Menina, Mulher & Mãe

Além de mãe, quem és tu?

Dois anos depois, há dias (sobretudo quando a minha filha fica em casa comigo durante algum tempo) em que não sei responder a esta pergunta. Travo um diálogo (monólogo) interno deste género:

– Quem és tu?

– Quem sou eu??

– Sim, podes começar pelo que gostas de fazer.

– Ah, essa é fácil. Gosto de brincar com a minha filha, ir com ela ao parque, senti-la a dormir encostada a mim, ouvir a sua gargalhada…

– Isso é o que gostas de fazer com a tua filha. Bom, vamos tentar de outra forma, quais são os teus grandes sonhos?

– Sonho em ter a honra de a ver crescer e ser aquilo que bem entender, em estar presente nas suas maiores conquistas e nos duros dissabores, em…

– Isso és tu enquanto mãe! E enquanto mulher?

As perguntas podem mudar ligeiramente, as respostas também, mas a conclusão mantém-se: o papel de mãe ocupa grande parte do meu ser. Sinceramente, não considero preocupante uma mãe retirar prazer deste papel ao ponto de mudar parte do seu self (eu), o que inclui os seus interesses e objectivos; o que me preocupa são os casos em que esta transição é vivida com frustração e sofrimento.

Nos primeiros tempos, ou ao longo do tempo em que permanecemos com os nossos tesouros em casa (no nosso caso foi até aos 15 meses), o peso da rotina e o tipo de actividades que protagonizamos (muito centradas no bebé/cuidar do outro), tornam difícil um investimento em nós enquanto mulheres. A par disso, o cansaço e o pouco tempo livre fazem com que não tenhamos vagar para nos debruçarmos sobre a reestruturação do self.

Incomoda-me esta nova tendência/expectativa social de que as mulheres-mães ajam como se nada tivesse acontecido, isto é, que retomem a normalidade de imediato e que mantenham o seu funcionamento anterior. Jamais seremos as mesmas, paremos de fingir. A maternidade é uma espécie de porta para uma nova realidade, muitas vezes a vida não muda assim tanto, mas a forma como a percepcionamos e reagimos altera-se por completo. Por outro lado, existe uma enorme pressão para que sejamos a mãe do ano, que vivamos focada nas crias e que abdiquemos de actividades que nos realizam enquanto mulheres para nos focarmos no papel de mãe. Afinal, em que é que ficamos?

Equilíbrio. Diria que esta é a palavra de ordem no que toca à gestão dos teus M´s (e em quase tudo na vida). Não obstante, acredito em desequilíbrios transitórios saudáveis. Numa primeira fase, precisas de estar em desequilíbrio, focares-te em conhecer o teu bebé, permitires que ele te conheça, desenvolveres o teu M de mãe (conheceres as tuas aptidões e limites); considera esta fase uma espécie de stand by no teu M de mulher – ele continua a existir, não perdeste a tua identidade, apenas está em modo pausa. Gradualmente, quando tu e o bebé se sentirem prontos, voltarás a investir nele e a redescobri-lo.

Como referi, a maternidade muda-nos; poderás sentir que já não retiras prazer das mesmas actividades e que as tuas prioridade se alteraram – é normal! O teu self provavelmente irá reestruturar-se e, com o tempo, englobar aspectos do teu self antigo, gerando novas preferências que integram o teu papel de mãe. Aos poucos, encontrarás maior equilíbrio (não todos os dias, mas na sua maioria).

Ainda que não te apeteça ou te sintas culpada, cria, se possível, pequenos momentos para te redescobrires/cuidares de ti enquanto mulher. Recordo-me de sair de casa durante meia hora para cortar as pontas do cabelo e sentir-me renovada só por isso (pelo corte e pelo contacto com os outros). Lembro-me também de quase por obrigação (não queria deixar a princesa “sozinha”) ter ido lanchar com uma amiga e de como isso me fez bem – cuidarmos de nós dá-nos maior disponibilidade para cuidarmos dos outros.

Um bebé feliz depende de uma mãe (ou outro cuidador principal) equilibrada. Uma mãe equilibrada assenta numa mulher que se conhece e tem espaço para se expressar. Chegar a este ponto não é fácil e requer tempo, se deres o teu melhor já estás no caminho certo.

