Actividades em Família

Escapadelas em família – Carrança Lounge (Évora)

Acredito que o nosso conceito de liberdade se altera quando visitamos locais como este de que vos irei falar. Ainda que possamos ir a parques, procurar zonas mais isoladas, nada se compara à sensação de não ouvirmos carros e ruídos.

Decidimos visitar o Alentejo, mais especificamente Évora, para fugir da agitação constante da cidade. Quando procurámos por locais onde pernoitar percebemos que a maioria era no centro, o que para mim era sinónimo de agitação/confusão. Além disso, a relação qualidade-preço parecia-me desadequada.

O Carrança Lounge surgiu como a solução para os nossos problemas – fora do centro (mas perto), rodeado por natureza/espaço para a princesa Letícia brincar em liberdade, pequeno-almoço incluído e um preço convidativo. Quando telefonei para confirmar a disponibilidade, fiquei com a certeza de que seria este o nosso cantinho para a escapadela em família (fomos sábado e voltámos domingo ao final de dia). Algumas horas depois recebi um simpático e-mail da Rita, a filha, onde me era explicado tudo o que existia no local, as coordenadas exactas e a função de cada membro da família; perceber que se tratava de um negócio familiar foi a cereja no topo do bolo.

A Rita, mãe, assegura o funcionamento do local com o apoio da filha Alice, responsável pela confecção de refeições a pedido dos hóspedes (se ainda não comeram, não vejam as imagens!); contam com o apoio do Nuno, marido de Alice, que é o “faz tudo” lá do sítio – sim, testei os seus dotes ao estragar a fechadura da porta principal (eles foram uns queridos e disseram que foi do desgaste). A partir do estrangeiro, a Rita, filha, trata da gestão das reservas e o irmão, Francisco, reúne grupos de pesca e encaminha-os para o Carrança Lounge. O sucesso deste local paradisíaco, aberto desde Abril de 2016, deve-se ao esforço conjunto desta bela família.

 

Ao chegarmos ao local fomos recebidos pela Rita, uma senhora de sorriso fácil e com um sentido de humor fantástico (a Leti simpatizou de imediato com a Rita). Foram-nos apresentados os cães, uns pequenitos rafeiros alentejanos com pouco mais de 40kg; depois de nos cheirarem aceitaram-nos como parte da família e só pediam mimos. Após isso, a Rita aprečsentou-nos a casa, ofereceu-nos água e umas bolachas preparadas pelas netas, aconselhou-nos alguns locais para visitar e mostrou-se disponível para ajudar sempre que precisássemos.

 

A casa dispõe de uma porta principal que dá acesso a uma sala de estar. Neste local existe uma porta à direita que dá acesso à casa da família (podem por aqui perceber que é um ambiente realmente familiar) e uma porta à esquerda que nos leva ao nosso espaço. Este é constituído por uma entrada, 2 quartos – um com cama de casal e outro com duas camas individuais – uma casa de banho com base de duche e uma kitchenette (com frigorífico, micro-ondas, cafeteira, torradeira, lava-loiça); trata-se de um espaço pensado para 4 pessoas. Com todas estas comodidades pudemos aquecer o leite da Leti durante a noite e lavar o biberão sem problema.

 

 

 

No dia em que chegámos estava imenso calor, por isso pousámos as malas e corremos para a piscina (a Letícia conseguiu despir-se sozinha pela primeira vez, tal era a sua pressa de entrar na água).

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Durante a nossa estadia apenas ouvimos as nossas vozes, os pássaros, as ovelhas e os cavalos.

