Menina, Mulher & Mãe

Amamentação – o óbvio e o menos óbvio

Amamentar é daquelas coisas que tem tanto de simples como de complicado. Se por um lado dispomos de equipamento para o efeito – leia-se mamas – por outro trata-se de uma actividade nova para as partes envolvidas – a mãe nunca usou as suas mamas como fonte de alimento, o bebé nunca precisou de fazer nada para se alimentar, limitava-se a receber o alimento necessário através do cordão umbilical.

No nosso caso, foi complicado. A Letícia nasceu quase prematura, tinha os valores da glicémia baixos (esteve quase a ir para a incubadora) e por isso, depois de ter mamado o meu leite, bebeu leite artificial (LA). Mais, tinha imensa dificuldade em permanecer acordada para mamar e em fazer a pega (colocava o lábio inferior para dentro). No hospital (privado) foram incansáveis, apareciam constantemente no quarto para assegurar que a pega estava a ser bem feita, para vigiar se o leite já tinha subido/descido (ao início produzes colostro, um líquido amarelado ou transparente) e para me motivarem.

Embora no hospital tenha dado sempre leite materno (LM) e de seguida LA, em casa decidi investir mais no primeiro. Dava LM, ela adormecia, acordava pouco tempo depois a querer mamar mais; na altura diziam-me que devia fazer intervalos, criar horários – tudo errado!

Na primeira consulta de pediatria a nossa filha tinha perdido peso, o que para um bebé que desde o nascimento se enquadrava no percentil 15 era péssimo. Chorei muito, senti-me a pior mãe do mundo por ter insistido no LM; a pediatra deu-nos duas alternativas: abandonar o LM ou continuar a dar entre o LA. Nos dias seguintes, com o aumento de consumo do LA, notava-se um desinteresse cada vez maior pelo LM, como resultado eu produzia cada vez menos; sentia-me triste porque adorava dar de mamar (aquele momento só nosso de pele com pele) e por acreditar que o meu leite era o alimento ideal para a nossa filha. Estava prestes a desistir quando recebi uma mensagem no facebook de uma prima do meu primo (daquelas pessoas simpáticas com quem raramente nos cruzamos) que dizia algo deste género: “Olá, Tânia! Espero que tudo esteja a correr bem. Não sei se sabes que me tornei conselheira de aleitamento materno, se precisares de alguma coisa, avisa“. Lembro-me de ter chorado de tão feliz que fiquei, aquela pessoa surgia no meu caminho na hora exacta.

A primeira sessão com a Cristina (a tal prima) foi fantástica – ouviu-me, acarinhou-me, sugeriu e deixou-me escolher o caminho que iríamos seguir. Contrariamente ao que me diziam, a Cristina explicou-me e provou-me (enviou material de apoio) as vantagens de amamentar em livre demanda (sempre que o bebé quer); tal também faria com que a minha produção aumentasse. Confesso-vos que as primeiras noites foram terríveis, enquanto com o LA ela mamava e dormia várias horas seguidas, com o LM tinha de acordar constantemente para dar de mamar (no início chegou a ser de 30 em 30 minutos). Gradualmente a produção foi aumentando, passei a ter de acordar menos vezes e a dar menos LA.

Contra todas as expectativas, a nossa filha mamou até aos 12 meses, altura em que, com muita pena minha, fez o desmame natural.

Dar de mamar foi das experiências mais maravilhosas e duras da minha vida. Gostava de ter sido avisada sobre alguns aspectos desde o início, de dispor de várias alternativas que só mais tarde descobri. Posto isto, deixo-vos uma lista com as aprendizagens que fui fazendo (sobretudo com a ajuda da Cristina) e que poderão fazer a diferença entre uma amamentação feliz e uma amamentação abandonada precocemente.

1 -Prepara-te para que não acertar à primeira. O bebé está programado para mamar, a tua mama está programada para dar leite, ainda assim nem tudo flui imediatamente. O bebé pode ter dificuldade em fazer a pega, pode ter tendência a adormecer assim que começa a mamar, entre outros; os teus mamilos podem ter um formato que não facilite a amamentação (podes usar bicos de silicone), podem ter mais tendência a formar gretas, entre outros. Com o tempo (pode demorar!) vais dominar isto e perceber o que resulta com vocês.

