Guerreiras com 3M's grandes

Guerreiras com 3M’s grandes – a história da Mafalda, do André, do Duarte e do Miguel

Como sabem, esta rubrica dá a conhecer casos de crianças (e pais) que se encontram numa fase de vida mais delicada e que por isso merecem o nosso apoio. Habitualmente as histórias são partilhadas por mães, contudo por trás de uma grande mulher também há um grande homem, e desta vez foi o pai – Miguel – a abrir o seu coração (e que coração!).

Para Miguel e Mafalda (esposa) constituir família era fundamental, um dos seus grandes objectivos de vida. O nascimento do primeiro filho – Duarte  (agora com 3 anos) –  deu-lhes a certeza de que queriam ser uma família de 4, pelo que um ano depois decidiram aumentar a família.

A segunda gravidez de Mafalda, de acordo com o marido, “correu bem, sem nenhum percalço maior“. O parto correu seguiu o mesmo registo – “na verdade até foi melhor do que o do mano mais velho“, afirma Miguel. O André nasceu saudável, no entanto, na primeira semana de vida foi internado devido a uma reacção na pele, um problema com que já veio do hospital. Foi sujeito a múltiplos exames/análises, sem que nenhum revelasse o motivo daquela que foi apontada como uma possível infecção.

Em termos cognitivos (intelectuais) o André sempre foi um bebé perspicaz, curioso pelo mundo que o rodeia, a nível motor a mãe sentia que lhe faltava “alguma força nas pernas“, chegou a partilhar esta preocupação diversas vezes, contudo o facto de o André aos 8 meses se sentar e fazer tudo de forma dita “normal” parecia indicar que essa preocupação não teria fundamento. Foi numa ida às urgências devido a uma bronquiolite que as médicas concordaram com a preocupação dos pais e os aconselharam a marcar uma consulta de desenvolvimento; por coincidência, na mesma altura o colégio informou os pais que notavam no André uma fraca evolução a nível motor.

Os pais não tardaram em marcar a consulta de desenvolvimento (recorreram ao privado, no público teriam de esperar 4 meses, o que na vida de um bebé é imenso tempo). A médica que os atendeu revelou de imediato existirem alguns indicadores preocupantes e por isso pediu análises ao sangue. Foi no dia 18 de Abril de 2017 que estes pais sentiram “o projecto de família desmoronar-se“, quando se confirmou o diagnóstico de Atrofia Muscular Espinhal, uma doença degenerativa genética caracterizada pelo comprometimento do desenvolvimento muscular, o que além de afectar a marcha pode prejudicar a deglutição, a sucção e o sistema respiratório, tornando estas crianças mais susceptíveis a infecções respiratórias e à acumulação de secreções.

Demorámos uma semana a aceitar a doença do nosso filho“, confessa Miguel ao recordar-se do dia em que receberam o diagnóstico. Na altura os pais anteciparam os inúmeros problemas que o filho enfrentaria, puseram em causa a possibilidade de o filho vir a ter qualidade de vida – “pensamos que é algo que só acontece aos outros, mas não, estava a acontecer-nos a nós e seria algo para a vida“. Graças aos apoio das pessoas mais próximas, sobretudo do colégio do André, sentiram que ganharam forças para procurar soluções e desde então vivem um dia de cada vez.

Estes pais arregaçaram mangas e exploraram todas as alternativas possíveis, decidiram que iriam onde fosse necessário. Descobriram que nos Estados Unidos da América existe um tratamento para esta doença, e mais recentemente (há cerca de uma semana) que este tratamento foi aprovado na Europa. Apesar das boas notícias, o processo de negociação do preço do medicamento poderá tornar a disponibilização do tratamento mais morosa. Neste momento não se sabe qual o valor que será cobrado pelo tratamento – receiam que venha a ser pago tal como acontece nos EUA –  nem quanto tempo durará; a única coisa que sabem é que, segundo os testes, os resultados têm sido muito positivos.