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Parentalidade Positiva

O que importa – o resultado ou o processo de aprendizagem?

Existem dois conceitos – processo e resultado – que andam sempre de mão dada, como dois namorados naquela fase de paixão assolapada. Unem-se de tal forma que a certa altura parece tudo a mesma coisa. Contudo, processo e resultado não são sinónimos, pelo contrário, muitas vezes o seu conteúdo é completamente díspar.

Enquanto estudantes, talvez se recordem de trabalhos individuais ou de grupo que vos deram imenso prazer a fazer, em que sentiram que  aprenderam alguma coisa (processo), embora a nota final ficasse aquém das expectativas (resultado). O oposto também pode ter acontecido – detestarem o que estavam a fazer, limitarem-se a concretizar o que vos foi solicitado sem que existisse uma aprendizagem efectiva, o professor adorar o resultado final e dar-vos uma excelente classificação. Poderíamos transpor estes exemplos para inúmeras situações em que o processo (aquilo que aprenderam/como aprenderam) não se traduz directamente no resultado final. No que toca à educação das nossas crianças, passa-se o mesmo.

Por vezes leio alguns comentários de pais que partilham os grandes resultados obtidos com os filhos: “Largou as fraldas em 2 dias”; “Aprendeu a dormir sozinha com 3 semanas de vida”; “Acabei com as birras num ápice”. Quando me debruço sobre o processo, compreendo que a criança aprendeu muito mais do que largar as fraldas, dormir sozinha ou deixar de fazer birras. Quando uma criança larga as fraldas após a exposição pública das suas dificuldades, do seu corpo ou da ausência de prestação de cuidados prolongada para que se sentisse desconfortável, esta simultaneamente aprendeu que aquele adulto não a respeita, não a protege e que a humilha. Quando uma criança aprende a dormir sozinha após passar longas horas a chorar sem que ninguém a acudisse, percebeu que está sozinha, que o mundo que a rodeia é hostil, que não se pode apoiar nos outros nos momentos em que precisa de consolo. Quando uma criança deixa de fazer birras por ser punida fisicamente sempre que tal acontece, esta aprendeu que não deve expressar as suas emoções em frente àquela figura, que aquela pessoa não é capaz de a compreender, que só as emoções positivas são saudáveis, e que a punição física é uma forma eficaz de lidar com a frustração. Em qualquer um destes casos, o resultado é o socialmente desejável, aquele com que a maioria dos pais sonham, e quanto ao processo? O que a criança aprende paralelamente, ainda que não seja imediatamente visível, não pesa?

Alguns de vós deverão estar a pensar: “Sim, esta conversa é muito bonita, mas para que existam resultados não nos podemos focar no processo“. Na verdade, focar o processo pode ser tudo o que precisamos (nós e as crianças). Aliás, na maior parte das nossas conquistas o prazer surge ao longo da caminhada, não na meta. As grandes dificuldades serão aprendermos a viver satisfeitos com o que nem todos conseguem ver – o que realmente é essencial – e a esperar que os resultados surjam a um ritmo muito próprio, sem pressas.

Grande parte dos primeiros meses de vida da minha filha foram passados ao colo, a ser embalada. “Ui, deve ser terrível para adormecer e acordar imenso à noite à vossa procura“. Nem lá perto. Com o tempo (e estamos a falar em muitos meses) percebeu que estaríamos lá sempre que precisasse e que adormecer é um momento seguro, pelo que hoje, com 2 anos, pede para ir para “a cama da princesa” e adormece sem canções e sem colo. A introdução dos sólidos foi terrível – cuspia, chorava, rejeitava. “Ui, deve ser terrível para comer e exigir tudo triturado“. Nem por isso. Ao longo do tempo percebeu que a respeitávamos, mas que não iríamos desistir; hoje come quase sempre tudo sozinha. Os processos foram longos e desgastantes para nós enquanto pais – teria sido mais fácil deixá-la a chorar durante horas e poupar-nos ao cansaço de colo constante; teria sido mais fácil dar-lhe uma palmada, enfiar-lhe a colher cheia de comida na boca, ao invés de fazer refeições que duravam quase 2 horas. Atalhar o processo em buscar de resultados rápidos é sempre uma opção, mas acarreta grandes custos em termos do que as nossas crianças têm de gerir internamente e que levarão consigo ao longo da vida.