2 – Dá de mamar sempre que o bebé quiser. Não te foques em horários, em criar intervalos e rotinas, tudo isso surgirá naturalmente. O teu bebé necessita de se alimentar e, tal como todos nós, terá o seu ritmo de o fazer – há quem coma pouco em cada refeição, e por isso coma mais vezes ao dia, há quem coma mais em casa refeição, e por isso coma menos vezes ao dia. Além disso, o bebé mama de acordo com as suas necessidades em cada fase e será deste modo que as tuas mamas irão perceber a quantidade de leite que precisam de produzir.

3 – “As mamas não são armazéns, são fábricas”. Esta frase da Cristina é mágica e libertadora! Quando começares a amamentar irás reparar que nos segundos que antecedem a mamada as tuas mamas parecerão ter silicone de tão grandes e rijas que ficam; no final apenas te restarão duas uvas passa, moles e sem graça. Quando o bebé pede novamente para mamar e as tuas mamas ainda estão em modo uva passa sentirás que estás a produzir pouco, que ainda não tens leite suficiente para o alimentar, o que é altamente stressante. Eis que surge a Cristina com a explicação de que as nossas mamas não funcionam como armazéns, elas vão produzindo leite enquanto o bebé mama, pelo que uma mama aparentemente vazia não é uma mama inútil.

4 – Quanto mais os bebés mamam, mais leite produzimos.  Este princípio é básico mas menos óbvio do que se possa imaginar. Se sentes que estás a produzir pouco, permite que o bebé mame mais vezes ou, em último caso, recorre a uma bomba tira-leite (neste caso deverás ter muito cuidado para não começares a produzir demasiado leite e entrares num círculo vicioso em que por produzires demais tens de tirar com a bomba e ao tirar  vais produzir ainda mais).

5 – O vosso conforto é fundamental. Apanha as almofadas todas que andem aí por casa e constrói um castelo de almofadas que te permitam (e ao bebé) sentir confortável enquanto amamentas – nas costas, por baixo dos braços, no colo, vale tudo.

6 – Respira, relaxa e aproveita o momento. Enquanto a prolactina é a responsável pela produção de leite, a ocitocina, conhecida pela hormona do amor (é a que está também ligada aos orgasmos), é responsável por estimular a produção de prolactina e permitir que o tecido mamário se contraia de forma a que o leite passe pelas glândulas mamárias; traduzido por miúdos, a amamentação será mais fácil se tiveres relaxada pois a produção de ocitocina acontecerá de forma mais natural. Andares preocupada por teres “pouco leite” contribui para que tal aconteça.

7 – Não existem leites fracos, nem insuficientes, nem que alimentam pouco. Vais ouvir esta frase várias vezes, sobretudo quando o bebé chora, mesmo que por  outro motivo. O teu leite é óptimo, tem tudo o que o teu bebé necessita, nas quantidades exactas. Como referi, existem bebés que precisam de comer mais do que outros, que querem mamar como forma de consolo, entre tantas outras opções que em nada colocam em causa a qualidade do teu leite.

8 – Inicia a mamada na mama em que terminaste. Não me levou alargar em explicações técnicas, até porque não estou qualificada para isso, só quero transmitir a ideia de que enquanto amamentas a composição do leite vai-se alterando – inicialmente produzes um leite mais aguado, destinado a saciar a sede do bebé, ao passo que no final da mamada o leite torna-se mais rico em gordura e possui mais nutrientes e calorias. Se o bebé não esvaziar a mama e iniciar a mamada seguinte na outra mama poderá não chegar novamente à fase do leite mais rico em gordura; para evitar que tal suceda, deverás começar pela mama em que mamou da última vez.

9 – Existem dezenas de posições para dar de mamar. Recordo-me perfeitamente do dia em que a Cristina me perguntou se já tinha experimentado dar de mamar noutras posições – “como assim, outras posições?!”, perguntei eu completamente baralhada. Sim, existe uma espécie de “mamasutra” a que podes recorrer, com posições que poderão ser mais confortáveis do que a posição tradicional que sempre nos foi imposta. No nosso caso, a Leti mamar sentada (posição cavalinho) permitia que ficasse mais desperta e bolsasse muito menos no final (https://brasil.babycenter.com/a1500013/posi%C3%A7%C3%B5es-para-amamentar – apenas alguns exemplos).