Actualmente o André tem 13 meses, cognitivamente é um bebé bastante desenvolvido – o pai afirma que há uma compensação em relação à parte motora – que adora as brincadeiras típicas da idade. Em termos motores apresenta tónus muscular no tronco, algum nos braços (não os consegue levantar acima da cabeça) e muito pouco nas pernas. Para corrigir a postura e manter os progressos – evitar a atrofia dos músculos e que se criem escleroses  – o André faz fisioterapia (estão à espera de vaga no público). Além disso,  faz natação para possibilitar a liberdade de movimentos e cinesioterapia para combater a propensão a doenças respiratórias. A maioria destas terapias ocorrem no serviço privado, o que se traduziu num aumento drástico das despesas desta família. Além das despesas actuais existem as possíveis despesas com o tratamento do André assim que ficar disponível, bem como os diversos equipamentos que terão de ir adquirindo ao longo do tempo, mediante as fases de desenvolvimento do filho.

Tenho a certeza que se estão a perguntar “como é que podemos ajudar”? É simples!

1- Transferência bancária 

NIB – 0007 0000 00360200674 23 (André Miguel Figueiredo Antunes)

SWIFT/BIC – BESCPTPL

2 – Recolha de tampinhas de plástico/caricas

Podem entregar as vossas tampinhas de plástico e/ou caricas nos diversos pontos de recolha. Deixo-vos a lista:

  • Loja Ferragens do Combro (Lisboa);
  • Colégio dos Pequenos Marqueses (Oeiras);
  • Mercearia do Prato (Arruda dos Vinhos);
  • Colégio da Bafureira (Cascais);
  • Centro de Fisioterapia Claris (Sintra);
  • Turminha dos Pimpolhos (Loures);
  • Atelier Atitudo – Artes Marciais (Porto);

3 – Página do Facebook

Outro tipo de ajuda importante é a divulgação desta história e dos vários eventos de angariação de fundos (aqui podem participar) através do facebook. Além disso, podem encher esta família de comentários de força e carinho, sabe sempre bem.

https://www.facebook.com/aprocuradonossomilagre/

Conto com vocês para ajudar esta família amorosa. Hoje são eles, amanhã somos nós!

família andré.png

 

 

 

 

Anúncios
Standard
Guerreiras com 3M's grandes

Guerreiras com 3M’s grandes – a história da Sandra, da Francisca, do Guilherme e do Rafael

Nunca esta rubrica teve um título tão grande. Costumamos falar de verdadeiras guerreiras que lutam pelos seus filhos, habitualmente um com necessidades especiais; desta vez são 3. Sim, a Sandra é mãe de trigémeos – dois “verdadeiros”, o Guilherme e o Rafael, e um “falso”, a Francisca.

Como qualquer gravidez de trigémeos, esta foi uma gravidez de risco. O parto ocorreu às 32 semanas de gestação, os bebés foram imediatamente encaminhados para os cuidados intensivos e aí permaneceram devido a problemas respiratórios.

A Francisca, aos 2 meses, foi a primeira a dar sinais de algumas dificuldades a nível motor. Na altura diagnosticaram-lhe Leucomalácia Periventricular, uma forma de lesão cerebral, que foi desvalorizada por apenas ser possível avaliar a sua gravidade ao longo do desenvolvimento.

O Guilherme e o Rafael não apresentavam problemas mais sérios.A  Sandra notava que eram bebés mais “moles” (hipotónicos) e partilhava esta preocupação com os médicos, estes justificavam a hipotonia com o facto de os bebés terem nascido prematuros e afirmavam que provavelmente não existiria nenhuma causa mais séria. Por terem bronquiolites com frequência, os meninos começaram a fazer cinesioterapia. Numa das sessões, aos 8 meses, o Rafael teve uma paragem respiratória – foi reanimado e ficou internado nos cuidados intensivos em estado crítico. Após várias análises e exames perceberam que existiam indicadores de um problema metabólico, confirmou-se o diagnóstico de Síndrome de Leigh – basicamente, devido a uma alteração de cromossoma a enzima responsável por transformar os hidratos de carbono e o açúcar em energia não funciona. Por serem gémeos verdadeiros, fizeram as mesmas análises ao Guilherme e o resultado foi igualmente positivo.

Nesta fase, com 3 bebés de apenas 8 meses, os pais viram-se confrontados com uma dura realidade – a Síndrome de Leigh não tem tratamento, podendo-se actuar apenas ao nível das problemáticas inerentes como a epilepsia e os problemas respiratórios, e implica uma esperança média de vida muito baixa. Além disso, foi-lhes dito que nenhum dos gémeos viria a andar. Foram feitos baptizados à pressa, passaram por muitas idas às urgências e internamentos durante os dois primeiros anos.