Com isto não quero dizer que os comportamentos que servem de atalho utilizados esporadicamente irão arruinar o processo, a excepção não faz a regra; apenas vos quero transmitir a ideia geral de que o processo e a forma como os nossos comportamentos o alteram também merecem ser alvo de reflexão – nem todos os fins justificam os meios.

Vivermos com estas noções de que o mundo que nos rodeia é acolhedor, aqueles que nos são significativos respeitam-nos, protegem-nos, compreendem-nos, aceitam-nos, estão disponíveis, são de confiança, estão abertos a todas as nossas emoções, são uma fonte fiável na gestão das emoções (demonstram auto-controlo e aprendemos a partir daí), é essencial, muito mais do que não fazer birras, comer tudo sem resmungar ou fazer xixi na sanita. Estes valores/crenças sobre o mundo e sobre os outros servirão de base para que grandes conquistas (resultados) ocorram.

Perguntemos: “como gostava de aprender isto?”; ao invés de “o que é que esta criança tem de aprender?”.

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Menina, Mulher & Mãe

Quando o amor não nasce no parto

Assim que nasceste, encostaram-te a mim. Não me recordo de alguma vez me ter sentido tão bem, verdadeiramente em paz, foi quase como se o tempo congelasse e estivéssemos só as duas na sala. Cheirei a tua pequenina cabeça, olhei fixamente para cada detalhe teu e fechei os olhos com esperança de conseguir gravá-los na minha mente. Depois de tantos meses de espera, ali estavas tu, tão frágil e tão forte.

Desde logo senti o peso da responsabilidade que seria cuidar de ti, não só hoje ou amanhã, para sempre; senti também uma necessidade enorme de te proteger, de te manter a salvo, de assegurar o melhor para ti. Contudo, não experienciei, ou pelo menos não o reconheci como tal, aquele amor imediato que sempre me foi descrito.

Recordo-me de a Ana, uma amiga cuja filha nasceu na mesma altura que tu, escrever longas declarações de amor à filha, onde falava no maior amor que já conheceu; eu sabia que serias o grande amor da minha vida (pelo menos um deles) mas não o sentia de imediato, não conseguia proferir tais palavras, não me pareciam sinceras.

Não imaginas como chorei ao confrontar-me com a ideia de que talvez não te amasse. Como era possível? Eu desejei-te tanto, cantei para ti na barriga, preparei a tua chegada ao pormenor, sonhei contigo tantas vezes. Eu adoro crianças, como poderia não amar a minha?! Nunca tinha ouvido nenhum relato de uma mãe (mentalmente sã) que não amasse imediatamente o seu bebé, por isso algo de muito errado se deveria passar comigo!

Precisava de falar sobre o assunto, mas o receio de ser julgada sobrepunha-se. Não queria que pensassem que não te queria quando tal não era verdade, eu dava o meu melhor, talvez até em demasia, para ser uma boa mãe, cuidava de ti com imenso empenho, apenas não conseguia dizer que te amava perdidamente.

Hoje sei que o nosso amor sempre existiu, ainda que nem sempre o tenha sentido dessa forma. Ele nasceu pequenino, não com o seu tamanho final, tal como tu. Surgiu subtilmente, à medida que nos íamos conhecendo, compreendendo e partilhando. Ele aumentava cada vez que mamavas,  que te embalava, que dormias encostada a mim, que me fixavas com os teus doces olhos, que pedias o meu o colo. Em pouco tempo tornaste-te o meu tudo (como te chamo).

Nem sempre o amor nasce enorme, por vezes cresce, desenvolve-se e constrói-se a um ritmo próprio, como tu, como eu, como nós. Tal não faz dele mais ou menos forte, mais ou menos duradouro, apenas o torna naquilo que realmente o caracteriza – ser único.