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O facto de o Carrança Lounge ser composto apenas por dois locais habitáveis – o que ficámos e o Carrancinha que fica no exterior – liberta-nos da sensação de crowding, como acontece nos hotéis, em que andamos sempre a cruzar-nos com pessoas, a ouvir outras vozes e ruídos, a ter de esperar pela nossa vez para fazer o que quer que seja. Posso dizer-vos que para além de nós apenas existia mais um casal no local (o Carrancinha está pensado para 2 pessoas ou 1 casal com um filhote pequeno). Tal permitiu que a Letícia se sentisse segura para correr, explorar, brincar sem limites e sem a preocupação de estar a incomodar alguém. Além disso, por se tratar de uma quinta no campo, não nos tínhamos de preocupar com a estrada e os carros; pela primeira vez consegui relaxar e deixá-la afastar-se mais. Confesso-vos que foi das vezes em que a vi mais feliz, os sorrisos e as gargalhadas eram constantes.

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Todos os recantos do Carrança Lounge foram explorados pela princesa Leti, até a casa da Rita (por insistência da própria), onde fez amizade com as suas 3 netas.

No dia seguinte, a Rita serviu-nos um delicioso pequeno-almoço à hora que combinámos, ao ar livre, sem pressas. Foi difícil escolher entre os scones acabados de fazer (vieram para a mesa quentinhos), as compotas e doces caseiros, o sumo de laranja natural, a salada de fruta sem açúcar, os iogurtes, os pães e os croissants, por isso comemos um pouco (muito) de tudo.

pequeno almoço

Durante a estadia visitámos o centro de Évora e Monsaraz. No primeiro, ficámos fascinados pela carga histórica, no segundo, pela tranquilidade e bom funcionamento do local (tinha acesso para pessoas em cadeira de rodas e das casas de banho mais limpas em que já entrei).

 

 

A despedida foi mais íntima do que o habitual, parecia que nos estávamos a despedir daquela tia amorosa que visitamos algumas vezes. A hospitalidade da Rita e da sua família, o ambiente acolhedor do local e a sua informalidade levam-nos a criar laços – com o espaço e com as pessoas – difíceis de traduzir em palavras.

Fizemos a viagem de regresso com a sensação de que soube a pouco e de que iremos certamente regressar. Por vezes precisamos de respirar ar puro e sentir verdadeiramente o significado da palavra liberdade para que possamos recarregar baterias e preparar-nos para mais uma semana.

 

 

 

 

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Lazer

Actividades em família – Passeios de barco no Campo Grande

Os dias longos e luminosos estão a terminar, por isso aproveitemos ao máximo cada fim-de-semana.

Os passeios de barco pelo lago do Campo Grande são uma actividade pouco dispendiosa, divertida e simultaneamente relaxante. Além da água, os pequenotes podem observar os patos, a vegetação em redor, passar por baixo da ponte e até remar. Posso dizer-vos que a viagem da Leti foi feita a dançar e a cantarolar (é capaz de ter ofendido um ou dois patos).

 

O que precisam de saber:

  • Fecha à segunda-feira;
  • O passeio de 30 minutos custa 5 euros, o de 1 hora custa 8 euros (tive receio que 1h fosse muito tempo por isso optei pelos 30 minutos, no entanto passou a voar);
  • Levem alguém com coordenação motora pois remar é mais complicado do que se imagina (ou sou eu que tenho uma perturbação qualquer que me impede de perceber para que lado tenho de remar quando quero mudar de direcção, como podem perceber pela foto).

 

barco esforço

Bons passeios! =)

 

 

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Parentalidade Positiva

Estádios de desenvolvimento – uma das bases para compreendermos as nossas crianças

O desenvolvimento dos nossos bebés/crianças é composto por diversos estádios, uma espécie de fases de vida pelas quais vão passando. Para compreendermos verdadeiramente as necessidades do bebé/criança, ajustarmos as nossas expectativas relativamente ao que deverão ser capazes de fazer e, consequentemente, reagirmos de forma adequada é fundamental conhecermos o estádio de desenvolvimento em que se encontram – as suas características, os desafios que o compõem e as conquistas que surgirão.

Existem diversas teorias que caracterizam cada um dos estádios de desenvolvimento, sendo a minha favorita a de Jean Piaget. Não obstante, por se tratar de uma teoria extensa e que implica a compreensão de diversos conceitos chave, irei focar-me na componente social e apresentar-vos a Teoria do Desenvolvimento Psicossocial de Erikson.