Hoje os trigémeos têm 5 anos. A Francisca tem paralisia cerebral, contudo o seu funcionamento cognitivo é muito satisfatório. Graças às várias terapias que faz conseguiu ganhar alguma força nas pernas. O Rafael consegue dizer algumas palavras, tem uma certa força no tronco e controlo cefálico; o Guilherme mostra-se mais afectado pela doença.

Para dar apoio aos filhos, a Sandra, como a maioria das prestadoras de cuidados, teve de abandonar a actividade profissional. Nenhum dos filhotes consegue comer, vestir-se ou tomar banho de forma autónoma, além de que os rapazes necessitam de fazer uma dieta especial que lhes é oferecida através de uma espécie de sonda. No fundo, esta mãe vive em torno dos filhos, sem nenhuma lei que a proteja (assim como a outros pais nesta situação), sem apoio domiciliário (por exemplo, quando precisam de apoio de enfermagem têm de pagar), sem um local que receba os filhos durante umas horas para que os pais possam recuperar energias (o único local que presta este serviço a crianças com menos de 12 anos fica no Norte do país).

Não são só as condicionantes referidas que afectam esta família. Sair de casa com 3 crianças em cadeira de rodas é igualmente desafiante; em termos de logística são necessários 2 carros. Depois de se superar esta primeira barreira, surge a segunda: para onde ir? A Sandra desabafa que a maioria dos locais não têm equipamentos adaptados a estas crianças, não têm acesso para cadeira de rodas, têm elevadores demasiado estreitos, casas de banho que se dizem adaptadas mas cujo design foi testado por alguém sem nenhum tipo de dificuldade; as próprias actividades disponíveis não procuram incluir crianças com necessidades especiais. Esta mulher-mãe lamenta igualmente a falta de empatia e sensibilidade por parte de alguns técnicos (“nem toda a gente deveria trabalhar nesta área“), nota que por vezes os seus filhotes são vistos como “casos perdidos” e por isso há algum desinvestimento. A busca de informação e de tratamentos alternativos por parte dos pais também é por vezes mal recebida pelos técnicos, sendo que as escolhas dos primeiros são postas em causa.

Apesar dos vários obstáculos que enfrentam, estes pais recusam-se a baixar os braços. Procuram todo o género de terapias, geralmente pagas pelos próprios, a fim de garantir que os filhotes têm oportunidade de desenvolver ao máximo as suas capacidades. Investem também em recursos e materiais que facilitem a vida quotidiana dos trigémeos, alguns dos quais não comparticipados.

Como podemos ajudar?

Para fazer face aos custos das terapias particulares os pais recolhem tampas de plástico e levam-nas até uma entidade que, mediante a quantidade de tampas apresentada, lhes atribui um plafond. Posteriormente, utilizam o plafond disponível para abater os valores despendidos nas terapias.

Onde posso entregar as tampas de plástico?

  • CEPSI de Oeiras;
  • Intermarché de Palmela;
  • Igreja da Ramada;
  • Cartório da Ramada;
  • Junta de Freguesia de Odivelas.

Cá por casa já ajudamos há algum tempo, não custa nada. Aproveitei uma embalagem de amaciador para ir colocando as tampinhas usadas, quando enche é sinal de que está na hora de as ir entregar. Para quem não costuma frequentar as zonas indicadas, talvez também possa juntar várias tampas e um dia fazer um passeio que implique passar por um destes pontos; é por uma boa causa. Para nós são apenas tampas que iriam para o lixo, para esta família será mais uma despesa que é abatida.

Gostava de terminar com palavras de admiração e apoio a estes pais. Ninguém imagina o que é viver assim, o esforço que esta família faz para garantir que apesar de todas as dificuldades estas 3 crianças amorosas conseguem ser felizes, o altruísmo subjacente. Da mesma forma que ninguém imagina o que é lidar diariamente com incertezas, com informações dolorosas sobre a esperança média de vida de quem tem esta doença, não saber o que aí virá. Como a Sandra disse várias vezes durante a conversa: “só valorizamos a saúde quando não a temos” (esta frase tem-me acompanhado ultimamente).