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Menina, Mulher & Mãe

Não estás pronta para ser mãe

Desculpa dizê-lo de forma tão dura, mas não encontro outra maneira de o fazer. Não interessa se tens 18 anos ou 50, se sempre conviveste com crianças ou nunca estiveste perto de uma, se te sentes imensamente motivada para esta fase de vida ou não, se é o teu primeiro filho ou o terceiro, se a maternidade estava nos teus planos,  se tens muitos ou poucos recursos financeiros, se tens tudo a postos para a chegada do bebé ou ainda nem pensaste no assunto. Nada disto importa, nem altera o facto de não estares pronta para ser mãe:

… Não estás pronta para ver o teu corpo mudar, ganhar novos contornos, deixar de assentar tão bem nas tuas roupas favoritas.

… Não estás pronta para sentir enjoos, dores de costas, dores nas mamas, sono, azia; todo um role de sintomas desagradáveis.

… Não estás pronta para as dores do parto.

… Não estás pronta para passar noites em branco, a dar de mamar ininterruptamente, a mudar fraldas, a lidar com cólicas ou dentes a nascer.

… Não estás pronta para lidar com o choro do bebé horas a fio.

… Não estás pronta para lidar com a incerteza, com a frustração de não compreenderes o que se passa com o teu bebé, o que podes fazer para o ajudar.

… Não estás pronta para constatar que jamais serás a mãe perfeita que sempre imaginaste.

… Não estás pronta para deixar de pensar apenas em ti, no que queres fazer, no que te apetece naquele momento.

… Não estás pronta para lidar com o peso de cuidar sem pausas, sem folgas, nem feriados.

… Não estás pronta para perder a tua identidade.

Existem ainda outras experiências para as quais não estás pronta e sobre as quais ninguém te falou:

… Não estás pronta para ver o teu corpo alterar-se de modo a que o teu bebé se encaixe perfeitamente nele e retire daí tudo o que necessita – alimento, contacto, conforto e amor.

… Não estás pronta para perceber que o teu corpo está preparado e saberá o que fazer no momento do parto.

… Não estás pronta para sorrir cada vez que os vossos olhares se cruzam.

… Não estás pronta para ficar em segundo plano mas ainda assim sentires que tens um dos papéis principais, um foco de luz que provém dos olhos do teu bebé e te segue onde quer que vás.

… Não estás pronta para descobrir uma nova forma de liberdade, em que não podes fazer o que queres, quando queres, mas em que aprendes a tirar o máximo de prazer de pequenos momentos.

… Não estás pronta para esquecer o peso de cuidar sem pausas, sem folgas, nem feriados, com apenas um sorriso, um toque suave daquela mão pequenina no teu rosto, um “mamã” dito de olhos a brilhar.

… Não estás pronta para te habituares a sair de casa cheia de mochilas, lanches e outros mimos, ao ponto de deixar de fazer sentido sair de casa só com a tua mala.

… Não estás pronta para colocar tudo o que sempre acreditaste em causa e descobrir novas formas de agir e educar.

… Não estás pronta para perceber que não queres ser a mãe perfeita que sempre imaginaste mas sim a melhor mãe que consegues ser, aquela que o teu bebé precisa, uma mãe real que tem a humildade de aprender diariamente.

… Não estás pronta para descobrir que tens em ti uma bússola valiosa – o teu instinto – que te irá guiar nesta aventura e conduzir a novos destinos (competências).

… Não estás pronta para passar madrugadas a contemplar cada detalhe do teu bebé apesar do imenso sono.

… Não estás pronta para ganhar um propósito na vida, encontrar resposta para aquelas dúvidas existenciais que sempre te assolaram.

… Não estás pronta para perder a tua identidade, vê-la a transformar-se e a partir daí surgir algo novo, que reúne maravilhosamente os teus papéis antigos e mais recentes.

… Não estás pronta para perceber que tens junto a ti tudo o que precisas.

… Não estás pronta para constatar que parte de ti passou a viver fora do teu corpo, e onde quer que vá tu também irás.

… Não estás pronta para sentir tanto amor ao ponto de te doer o peito.

