não emagreces porque não queres”.

3m’s: No meu caso mandam-me comer para engordar, logo eu que como bem. Sabes, quando és mãe e magra as pessoas pensam que és uma cabra sortuda e que por isso não te deixas afectar por nada. Nem só emagrecer é difícil, engordar também o pode ser, sobretudo quando dormes pouco e andas preocupada com vários problemas, o stress faz-te emagrecer. Além disso, não percebem que podes ser magra e ainda assim ter complexos, como no meu caso em que sinto constantemente estas banhas laterais, sou magra mas sinto-me disforme.

ML- Conheço bem essas banhas. Eu, por exemplo, como estou em casa acabo por me focar no Martim e esqueço-me de comer. Às vezes dou-lhe o almoço e acabo por não comer ou vou petiscando, depois pão aqui e acolá. Acabo por gerir o meu dia muito à volta das mesmas coisas, saídas com ele e tarefas; quando tenho um momento centro-me na minha escrita; às vezes o dia passa e nem dás conta. Estar em casa com eles não são férias.

3m’s: Quando estava em casa com a Letícia sentia que a pouca energia que me restava, quando restava (era raro), merecia ser despendida noutras coisas importantes e não a fazer exercício. A pressão que nos colocam em cima para perdermos peso faz com que seja mais complicado.

ML: Depois da primeira fase passar, quando vim para casa com o Martim, comecei finalmente a atravessar uma fase mais tranquila e isso fez com que perdesse alguns (poucos) quilos, mas que mais que isso, me aceitasse melhor a mim própria. Estava sozinha, com família longe, e por isso não ouvia comentários de ninguém. Não sentia stress nem as hormonas já estavam presentes. Mas não foi por isso que me passei a sentir 100% bem comigo mesma. O peso a mais (para mim), ainda cá está, assim como tantas outras coisas que queremos sempre mudar e ver diferente em nós. A minha auto-estima não é sempre a melhor. Continuo a sentir que quero estar melhor comigo mesma, mas de uma forma mais serena, sem pressas, sem pressões . Porque estar em casa com um filho, não são férias e o cansaço vem de onde não se percebe , porque ‘não se faz nada’.

3m’s: Eu gostava que as pessoas compreendessem que eu tenho um espelho em casa, eu percebo como é que o meu corpo está, eu vejo-o todos os dias, e nu, de vários ângulos! Se eu perguntar o que acham da minha barriga, agradeço que respondam, caso contrário não preciso de comentários nenhuns. Alegrem o meu dia dizendo que estou com os olhos bonitos, a pele macia, qualquer coisa, mais facilmente conseguirei pegar nisso e transformar em motivação para melhorar a outros níveis. Mais, reconheçam que o facto de não cuidar tanto de mim se deve ao facto de estar a cuidar atentamente de alguém.

terças a duas auto estima

 

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