Segundo Erikson, cada estádio de desenvolvimento caracteriza-se pela presença de um conflito. No fundo, existem dois pólos – um mais positivo e outro mais negativo – em conflito, cabendo ao bebé/criança, e mais tarde ao adulto, enfrentar essa bipolaridade e resolvê-la. Um desenvolvimento equilibrado pressupõe uma resolução eficaz do conflito, procurando-se que a vertente positiva predomine. Tal criará as bases para uma boa adaptação e promoverá a capacidade para lidar com os desafios seguintes.

A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial define 8 estádios, designados pelo autor por “idades da vida”. Para que este artigo não se torne demasiado extenso (e aborrecido) irei abordar apenas as primeiras quatro de forma sucinta. No final de cada uma escreverei uma breve reflexão.

1ª Idade – Confiança vs Desconfiança (do nascimento aos 18 meses)

O recém-nascido, enquanto ser completamente dependente, verá no meio a única forma de as suas necessidades serem respondidas. Nesta primeira idade (estádio), ao receber amor por parte de pessoas significativas (as mais próximas) e encorajamento na protagonização de actividades de descoberta o bebé aprenderá a confiar nos outros e em si mesmo. As sensações de ser pouco amado e de não lhe ser concedida atenção terão o efeito inverso, isto é, promoverão a desconfiança relativamente aos outros e às suas próprias capacidades, o que resultará em dificuldades em lidar com novos obstáculos e com situações sociais (ao não confiar nos outros tenderá a retrair-se).

Reflexão: Reparem que neste estádio existem duas palavras de ordem – amor e atenção – que resultam numa aquisição essencial – a confiança. É com base nestes constructos que a criança irá explorar as suas capacidades e realizar novas conquistas.  Coloco-vos(me) algumas questões: Quando deixo um bebé a chorar para que aprenda a dormir sozinho estou a provar-lhe que é amado, que tem a minha atenção e, por conseguinte, que pode confiar em mim? E quando o deixo a chorar sozinho para que não se habitue ao colo? E quando não lhe dou de mamar para que crie horários? Penso que as respostas a estas questões são bastante óbvias. No fundo, estamos preocupados em estimular novas competências, mais autonomia, quando na verdade os nossos bebés precisam apenas de amor e atenção, sendo o verdadeiro desafio desta fase e que realmente influenciará o seu futuro – aprenderem a confiar em nós – ignorado.

2ª Idade – Autonomia vs Dúvida e Vergonha (dos 18 meses aos 3 anos)

Na segunda crise psicossocial a criança procura resolver o conflito entre conseguir fazer as coisas por si e ter de depender quase sempre dos outros. Para conquistar a autonomia, o que implica controlar algumas funções orgânicas, a coordenação motora e a manipulação de objectos, a criança terá de aprender a lidar com a dúvida e a vergonha. Manifestações de comportamento como “birras”, a vontade de realizar tarefas sem receber ajuda (mesmo que com baixo nível de competência) e os “porquês” constantes são reflexo dessa busca.

As reacções dos pais às tentativas de autonomia por parte da criança irão assumir um papel fundamental na forma como esta resolve o conflito – humilhações, críticas  constantes, repreensões e punições contribuirão para o desenvolvimento de um sentimento de vergonha. A dúvida na sua capacidade para concretizar tarefas, por sua vez, emergirá através dos repetidos fracassos. Deste modo, caberá aos pais dosear a prestação de ajuda e o encorajamento na exploração do meio de forma autónoma.

Reflexão: Falamos imenso em “birras”, em crianças teimosas, como se estes comportamentos fossem anormais. Estas manifestações, ainda que nos possam deixar exaustos e desesperados, são extremamente saudáveis e sinal de um desenvolvimento adequado. Mais do que procurar formas de reprimir estes comportamentos, precisamos (pais e educadores) de encontrar estratégias de ajustar o nosso comportamento nessas situações, pois esse sim poderá condicionar a aprendizagem que procede aquele “birra”. Aceitem esta fase (mesmo que isso implique respirar e contar até 1000) como um reflexo do excelente trabalho que têm feito para que aquela criança cresça.