… Não estás pronta para um simples abraço transformar os dias mais negros em dias luminosos.

… Não estás pronta para passar o dia a pensar no quanto amas aquela pessoa, para sentires saudades mesmo quando a tens ao lado.

… Não estás pronta para perceber que todo o teu percurso faz sentido – os talvez, as saborosas conquistas, as dolorosas perdas – tudo te conduziu a este ponto, a este lugar, a este grande amor.

 

Não estás pronta para ser mãe, na verdade não precisas de estar. É impossível sentirmos-nos preparadas para algo que não conhecemos. Além disso, o amor flui, não se treina nem “prepara”.

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Actividades em Família

Escapadelas em família – Carrança Lounge (Évora)

Acredito que o nosso conceito de liberdade se altera quando visitamos locais como este de que vos irei falar. Ainda que possamos ir a parques, procurar zonas mais isoladas, nada se compara à sensação de não ouvirmos carros e ruídos.

Decidimos visitar o Alentejo, mais especificamente Évora, para fugir da agitação constante da cidade. Quando procurámos por locais onde pernoitar percebemos que a maioria era no centro, o que para mim era sinónimo de agitação/confusão. Além disso, a relação qualidade-preço parecia-me desadequada.

O Carrança Lounge surgiu como a solução para os nossos problemas – fora do centro (mas perto), rodeado por natureza/espaço para a princesa Letícia brincar em liberdade, pequeno-almoço incluído e um preço convidativo. Quando telefonei para confirmar a disponibilidade, fiquei com a certeza de que seria este o nosso cantinho para a escapadela em família (fomos sábado e voltámos domingo ao final de dia). Algumas horas depois recebi um simpático e-mail da Rita, a filha, onde me era explicado tudo o que existia no local, as coordenadas exactas e a função de cada membro da família; perceber que se tratava de um negócio familiar foi a cereja no topo do bolo.

A Rita, mãe, assegura o funcionamento do local com o apoio da filha Alice, responsável pela confecção de refeições a pedido dos hóspedes (se ainda não comeram, não vejam as imagens!); contam com o apoio do Nuno, marido de Alice, que é o “faz tudo” lá do sítio – sim, testei os seus dotes ao estragar a fechadura da porta principal (eles foram uns queridos e disseram que foi do desgaste). A partir do estrangeiro, a Rita, filha, trata da gestão das reservas e o irmão, Francisco, reúne grupos de pesca e encaminha-os para o Carrança Lounge. O sucesso deste local paradisíaco, aberto desde Abril de 2016, deve-se ao esforço conjunto desta bela família.

 

Ao chegarmos ao local fomos recebidos pela Rita, uma senhora de sorriso fácil e com um sentido de humor fantástico (a Leti simpatizou de imediato com a Rita). Foram-nos apresentados os cães, uns pequenitos rafeiros alentejanos com pouco mais de 40kg; depois de nos cheirarem aceitaram-nos como parte da família e só pediam mimos. Após isso, a Rita aprečsentou-nos a casa, ofereceu-nos água e umas bolachas preparadas pelas netas, aconselhou-nos alguns locais para visitar e mostrou-se disponível para ajudar sempre que precisássemos.

 

A casa dispõe de uma porta principal que dá acesso a uma sala de estar. Neste local existe uma porta à direita que dá acesso à casa da família (podem por aqui perceber que é um ambiente realmente familiar) e uma porta à esquerda que nos leva ao nosso espaço. Este é constituído por uma entrada, 2 quartos – um com cama de casal e outro com duas camas individuais – uma casa de banho com base de duche e uma kitchenette (com frigorífico, micro-ondas, cafeteira, torradeira, lava-loiça); trata-se de um espaço pensado para 4 pessoas. Com todas estas comodidades pudemos aquecer o leite da Leti durante a noite e lavar o biberão sem problema.

 

 

 

No dia em que chegámos estava imenso calor, por isso pousámos as malas e corremos para a piscina (a Letícia conseguiu despir-se sozinha pela primeira vez, tal era a sua pressa de entrar na água).

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Durante a nossa estadia apenas ouvimos as nossas vozes, os pássaros, as ovelhas e os cavalos.