10 – Cuida bem dos teus mamilos. Dares de mamar com mamilos feridos/gretados pode tornar-se impossível. Deste modo, coloca algumas gotas do teu próprio leite ou usa um creme adequado.

11 – A amamentação nocturna é importante. Conheço alguns casos de mães que decidiram “saltar” as mamadas da noite, dando LA, o que rapidamente condicionou a sua produção de leite. Durante a noite os níveis de prolactina atingem o seu pico, pelo que é fundamental dar de mamar neste período.

12 – Não laves as mamas antes de amamentar. A mama tem um cheiro próprio que incentiva o bebé a mamar, retirá-lo não é proveitoso.

13 – Podes sentir o útero a contrair durante a amamentação. Não te preocupes, é desejável que assim seja! Amamentar facilita a contracção do útero, isto é, que regresse ao seu tamanho original (já não precisas de um útero todo dilatado).

14 – “Passei o dia a dar de mamar”. Poderão existir dias em que andarás de mamas ao léu por saberes que dentro de momentos darás de mamar de novo, em que sentirás que passaste o dia a dar de mamar, em que te questionarás se amamentar é assim tão importante – é natural, senti o mesmo. Não obstante, são momentos de cansaço que passam, contrariamente aos benefícios da amamentação que duram uma vida inteira.

15 – Pede ajuda, não serás menos mãe por isso. Sem ajuda provavelmente a nossa aventura no mundo da amamentação teria durado menos de 1 mês. Se tens dúvidas, se notas que a amamentação poderia correr de forma diferente, procura ajuda profissional. Existem grupos no facebook dedicados ao aleitamento materno (embora alguns deles sejam compostos por pessoas fundamentalistas), a rede amamenta (http://amamenta.net/) e as conselheiras de aleitamento materno (CAM).

16 – Amamentar deverá ser prazeroso para ambos. Não o será todos os dias, em todos os momentos, pelo menos convém que seja na sua maioria. Se chegaste a um ponto em que já tentaste de tudo, em que sentes que realmente não está a ser proveitoso nem para ti nem para o bebé, tens direito a não querer prosseguir (na verdade tens direito logo desde o início). O LM é fundamental para o bebé, mas a felicidade e o bem-estar da mãe são mais.

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Posso encher o seu bebé de germes e, quem sabe, fazê-lo adoecer?

É isto que qualquer mãe ou pai ouvem quando as pessoas se aproximam repentinamente do bebé e tentam beijá-lo e/ou tocar-lhe na cara e nas mãos. Rapidamente soa um alerta mental com direito a buzinas ruidosas e luzes vermelhas que nos impelem a fugir – “Alerta!!! Perigo eminente!!! Evacue o espaço!!!”. Cheguei a sentir-me aquele pedaço de bolacha que cai no parque infantil e rapidamente se vê cercado de formigas que o atacam de todos os flancos – “ele é” outras crianças a tentar mexer na cara do bebé, “ele é”adultos que acham o bebé lindo e por isso querem beijar-lhe as mãos, no fundo “ele é” mãos e bocas que surgem sem aviso. Como é perceptível, um simples passeio pode tornar-se num momento de alguma tensão.

Acredito que tomaram banho de manhã e se sentem a coisa mais “fresh & clean” de sempre, mas a verdade é que não são (nem vocês nem ninguém, não se ofendam). As nossas mãos mexem em dezenas de coisas imundas que, apesar de para nós não apresentem qualquer risco, são altamente prejudiciais para um bebé; a vossa boca é igualmente uma forte transmissora de doenças que embora não vos afectem podem fazê-lo a um bebé, como é o caso do herpes que nos causa apenas algum desconforto ao passo que num recém-nascido pode ser fatal. Mais, não pensem que por beijarem as mãos do bebé não há forma de contágio, pelo contrário, tal quase equivale a beijar a boca do bebé, pois será aí que as mãos irão parar.

Reparem que os bebés vão recebendo as vacinas de forma gradual, mantendo um sistema imunitário algo frágil durante os primeiros tempos. Sei que antigamente as crianças nem recebiam vacinas, que a tia Lurdes beijou todos os sobrinhos na boca ainda na maternidade, que não se esterilizavam os biberões e as chuchas – sim, é verdade, e a taxa de mortalidade infantil era assustadora exactamente por isso! Não vos digo que coloquem as crianças numa redoma ou que fujam de qualquer contacto com os outros – um sistema imunitários que nunca é colocado à prova não se fortalece –  defendo sim que se tenham alguns cuidados, sobretudo nos primeiros meses, como lavar bem as mãos e dar beijinhos/tocar por cima da roupa. Além disso, há que fazer uma leitura das vontades dos pais – esta é a regra de ouro!