Conto com vocês, e com as vossas tampinhas!

trigémeos

 

 

Standard
Guerreiras com 3M's grandes

Guerreiras com 3M’s grandes – a história da Sofia e do Mateus

Antes de vos falar da Sofia e do Mateus, tenho de fazer uma confissão. Foi muito difícil conter as lágrimas enquanto falava com a Sofia, não pelo que o Mateus passa devido à doença, não pelo que os pais e os manos passam, mas sim pelo que as pessoas os fazem passar. Alguns dos relatos que irão ler parecem saídos do tempo dos dinossauros (talvez esses tivessem mais sensibilidade do que algumas pessoas). Senti-me destroçada por perceber que são muitas as pessoas que continuam a fazer questão de dificultar a vida a estas famílias que por si só já têm tanto com que lidar, que fazem questão de enfatizar as diferenças destas crianças, esquecendo que a diferença é o que nos caracteriza, que tratam estas famílias de forma pouca digna, ignorando que nenhum de nós está livre de vir a ter um filho com algum tipo de necessidade especial (mesmo os que nascem saudáveis não estão livres de adoecer). Espero que este texto chegue a essas pessoas e as faça compreender o impacto que os seus comportamentos (cruéis) têm nestas crianças; mais ou menos doentes, com maior ou menor grau de deficiência, com maiores ou menores necessidades especiais, não passam disso – crianças! Têm todo o direito  de ser tratadas como tal.

A Sofia tem 7 filhos – 4 no céu, 3 na terra (ou em casa, como carinhosamente diz). Os últimos filhotes têm 11, 8 e 5 anos. Quando pedi que se descrevesse, começou por dizer que é uma mãe “normal”. Na verdade, a Sofia de normal tem muito pouco – alguém que abdica de tudo para cuidar de um filho, que arranja forças para sorrir e ver o copo como meio cheio é alguém especial! No fundo sinto que é isto – as crianças especiais escolhem pais especiais.

O Mateus é o filho mais novo, resultado de uma gravidez inesperada (pensavam tratar-se de uma desregulação hormonal) mas igualmente desejada. Às 26 semanas a Sofia foi internada sob o risco de o Mateus nascer prematuro; apesar da medicação e do repouso, tal acabou por acontecer. Com apenas 33 semanas o Mateus veio ao mundo e teve de provar de imediato a sua vontade de aqui permanecer. Os médicos deram-lhe horas de vida, perguntaram aos pais se o queriam baptizar (já antecipando o pior) e abriram a excepção de os irmãos o visitarem na neonatologia, caso contrário poderiam não vir a conhecê-lo. Devido ao subdesenvolvimento dos órgãos, ao segundo dia de vida sofreu uma hemorragia cerebral intraventricular à direita (uma espécie de AVC), o que condiciona a mobilidade do lado esquerdo do corpo. Apesar destas dificuldades, o Mateus chegou, viu e venceu, provou a todos que tinha uma enorme vontade de viver. Na altura da alta hospitalar os pais acreditavam que os problemas se resolveriam com fisioterapia e acompanhamento médico.

Um novo problema emerge aos 7 meses quando o Mateus comeu papa pela primeira vez – repentinamente fez um choque anafiláctico (o sistema imunitário pensa que o alimento é um vírus e em resposta gera anticorpos). Descobriram que afinal era alérgico à proteína do leite de vaca. Como a alergia é muito severa, ao ponto de não poder sequer cheirar nada que contenha esta proteína, a vida da família mudou por completo. Dado que os alimentos que contêm esta proteína são o equivalente a veneno para o Mateus, a família não pode sequer ter em casa esse género de produtos. Além disso, o que para nós é uma simples ida às compras, para a Sofia é um processo de leitura de rótulos que tem de ser feito sempre, mesmo para os bens que costuma consumir: “os ingredientes são alterados com regularidade, sem que a marca avise. Aquele produto que hoje é seguro, amanhã já pode levar algum componente que coloque o Mateus em perigo“. A Sofia conta entre risos que já se tornou conhecida das marcas: “muitas vezes os rótulos não são claros, por isso acabo por ligar directamente para a empresa“.