3ª Idade – Iniciativa vs Culpa (dos 3 aos 6 anos)

Nesta idade da vida a grande questão é: “Serei bom ou mau?”. O foco da criança deixa de ser a autonomia e as suas capacidades e passa a ser a moralidade e a aceitabilidade dos seus comportamentos. A par da linguagem, do pensamento, das habilidades motoras e do pensamento dá-se o desenvolvimento da imaginação e da curiosidade, sobretudo em relação ao corpo e às diferenças entre sexos.

Novamente, a forma como o meio envolvente, sobretudo os pais, reagem à curiosidade da criança irão determinar o seu grau de autoconfiança e de iniciativa. Reacções negativas irão transmitir a mensagem de que a sua curiosidade não é bem-vinda, o que pode provocar inibição excessiva, sentimentos de culpa e ansiedade, assim como pouca iniciativa na exploração do meio.

A resolução positiva do conflito deste estádio promoverá o gosto pela descoberta, a audácia e a capacidade de iniciativa.

Reflexão: Dizermos a uma criança que é má tem um impacto que podemos à partida não prever, pois toca no ponto com que esta mais se preocupa nesta fase. Como tenho vindo a dizer, o comportamento pode ser menos desejável, o que é totalmente diferente da criança ser má. Comportamento e criança (personalidade) não são a mesma coisa e nesta fase é extremamente importante fazer (e incutir) essa distinção.

4ª Idade – Indústria vs Inferioridade (dos 6 aos 12 anos)

Por “indústria” Erikson refere-se à competência, ao engenho, à produtividade no cumprimento de determinadas tarefas. Deste modo, o conflito que a criança enfrenta centra-se no facto de ser competente ou incompetente (muitas vezes por comparação com os pares).

Com a entrada no ensino escolar, novas competências são exigidas à criança, surgem novos desafios e o campo de interacção social alarga-se; esta passa a ser valorizada pelo que faz (competência) e não tanto pelo que é. Assim, o fracasso no desenvolvimento de competências, assim como a falta de incentivo e de apoio, assumem um forte impacto na sua auto-estima, podendo gerar sentimentos de inferioridade/descrença quanto às suas capacidades. Neste caso, o fracasso passa a ser percebido como inevitável e por isso o esforço e o empenho tendem a diminuir.

Na quarta idade existe uma vontade enorme de concretizar novas tarefas com sucesso, de aprender, de desenvolver sentimentos de competência. Quando tal acontece, isto é, quando há sucesso, há um aumento da autoconfiança, do prazer na realização das actividades e na auto-estima.

Reflexão: Contrariamente ao que por vezes os agentes educativos e as directrizes escolares pressupõem, as crianças neste estádio encontram-se motivadas para aprender. O problema, que é tão frequentemente ignorado, reside no tipo de tarefas que apresentamos às nossas crianças, no seu grau de exigência e no facto de ignorarem completamente os seus interesses e áreas de maior aptidão. Antes de ganharem competências as crianças precisam de acreditar que são competentes e isso conquista-se respeitando AQUELA criança em específico, sem pressas. Quando tal não se sucede, estamos a condicioná-las à partida, ditando que o seu percurso seja pautado por fracassos, frustrações e sentimentos de incompetência; e isto, meus caros, vai acompanhá-las ao longo da vida, não só naquele ano, não só naquela disciplina e não só naquela matéria.

Importa também frisar, e a escola deve apoiar os pais nesta tarefa, que o que a criança faz/consegue não dita quem é, isto é, que o seu grau de competência em determinada matéria se circunscreve a isso; deste modo evitaremos que tal se estenda às restantes áreas da sua auto-estima. Somos muito mais do que bons/menos bons nisto ou naquilo!

 

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3m’s – Menina, Mulher & Mãe (por Tânia Correia)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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