Deixo-vos uma lista de alguns comportamentos que poderão adoptar com o intuito de afastar aquelas pessoas que se aproximam do vosso bebé e, ignorando as vossas vontades, tentam “beijar-lhe as mãozinhas fofas e a carinha laroca”:

1 – Soltar um grito à Homer Simpson (D’oh!);

2 – Ensinar o bebé a bolsar nestes momentos (esta é difícil, eu sei);

3 – Fingir que a criança está com uma doença contagiosa;

4 – Fugir com o carro de bebé (para quem usa) e só parar quando encontrarem um local seguro;

5 – Nos dias em que estiverem com menos paciência, usem alguém como transmissor da mensagem (a minha mãe dizia de imediato “toquem só na roupa, a mãe detesta que toquem na pele da menina“);

6 – Colocar rapidamente a nossa mão à frente da boca/mão da pessoa no momento do contacto físico;

7 – Simplesmente ser assertivo e dizer “isso não!” (se quem está do outro lado se ofender, esse será um problema que terá de resolver com o tempo; nós estaremos muito ocupadas a ver os nossos filhos crescerem saudáveis).

Eu sei que os bebés são seres maravilhosos e que a vontade de os acarinhar é instintiva. Como referi, podemos fazê-lo, respeitando os desejos dos pais e adoptando alguns cuidados básicos. O amor e carinho são essenciais no desenvolvimento do bebé, tal como a sua saúde.

 

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Mulheres à Obra – mulheres empreendedoras como tu

Carla Lopes e Camila Rodrigues conheceram-se através de um grupo de facebook. Tudo começou com base numa conversa banal em que uma mãe partilhava a sua vontade de trabalhar a partir de casa, a que se seguiu um debate sobre a pertinência de existir um local onde mulheres empreendedoras pudessem partilhar experiências, ideias e recolher informação pertinente sobre a construção de negócios. Carla e Camila puseram mãos à obra – o nome do grupo não foi escolhido por acaso – e decidiram criar o grupo de facebook Mulheres à Obra, visando responder às diversas necessidades de quem procura criar um negócio ou melhorar o que possui.

Devido ao enorme sucesso do grupo e ao interesse demonstrado por outras entidades em criar parcerias, dentro de alguns meses será lançado um Portal. Aqui poderão encontrar formações on-line, cursos na sua maioria gratuitos, links que remetem para sites com informação sobre a criação de empresas, legislação em vigor, artigos regulares sobre diversas questões ligadas ao empreendedorismo, parcerias, listas de entidades de confiança (com as quais já colaboraram) pertencentes a diversas áreas e eventos de networking.

Apesar de existir concorrência – várias pessoas da mesma área – não se verifica uma competição desmesurada entre as “membras” (nome carinhoso dado pelas administradoras) do grupo, sendo que estas cooperam entre si independentemente de trabalharem na mesma área (algumas até criaram pequenos documentos/vídeos onde explicam a base da sua área de negócio). Em termos práticos, estabelecem-se regularmente parcerias, compram-se serviços a preços especiais (várias mulheres criaram um valor tabela diferente para “membras”), esclarecem-se dúvidas ligadas à legislação, divulgam-se eventos de empreendedorismos, partilham-se ideias e dúvidas sobre possíveis negócios (algumas para mães que pretendem trabalhar a partir de casa) e aproveitam-se propostas de trabalho que vão surgindo.

Se tens alguma ideia na gaveta, um sonho antigo, montes de dúvidas e incertezas, junta-te ao grupo – https://www.facebook.com/groups/394280080927656/ – e partilha; aqui ninguém fica sem resposta. Irás encontrar mais de 2000 meninas, mulheres e mães empreendedoras, de diversas áreas, cheias de vontade de (entre)ajudar.

 

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Obrigada, avós queridos

Obrigada por me amarem ainda antes de nascer, por me permitirem saber que os meus pais não são os únicos a amar-me, por pensarem em mim com tanto carinho.

