Menina, Mulher & Mãe

Filhos – as nossas bolas de sabão

Fechamos os olhos e enquanto sopramos esperamos que a bola de sabão se forme como sempre a sonhámos – grande, redonda e perfeita. Quando a vislumbramos pela primeira vez  todas essas preocupações caem por terra; damos por nós a perceber que ela só poderia ser como é – perfeita.

Não conseguimos tirar os olhos daquela que será seguramente a nossa melhor criação. Perdemo-nos no tempo a observar os seus detalhes, como é brilhante e simplesmente linda; conhecemos cada contorno seu, cada reflexo, cada sonho. Sentimos que ela é muito mais do que poderíamos pedir – ai, como o coração se enche de amor e gratidão!

Ali está ela, ainda trémula, a tentar ganhar o seu espaço.

À volta levantam-se vozes que nos dizem que a nossa criação poderia ser maior/menor, mais larga/mais estreita, mais/menos colorida; irão compará-la às suas criações e levar-nos-ão a sentir que a nossa não voa suficientemente alto. O que eles não sabem é que o melhor da nossa bola de sabão não está à vista – naqueles reflexos que só nós conhecemos vivem histórias, experiências e sonhos únicos que a tornam tão especial, cores demasiado bonitas para serem descritas.

Enquanto a observamos sonhamos com os sítios por onde irá passar, as pessoas que irá ver, o que irá aprender ao longo desta aventura. O coração contorcesse cada vez que constatamos que a dada altura teremos de a deixar voar sem a nossa supervisão.

Começamos por controlar a nossa criação de perto, não sabemos até que ponto será capaz de voar alto e vencer. Trememos cada vez que uma rajada de vento se aproxima. O  seu voo vai-se tornando cada vez mais alto e aquela bola que era só nossa vai-se tornando do mundo.  Por muito que nos sintamos tentados a agarrá-la e a mantê-la protegida entre as nossas mãos, sabemos que tal a faria rebentar, soprar com força obrigando-a a seguir um determinado caminho também seria arriscado; resta-nos soprar docemente, dando alguma orientação e afastando-a dos obstáculos, cientes de que o caminho será sempre percorrido por ela e que não a poderemos afastar de todos os perigos – muitos deles terão de ser contornados sem ajuda.

Ter filhos é isto: criar, cuidar, amar e deixar voar enquanto os observamos com orgulho.

 

 

bolitas.jpg

Anúncios
Standard