Para além da alimentação muito cuidada, o Mateus faz fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional e, devido às lesões nos pulmões, cinesioterapia. Nesta fase devem estar a fazer a mesma pergunta que eu fiz: isto soa caro, esta família deve receber algum tipo de apoio para combater estas despesas. Sim, recebem do Estado 59 euros (não, não falta um zero, o valor é mesmo este). Este é o valor que o Estado dá à Sofia, que se viu obrigada a abandonar o trabalho, depois de 20 anos de descontos; supostamente tem de chegar para a família suportar algumas destas terapias, a medicação e a alimentação especial. Fazendo jus aos seus 3M’s grandes, a Sofia não baixou os braços e criou uma página onde vende artigos lindíssimos, feitos à mão com muito carinho. Ao comprarem, além de ficarem com um produto de excelente qualidade, também estão a ajudar esta família! Além das vendas, a página tem funcionado como meio de outros pais que vivem situações semelhantes contactarem a Sofia para pedirem receitas, colocarem questões ou desabafarem; ainda que tenha pouco tempo livre, a Sofia faz questão de responder a todos os pais e ajudar no que é possível. Vale mesmo a pena espreitarem a página e ajudarem a divulgar (https://www.facebook.com/ArcoIrisDaSofia/?ref=page_internal).

Apesar das condicionantes existentes, importa frisar que o Mateus é lutador, não um coitadinho! Contrariamente a muitos de nós, já teve de provar a sua vontade de viver inúmeras vezes (mais do que se possa contar), já venceu enormes batalhas, como conseguir andar e falar, e lida com as situações com uma boa disposição contagiante – a mãe conta que por diversas vezes, depois de ser reanimado, ao acordar no hospital com a pulseira vermelha (de urgência), pergunta: “Quem é que me pôs isto? eu não quero esta pulseira vermelha, quero uma verde, sou do sporting!”. Ou ainda, uma vez em que perguntou à mãe o que eram os 3 traçados no monitor de suporte avançado de vida, ao que a mãe respondeu que o amarelo é quantas vezes estava a respirar, o turquesa o oxigénio que tinha no sangue e o verde era o coração a bater; o Mateus ficou com o maior sorriso do mundo e passou o dia a dizer a quem entrasse na sala (médicos, enfermeiros, pessoal da limpeza): “O meu coração é verde! Olha ali na máquina!“.

Termino como comecei, com uma mensagem de sensibilização para quem  tem por perto uma família “especial”. A Sofia confessou que o Mateus, com 5 anos e meio, ontem estava muito feliz por ter recebido um convite para uma festa de anos. Sim, desde que entrou para a escola, aos 3 anos, que o Mateus assiste aos colegas serem convidados sem que a ele seja dado “o papelinho”, o que era motivo de grande tristeza e choro. Para os pais que excluem estas crianças tenho várias questões: Vocês imaginam o que uma criança sente ao ser rejeitada desta maneira? O impacto que pode ter na auto-estima dela a longo prazo? Como se sentem os pais desta criança ao vê-la sofrer e ser marginalizada por ser apenas “diferente” (mas igual a tantas outras)? Que estão quase a punir a criança devido à doença? Que amanhã pode ser o vosso filho, neto, sobrinho? Quero acreditar que não é maldade mas antes  falta de sensibilidade; de qualquer maneira, para mim é revoltante. Se têm receio de não poderem oferecer a alimentação que a criança precisa, peçam aos pais para preparem uma marmita para a festa, se têm receio de que a criança toque em algo e tenha um choque anafiláctico, convidem os pais para a acompanhar – tudo é solução, menos discriminar e excluir!

arco-iris

 

 

 

Standard
Guerreiras com 3M's grandes

Guerreiras com 3M’s grandes – a história da Carla e da Leonor

Imagina que tens 6 filhos, um companheiro, uma casa para cuidar, e que, de repente, descobrem que a tua filha mais nova, que ainda é um bebé, tem um tumor e que terá de ser sujeita a uma série de procedimentos médicos, alguns sem grandes garantias, sendo que a possível cura está no estrangeiro. Esta é a história da Carla.

A Carla é uma guerreira com 3M´s grandes, descrita como uma mulher admirável, uma mãe corajosa, com uma força e garra inigualáveis.Vive num bairro social mas não permite que isso seja desculpa para seguir estereótipos. Luta diariamente para dar o melhor aos filhos, para lhes transmitir hábitos e valores diferentes daqueles que por vezes são partilhados pelo meio social em que vivem, uma educação que lhes permita ir longe – convém referir que estas crianças (dois deles jovens) são apontadas como extremamente educadas. Embora tenha 6 filhos, é uma mãe muita atenta às necessidades de cada um; terá sido exactamente isso que permitiu o rápido diagnóstico da doença da Leonor.