Obrigada por sonharem comigo e me desejarem, ainda que por vezes se sentissem inseguroem relação ao futuro.

Obrigada por apoiarem os papás, por lhes darem colo nas fases menos coloridas, por lhes darem hipótese de repousarem e voltarem mais disponíveis para mim.

Obrigada por cuidarem dos meus pais enquanto eu não existia. Criaram o que de melhor há em mim, construíram a base da minha vida, transmitiram-lhes grande parte do que hoje são e do que amanhã serei.

Obrigada por me deseducarem, pelos doces às escondidas, os snacks fora de horas, os incentivos às malandrices.

Obrigada por todas as brincadeiras, todos os saltos, todos os passeios, por todas as gargalhadas partilhadas.

Obrigada por verem o melhor de mim, por cada lágrima nos olhos quando aprendi algo novo, por cada vez que me levantaram do chão, sacudiram a poeira dos joelhos e me permitiram tentar de novo.

Obrigada por cada abraço, cada mimo, cada beijinho repenicado, cada afagar a cabeça, cada troca de olhares.

Obrigada pela paciência em cada birra, cada suspiro mais profundo, cada aviso carinhoso.

Obrigada por me verem como uma das melhores coisas que vos aconteceu.

Acima de tudo, obrigada por me darem o vosso coração. Vocês vivem no meu e em mim.

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A culpa é da mãe

Se escreverem a palavra maternidade num qualquer motor de busca irão reparar que a palavra culpa surge associada (estou a brincar, não faço ideia se isso acontece, apenas sei que tal se sucede na realidade). Assim que damos à luz aprendemos duas lições: 1) para o mundo a mãe é a principal responsável pelo bebé, o pai é apenas aquele assistente que “dá uma mãozinha”; 2) comportamentos “menos desejáveis” por parte do bebé são resultado da nossa pessoa (por nossa entenda-se exclusivamente da mãe). Deste modo, rapidamente percebemos que o pai é um pobre coitado que nada pode fazer, um actor secundário numa peça protagonizada pela mãe; o bebé é um adereço, não lhe são atribuídas motivações nem características próprias, um ser que recebe passivamente a informação e a reproduz.

Quando te tornas mãe além de um bebé ganhas uns quantos dedos apontados. Curiosamente, esses mesmos dedos desaparecem nos momentos de conquista e vitória, pois aí a “culpa” não te é atribuída – bem-vinda ao mundo dos dois pesos e duas medidas!

… Se o parto corre bem, o bebé um valente, tiveste uma hora abençoada, a equipa médica era boa.

… Se o parto corre menos bem, não soubeste fazer força nos momentos certos, não tens elasticidade suficiente, não te soubeste impor.

… Se o bebé mama bem, é um comilão, um guloso, tu és uma sortuda.

… Se o bebé mama menos bem, o teu leite é fraco/não alimenta, os teus mamilos não têm um bom formato, produzes pouco leite.

… Se o bebé dorme a noite toda, é um dorminhoco, um anjinho, uma bênção.

… Se o bebé acorda durante a noite, o teu leite é fraco, não sabes treinar o sono dele (tens de o deixar chorar e dar-lhe menos colo).

… Se o bebé tem um bom desenvolvimento, é espertalhão, atento, malandreco.

… Se o bebé tem um desenvolvimento menos próximo da média, a mãe não teve os devidos cuidados durante a gravidez, não o soube estimular, protegeu-o em demasia.

… Se o bebé gosta de estar no chão, é dono do seu nariz, independente, um crescido.

… Se o bebé prefere estar no colo, está mal-habituado, é dependente da mãe.

… Se o bebé faz menos birras, é fácil de lidar, bem comportado, um pachola.

… Se o bebé faz mais birras, a mãe não soube impor limites, dar-lhe uma palmada na hora certa.

… Se a criança come bem, é bom garfo, tem boa boca, tem um apetite invejável.

… Se a criança come pouco, a mãe não tem mão para a cozinha, não faz comidas saborosas, põe pouco sal.