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O facto de o Carrança Lounge ser composto apenas por dois locais habitáveis – o que ficámos e o Carrancinha que fica no exterior – liberta-nos da sensação de crowding, como acontece nos hotéis, em que andamos sempre a cruzar-nos com pessoas, a ouvir outras vozes e ruídos, a ter de esperar pela nossa vez para fazer o que quer que seja. Posso dizer-vos que para além de nós apenas existia mais um casal no local (o Carrancinha está pensado para 2 pessoas ou 1 casal com um filhote pequeno). Tal permitiu que a Letícia se sentisse segura para correr, explorar, brincar sem limites e sem a preocupação de estar a incomodar alguém. Além disso, por se tratar de uma quinta no campo, não nos tínhamos de preocupar com a estrada e os carros; pela primeira vez consegui relaxar e deixá-la afastar-se mais. Confesso-vos que foi das vezes em que a vi mais feliz, os sorrisos e as gargalhadas eram constantes.

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Todos os recantos do Carrança Lounge foram explorados pela princesa Leti, até a casa da Rita (por insistência da própria), onde fez amizade com as suas 3 netas.

No dia seguinte, a Rita serviu-nos um delicioso pequeno-almoço à hora que combinámos, ao ar livre, sem pressas. Foi difícil escolher entre os scones acabados de fazer (vieram para a mesa quentinhos), as compotas e doces caseiros, o sumo de laranja natural, a salada de fruta sem açúcar, os iogurtes, os pães e os croissants, por isso comemos um pouco (muito) de tudo.

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Durante a estadia visitámos o centro de Évora e Monsaraz. No primeiro, ficámos fascinados pela carga histórica, no segundo, pela tranquilidade e bom funcionamento do local (tinha acesso para pessoas em cadeira de rodas e das casas de banho mais limpas em que já entrei).

 

 

A despedida foi mais íntima do que o habitual, parecia que nos estávamos a despedir daquela tia amorosa que visitamos algumas vezes. A hospitalidade da Rita e da sua família, o ambiente acolhedor do local e a sua informalidade levam-nos a criar laços – com o espaço e com as pessoas – difíceis de traduzir em palavras.

Fizemos a viagem de regresso com a sensação de que soube a pouco e de que iremos certamente regressar. Por vezes precisamos de respirar ar puro e sentir verdadeiramente o significado da palavra liberdade para que possamos recarregar baterias e preparar-nos para mais uma semana.

 

 

 

 

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Lazer

Actividades em família – Passeios de barco no Campo Grande

Os dias longos e luminosos estão a terminar, por isso aproveitemos ao máximo cada fim-de-semana.

Os passeios de barco pelo lago do Campo Grande são uma actividade pouco dispendiosa, divertida e simultaneamente relaxante. Além da água, os pequenotes podem observar os patos, a vegetação em redor, passar por baixo da ponte e até remar. Posso dizer-vos que a viagem da Leti foi feita a dançar e a cantarolar (é capaz de ter ofendido um ou dois patos).

 

O que precisam de saber:

  • Fecha à segunda-feira;
  • O passeio de 30 minutos custa 5 euros, o de 1 hora custa 8 euros (tive receio que 1h fosse muito tempo por isso optei pelos 30 minutos, no entanto passou a voar);
  • Levem alguém com coordenação motora pois remar é mais complicado do que se imagina (ou sou eu que tenho uma perturbação qualquer que me impede de perceber para que lado tenho de remar quando quero mudar de direcção, como podem perceber pela foto).

 

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Bons passeios! =)

 

 

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Parentalidade Positiva

Estádios de desenvolvimento – uma das bases para compreendermos as nossas crianças

O desenvolvimento dos nossos bebés/crianças é composto por diversos estádios, uma espécie de fases de vida pelas quais vão passando. Para compreendermos verdadeiramente as necessidades do bebé/criança, ajustarmos as nossas expectativas relativamente ao que deverão ser capazes de fazer e, consequentemente, reagirmos de forma adequada é fundamental conhecermos o estádio de desenvolvimento em que se encontram – as suas características, os desafios que o compõem e as conquistas que surgirão.