Durante um episódio de obstipação da Leonor, na altura com apenas 9 meses, ao fazer a massagem abdominal a Carla sentiu uma massa que lhe pareceu anormal, contudo poderia ser explicada pela obstipação. No dia seguinte, em nova massagem, a Carla sentiu a mesma massa; desta vez parecia-lhe maior – não hesitou, dirigiu-se imediatamente aos serviços de saúde, seguindo os trâmites normais que a conduziram até ao IPO do Porto. A tal massa afinal era um tumor, mais precisamente um neuroblastoma – o tumor mais frequente durante o primeiro ano de vida – no estádio IV. Inicialmente estava alojado no abdómen e no rim, entretanto, apesar da quimioterapia, acabou por se metastizar para a perna e para a face. Já teve cirurgia marcada, contudo perceberam que o tumor ainda estava activo e iniciaram um novo ciclo de quimioterapia.

Aos 14 meses a Leonor deseja o mesmo que qualquer bebé – ter saúde para brincar, correr, explorar o mundo que a rodeia, estar junto aos seus irmãos (o que se torna complicado devido aos internamentos constantes), viver livre e sem dor. Para isso, precisa de ficar curada, o que em Portugal não será possível. Nos Estados Unidos da América existe um tratamento cujo custo é de 250 000 euros. Mais uma vez, esta família não baixou os braços! Com a ajuda da amiga Ruth Soares criaram uma página  no facebookhttps://www.facebook.com/Juntos-pela-Leonor…/ – que até ao momento lhes permitiu angariar cerca de 6000 euros. Sim, ainda estamos (não consigo evitar sentir que faço parte desta causa) longe da meta, mas como diz o poeta António Machado: “o caminho faz-se caminhando”.

Como podemos ajudar?

Neste momento as necessidades desta família são diversas, por isso deixo-vos uma lista daquelas que, segundo a própria, serão as principais:

  1. Donativos monetários.Contrariamente ao que possam pensar – eu fiquei incrédula quando a Ruth mo contou – quando a Leonor vai para casa as despesas de farmácia não têm qualquer comparticipação. Desde um xarope que custa 260 euros e dura 21 dias, às máscaras pediátricas e de adultos, ao tantum verde que a Leonor precisa de usar, até às luvas e compressas, tudo é suportado pela família. Assim, são necessários donativos para o tratamento da Leonor nos EUA, de modo a que o valor final seja alcançado, mas também para estas necessidades inerentes aos tratamentos que actualmente faz. Os dados bancários são os seguintes:
    IBAN PT 50003508290001380942741
    SWIFT: cgdiptpl
  2. Donativos em géneros. Esta é uma família composta por 8 pessoas, com os gastos que lhe estão subjacentes, a somar ao facto de a Carla estar impedida de trabalhar para dar assistência à Leonor e às despesas de que acima vos falo. Deste modo, se preferirem, podem contribuir com bens mais básicos, alimentares ou de higiene. Quanto à Leonor, podem ajudar com fraldas tamanho 5 (têm mesmo de ser da Dodot) e toalhitas.

A propósito da quadra natalícia, sem querer ser intrometida mas já sendo, gostava de vos deixar uma sugestão inspirada nos brindes de casamento de uma grande amiga. Por vezes não sabemos o que oferecer, acabamos por dar prendas que as pessoas não usam, que agradecem simpaticamente e arrumam a um canto. Esta minha amiga arranjou uma solução, a meu ver, brilhante – doar o dinheiro que estava destinado aos brindes de casamento a uma causa, mais precisamente à operação nariz vermelho, e durante o evento presentiou os convidados com um cartão que dizia “eu ajudei a operação nariz vermelho com x valor“, além do típico nariz que os palhaços desta causa costumam usar. Penso que no Natal seria bonito oferecer às pessoas algo deste género, com uma frase apelativa e com referência ao valor/bem com que ajudaram a Leonor. No fundo, estamos a salvar uma vida. Existirá melhor dádiva do que esta?.

Por último, gostava de deixar um abraço apertado a esta mãe inspiradora, que luta com tudo o que tem, talvez até com o que não tem,  que acaba por viver na sombra, esquecendo-se que existe, para bem da filha. Incentivo-vos a fazer o mesmo; por muito forte que a Carla seja, tenho a certeza que o nosso apoio e reconhecimento lhe darão ainda mais força!

juntos-pela-leonor

Standard