Podia escrever uma lista digna de preencher um papiro, exemplos não faltariam. A culpa, atribuída por nós ou pelos outros, sobretudo no início em que nos sentimos mais inseguras, surge com frequência e sussurra-nos frases inquietantes ao ouvido. Nesse momento, agarra-a pelos cabelos, olha-a nos olhos e trata-a pelo nome – responsabilidade. Tu, tal como o pai, são responsáveis por aquele bebé (sim, este filme tem dois actores principais). A vossa principal responsabilidade consiste em darem o vosso melhor, o que é totalmente diferente de acertarem em tudo à primeira. Sim, tenho responsabilidade, tal como o pai (repito propositadamente) , em vários comportamentos da minha filha; já existiram birras que podia ter evitado, fases em que o sono era menos bom por comportamentos que eu mantinha, dias em que comeu menos bem por eu não ter compreendido o que ela queria. No meio de tudo isto existe a interferência das características da minha filha, ela tem um temperamento próprio, tem preferências, já vai fazendo escolhas (sim, ela tem vontade própria). Por último, existem os factores externos, que não são responsabilidade de ninguém, mas influenciam o modo como as situações se desenrolam (como por exemplo a minha filha não ter feito a sesta por nesse dia existir um bailarico junto à nossa casa).

Por último, e mais importante, reparem que a responsabilidade também é vossa quando o vosso filho salta, corre, brinca, ri, sorri, é feliz. Esta responsabilidade não vos é apontada com a mesma frequência, o número de pessoas que vos diz “fazes esta criança tão feliz” é menor. Não obstante, acreditem que em cada salto, em cada correria pela casa, em cada brincadeira, em cada sorriso e em cada riso essa responsabilidade está presente; um dia os vossos filhos irão traduzi-la em gestos e palavras de amor.

3m´s – Menina, Mulher & Mãe

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Mãe antes dos 25 – as novas mães adolescentes

A minha mãe teve a sua primeira filha – eu – aos 26 anos, na altura era uma idade dita “ideal” para o efeito, a minha mãe era apenas mais uma grávida entre tantas outras com a mesma idade. Embora não acredite em idades “ideais” para ter filhos, o facto de as mulheres engravidarem cada vez mais tarde levou a que a média de idades das recém-mamãs  aumentasse, o que se traduziu numa mudança relativamente ao que consideramos uma idade adequada para conhecer o mundo da maternidade.

Engravidei (intencionalmente) aos 24 anos, fui mãe aos 25 (apesar de me considerar mãe desde o dia em que soube que estava grávida). Quando engravidei estava em Angola, recordo-me de alguns meses antes me perguntarem várias vezes se havia algum problema connosco enquanto casal (problemas de infertilidade), se precisávamos de ajuda (aquelas dicas milagrosas como piscar os olhos 3 vezes, morder um limão e apontar o dedo do pé para nordeste durante o acto), e até de nos verem como “aquele casal que não vai ter filhos”; para os padrões angolanos estávamos fora do prazo. Quando chego a Portugal deparo-me com uma realidade oposta, rapidamente me senti inserida numa espécie de grupo de “mães adolescentes”, grupo esse que anteriormente abrangia as faixas etárias abaixo dos 18 anos e agora passava a estender-se aos 25 anos (ou mais). Posso contar pelos dedos das mãos o número de mães com idades próximas da minha que conheci desde a gravidez até agora, habitualmente era a única mãe com menos de 30 anos na sala de espera do hospital, nos workshops, entre tantos outros. Por vezes travavam-se conversas a partir das quais percebia que, contrariamente ao que imaginava, também era o  primeiro filho daquelas mulheres; havia algum espanto quando revelava que a minha gravidez tinha sido planeada, surgindo frequentemente comentários como “mas ainda é tão nova” e “é corajosa por ter um filho tão cedo“.

Habituei-me ao título de “mãe jovem” que me acompanhou durante toda a gravidez. Tive oportunidade de conhecer as suas vantagens e desvantagens – nas consultas e nas ecografias este aspecto era sempre valorizado por funcionar como factor protector (“podia acontecer isto e aquilo, mas como é jovem o risco é mínimo“); no pós-parto uma das enfermeiras exigia que a minha recuperação fosse mais rápida por, segundo a própria, ser “a mãe mais jovem de todo o piso“. Dois anos depois, sou a encarregada de educação mais jovem da sala da minha filha, sendo que tenho alguns anos de diferença dos restantes pais; ao início sentia-me desconfortável com esta situação, parecia a miúda que ia deixar a outra miúda à creche, evitava expressar grandes opiniões por sentir que não seriam tidas em conta, contudo ao longo do tempo passei a sentir-me segura neste papel (ai maternidade, toda tu és aprendizagem!). Noto, também, que por ser uma mãe mais jovem por vezes existe uma maior tendência por parte das pessoas para darem opiniões, como se a idade traduzisse o grau de competência parental.