Existem diversas teorias que caracterizam cada um dos estádios de desenvolvimento, sendo a minha favorita a de Jean Piaget. Não obstante, por se tratar de uma teoria extensa e que implica a compreensão de diversos conceitos chave, irei focar-me na componente social e apresentar-vos a Teoria do Desenvolvimento Psicossocial de Erikson.

Segundo Erikson, cada estádio de desenvolvimento caracteriza-se pela presença de um conflito. No fundo, existem dois pólos – um mais positivo e outro mais negativo – em conflito, cabendo ao bebé/criança, e mais tarde ao adulto, enfrentar essa bipolaridade e resolvê-la. Um desenvolvimento equilibrado pressupõe uma resolução eficaz do conflito, procurando-se que a vertente positiva predomine. Tal criará as bases para uma boa adaptação e promoverá a capacidade para lidar com os desafios seguintes.

A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial define 8 estádios, designados pelo autor por “idades da vida”. Para que este artigo não se torne demasiado extenso (e aborrecido) irei abordar apenas as primeiras quatro de forma sucinta. No final de cada uma escreverei uma breve reflexão.

1ª Idade – Confiança vs Desconfiança (do nascimento aos 18 meses)

O recém-nascido, enquanto ser completamente dependente, verá no meio a única forma de as suas necessidades serem respondidas. Nesta primeira idade (estádio), ao receber amor por parte de pessoas significativas (as mais próximas) e encorajamento na protagonização de actividades de descoberta o bebé aprenderá a confiar nos outros e em si mesmo. As sensações de ser pouco amado e de não lhe ser concedida atenção terão o efeito inverso, isto é, promoverão a desconfiança relativamente aos outros e às suas próprias capacidades, o que resultará em dificuldades em lidar com novos obstáculos e com situações sociais (ao não confiar nos outros tenderá a retrair-se).

Reflexão: Reparem que neste estádio existem duas palavras de ordem – amor e atenção – que resultam numa aquisição essencial – a confiança. É com base nestes constructos que a criança irá explorar as suas capacidades e realizar novas conquistas.  Coloco-vos(me) algumas questões: Quando deixo um bebé a chorar para que aprenda a dormir sozinho estou a provar-lhe que é amado, que tem a minha atenção e, por conseguinte, que pode confiar em mim? E quando o deixo a chorar sozinho para que não se habitue ao colo? E quando não lhe dou de mamar para que crie horários? Penso que as respostas a estas questões são bastante óbvias. No fundo, estamos preocupados em estimular novas competências, mais autonomia, quando na verdade os nossos bebés precisam apenas de amor e atenção, sendo o verdadeiro desafio desta fase e que realmente influenciará o seu futuro – aprenderem a confiar em nós – ignorado.

2ª Idade – Autonomia vs Dúvida e Vergonha (dos 18 meses aos 3 anos)

Na segunda crise psicossocial a criança procura resolver o conflito entre conseguir fazer as coisas por si e ter de depender quase sempre dos outros. Para conquistar a autonomia, o que implica controlar algumas funções orgânicas, a coordenação motora e a manipulação de objectos, a criança terá de aprender a lidar com a dúvida e a vergonha. Manifestações de comportamento como “birras”, a vontade de realizar tarefas sem receber ajuda (mesmo que com baixo nível de competência) e os “porquês” constantes são reflexo dessa busca.

As reacções dos pais às tentativas de autonomia por parte da criança irão assumir um papel fundamental na forma como esta resolve o conflito – humilhações, críticas  constantes, repreensões e punições contribuirão para o desenvolvimento de um sentimento de vergonha. A dúvida na sua capacidade para concretizar tarefas, por sua vez, emergirá através dos repetidos fracassos. Deste modo, caberá aos pais dosear a prestação de ajuda e o encorajamento na exploração do meio de forma autónoma.