Uma vantagem inigualável de ter filhos “mais tarde” é o aumento da probabilidade de os avós já se encontrarem reformados e por isso estarem disponíveis para apoiar os netos – permanecerem com eles em casa até os pais sentirem que será vantajoso entrarem para a creche, no caso das crianças que frequentam a creche podem entrar mais tarde e sair mais cedo, podem cuidar dos netos quando estão doentes, evitando que os pais faltem ao trabalho, além de servirem de figura de referência por estarem verdadeiramente integrados na vida dos netos. Outra vantagem prende-se com o facto de existirem ao redor amigas com filhos, com quem partilhar dúvidas, desabafar, receber roupinhas e outros bens em segunda mão que nos fazem poupar una quantos euros – eu não tive essa sorte, fui e continuo a ser a única mãe no meu grupo de amigas mais próximas.

Em nada me arrependo da idade em que fui mãe, agrada-me a ideia de não sentir qualquer pressa de ter mais filhos por “os anos estarem a passar”, de ver o tempo como um mar de possibilidades e me poder deixar levar. Terá sido a idade ideal? Devia ter esperado mais tempo, aproveitado mais a liberdade de viver com menos responsabilidade? Sim, viveria com menos responsabilidades, mas seria mais tempo vivido sem conhecer este amor arrebatador.

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Os ídolos de uma mãe

Desculpem Homem-aranha, Mulher-maravilha, Super-homem, Xena e afins. Ao longo dos tempos o vosso brilho foi desvanecendo e ergueram-se novos/novas heróis/heroínas, estes/estas sim capazes de proezas sobre-humanas que nos roubam o fôlego. O mais incrível é que estas criaturas admiráveis vivem entre nós, não dispõem de poderes sobrenaturais, apenas lutam diariamente pela sua felicidade. Deixem-me que vos fale de alguns deles.

Mães/Pais que valem por dois

Quando me cruzo com estes progenitores sinto uma vontade enorme de lhes fazer uma vénia, abraçá-los e, enquanto os agarro pelos ombros, perguntar-lhes “como é que consegues?”; a sério, parece impossível! Estive em casa com a minha filha durante 15 meses, mas à noite tinha a ajuda do papá que entretanto chegava. Carregar sozinha o peso de todas as responsabilidades inerentes a ter uma criança – preparar refeições, dar banho, dar colo, brincar, decidir qual a postura que devo adoptar perante determinada situação – sem qualquer apoio, não parece exequível. Além disso, não há com quem dividir o cansaço, quem fique com as crianças quando estou com uma dor de cabeça terrível e preciso de me deitar durante 2 minutos. Tenho tanta admiração pela vossa resiliência e aposto que os vossos filhotes, ainda que até determinada idade não o consigam expressar claramente, também terão.

Pais com filhos em fases delicadas

Nos dois anos de vida da minha filha passámos apenas uma noite no hospital e foi terrível. Desde a ver chorar em pânico enquanto lhe faziam análises e exames algo dolorosos, sem que esta percebesse o motivo dos pais permitirem que lhe causassem aquele sofrimento, passando pela dificuldade em mantê-la fechada no cubículo do Serviço de Observação, até ao medo de não saber o que vinha a seguir. No nosso caso (felizmente) não passou de uma noite, contudo há quem viva assim meses/anos.

Sem qualquer aviso, estas crianças e os seus pais vivem uma fase dura, muitos sem qualquer apoio. Ficam privados de trabalhar para prestar os melhores cuidados aos seus filhos, o tempo para cuidar de si e responder às suas necessidades torna-se limitado, os planos que tinham vão-se esbatendo, a vida dá uma volta brutal. Muitos deles nunca se imaginaram nesta posição, não têm contactos de pessoas “importantes” nem grandes recursos, usam a sua força interior para ir superando cada obstáculo que surge. Sim, muitos deles conseguem dar um significado a esta experiência e viver de forma relativamente tranquila, o que me leva a sorrir quando conheço as suas histórias e, mais uma vez, sentir uma grande vontade de os abraçar enquanto lhes sussurro ao ouvido: “como vos admiro!“.

Sinceramente, sinto que estas famílias são a tradução real de como o amor por um filho move montanhas e nos torna capazes de enfrentar os maiores monstros com uma espada de papel.

Pais que se vêem obrigados a separar dos filhos

Antes de ir para Angola comecei a seguir o blogue de uma senhora que vivia lá há 2 anos. Recordo-me perfeitamente do dia em que publicou uma foto sua no avião com o desenho da sua filha no colo, claramente esborratado com algumas lágrimas, e em que escrevia algo como: “Custa sempre, por vezes até parece custar mais. Até daqui a 6 meses, meu amor!”. Na altura estava longe de me tornar mãe mas fiquei com o coração despedaçado ao imaginar como se sentiria aquela mulher.

Independentemente das questões que se possam levantar ligadas ao que pesa para quem toma a decisão de, contra a sua vontade, deixar os filhos (para conseguir trabalho noutro país, para cumprir o dever militar, etc.), a verdade é que se trata certamente de um acto envolto em sofrimento.

Pais que estão longe de tudo e todos

Conheço várias famílias nesta situação e já por várias vezes partilhámos lágrimas. Viver longe de tudo e todos é duro! Os pais sentem falta do apoio da família, daquele ente querido que nos bate à porta com uma sopinha e se oferece  para cuidar do bebé enquanto vamos tomar banho ou simplesmente nos manda sentar no sofá.

O suporte social é essencial na transição para a parentalidade, sentir que existe alguém por perto que se mostra disponível para prestar apoio a vários níveis e com quem podemos contar caso precisemos (aquela velha segurança de sentirmos que existe um plano B).

No caso destes pais, por vezes não há a avó por perto para cuidar da neta enquanto os pais vão jantar fora, não há hipótese de o tio João ir levar a sobrinha à natação quando os pais saem mais tarde do trabalho, existem aniversários e outros dias importantes que são meramente partilhados com recurso ao Skype.

Ser pai/mãe é uma tarefa árdua, no caso destes pais é um acto heróico.

Pais cujos pais não estão presentes

Não consigo imaginar como teriam sido os primeiros dias após o nascimento da minha filha se não tivesse tido o apoio da minha mãe. Ter ao nosso lado alguém com experiência, que nos conheço bem e serve de modelo torna o processo mais leve.

Esta aventura pelo mundo da maternidade permitiu-me conhecer várias mulheres que não têm a sua mãe por perto (quase todas por falecimento); percebi que este aspecto afecta bastante a maioria das recém-mamãs, como se a questão “o que farias nesta situação?”, a constatação “precisava tanto de ti agora” e a incerteza de “estarás orgulhosa de mim?” pairassem no ar frequentemente. Além disso, não ter por perto aquela que habitualmente é a figura de maior confiança para cuidar do bebé na ausência (temporária) dos pais causa, por vezes, um sentimento de algum abandono.

Ainda que as nossas relações com as progenitoras – e aqui falo por mim – possam ser agridoces, a sua presença pode ser vital. Conseguir enfrentar a maternidade, sobretudo no início, sem este colo é extraordinário.

Pais de gémeos

Este é um clássico! Depois de termos filhos torna-se inevitável cruzarmos-nos com pais de gémeos sem nos imaginarmos no seu papel; o sentimento mais comum é uma vontade enorme de fugir! Sim, a felicidade é a dobrar, mas os choros, o peso do ovo onde os carregamos e as despesas também.

Pais de gémeos, vocês são qualquer coisa!

Pais com filhos que são estrelas

Já vos falei da forma como vejo as mães cujos filhos se tornam estrelas no céu – As mães de estrelas também são mães!. Admiro imenso estas mães, estes casais, estas famílias, que enfrentam aquela que, para mim, deverá ser uma das experiências mais dolorosas que alguém pode enfrentar ao longo a vida.

Conseguir dar sentido a este acontecimento, lidar com tudo o que lhe é inerente, voltar a sorrir para a vida, são actos de grande coragem e que me fazem acreditar que nestas pessoas vivem poderes sobrenaturais.

 

Na verdade, admiro todos os pais/mães que diariamente dão o seu melhor; no seu mundo, dentro da sua escala, enfrentam obstáculos e superam-nos movidos pelo amor que têm pelos filhos. Existirá acto mais heróico do que amar incondicionalmente alguém sem esperar nada em troca?

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