Reflexão: Falamos imenso em “birras”, em crianças teimosas, como se estes comportamentos fossem anormais. Estas manifestações, ainda que nos possam deixar exaustos e desesperados, são extremamente saudáveis e sinal de um desenvolvimento adequado. Mais do que procurar formas de reprimir estes comportamentos, precisamos (pais e educadores) de encontrar estratégias de ajustar o nosso comportamento nessas situações, pois esse sim poderá condicionar a aprendizagem que procede aquele “birra”. Aceitem esta fase (mesmo que isso implique respirar e contar até 1000) como um reflexo do excelente trabalho que têm feito para que aquela criança cresça.

3ª Idade – Iniciativa vs Culpa (dos 3 aos 6 anos)

Nesta idade da vida a grande questão é: “Serei bom ou mau?”. O foco da criança deixa de ser a autonomia e as suas capacidades e passa a ser a moralidade e a aceitabilidade dos seus comportamentos. A par da linguagem, do pensamento, das habilidades motoras e do pensamento dá-se o desenvolvimento da imaginação e da curiosidade, sobretudo em relação ao corpo e às diferenças entre sexos.

Novamente, a forma como o meio envolvente, sobretudo os pais, reagem à curiosidade da criança irão determinar o seu grau de autoconfiança e de iniciativa. Reacções negativas irão transmitir a mensagem de que a sua curiosidade não é bem-vinda, o que pode provocar inibição excessiva, sentimentos de culpa e ansiedade, assim como pouca iniciativa na exploração do meio.

A resolução positiva do conflito deste estádio promoverá o gosto pela descoberta, a audácia e a capacidade de iniciativa.

Reflexão: Dizermos a uma criança que é má tem um impacto que podemos à partida não prever, pois toca no ponto com que esta mais se preocupa nesta fase. Como tenho vindo a dizer, o comportamento pode ser menos desejável, o que é totalmente diferente da criança ser má. Comportamento e criança (personalidade) não são a mesma coisa e nesta fase é extremamente importante fazer (e incutir) essa distinção.

4ª Idade – Indústria vs Inferioridade (dos 6 aos 12 anos)

Por “indústria” Erikson refere-se à competência, ao engenho, à produtividade no cumprimento de determinadas tarefas. Deste modo, o conflito que a criança enfrenta centra-se no facto de ser competente ou incompetente (muitas vezes por comparação com os pares).

Com a entrada no ensino escolar, novas competências são exigidas à criança, surgem novos desafios e o campo de interacção social alarga-se; esta passa a ser valorizada pelo que faz (competência) e não tanto pelo que é. Assim, o fracasso no desenvolvimento de competências, assim como a falta de incentivo e de apoio, assumem um forte impacto na sua auto-estima, podendo gerar sentimentos de inferioridade/descrença quanto às suas capacidades. Neste caso, o fracasso passa a ser percebido como inevitável e por isso o esforço e o empenho tendem a diminuir.

Na quarta idade existe uma vontade enorme de concretizar novas tarefas com sucesso, de aprender, de desenvolver sentimentos de competência. Quando tal acontece, isto é, quando há sucesso, há um aumento da autoconfiança, do prazer na realização das actividades e na auto-estima.

Reflexão: Contrariamente ao que por vezes os agentes educativos e as directrizes escolares pressupõem, as crianças neste estádio encontram-se motivadas para aprender. O problema, que é tão frequentemente ignorado, reside no tipo de tarefas que apresentamos às nossas crianças, no seu grau de exigência e no facto de ignorarem completamente os seus interesses e áreas de maior aptidão. Antes de ganharem competências as crianças precisam de acreditar que são competentes e isso conquista-se respeitando AQUELA criança em específico, sem pressas. Quando tal não se sucede, estamos a condicioná-las à partida, ditando que o seu percurso seja pautado por fracassos, frustrações e sentimentos de incompetência; e isto, meus caros, vai acompanhá-las ao longo da vida, não só naquele ano, não só naquela disciplina e não só naquela matéria.

Importa também frisar, e a escola deve apoiar os pais nesta tarefa, que o que a criança faz/consegue não dita quem é, isto é, que o seu grau de competência em determinada matéria se circunscreve a isso; deste modo evitaremos que tal se estenda às restantes áreas da sua auto-estima. Somos muito mais do que bons/menos bons nisto ou naquilo!

 

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3m’s – Menina, Mulher & Mãe (por Tânia Correia)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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