Menina, Mulher & Mãe

Quando o amor não nasce no parto

Assim que nasceste, encostaram-te a mim. Não me recordo de alguma vez me ter sentido tão bem, verdadeiramente em paz, foi quase como se o tempo congelasse e estivéssemos só as duas na sala. Cheirei a tua pequenina cabeça, olhei fixamente para cada detalhe teu e fechei os olhos com esperança de conseguir gravá-los na minha mente. Depois de tantos meses de espera, ali estavas tu, tão frágil e tão forte.

Desde logo senti o peso da responsabilidade que seria cuidar de ti, não só hoje ou amanhã, para sempre; senti também uma necessidade enorme de te proteger, de te manter a salvo, de assegurar o melhor para ti. Contudo, não experienciei, ou pelo menos não o reconheci como tal, aquele amor imediato que sempre me foi descrito.

Recordo-me de a Ana, uma amiga cuja filha nasceu na mesma altura que tu, escrever longas declarações de amor à filha, onde falava no maior amor que já conheceu; eu sabia que serias o grande amor da minha vida (pelo menos um deles) mas não o sentia de imediato, não conseguia proferir tais palavras, não me pareciam sinceras.

Não imaginas como chorei ao confrontar-me com a ideia de que talvez não te amasse. Como era possível? Eu desejei-te tanto, cantei para ti na barriga, preparei a tua chegada ao pormenor, sonhei contigo tantas vezes. Eu adoro crianças, como poderia não amar a minha?! Nunca tinha ouvido nenhum relato de uma mãe (mentalmente sã) que não amasse imediatamente o seu bebé, por isso algo de muito errado se deveria passar comigo!

Precisava de falar sobre o assunto, mas o receio de ser julgada sobrepunha-se. Não queria que pensassem que não te queria quando tal não era verdade, eu dava o meu melhor, talvez até em demasia, para ser uma boa mãe, cuidava de ti com imenso empenho, apenas não conseguia dizer que te amava perdidamente.

Hoje sei que o nosso amor sempre existiu, ainda que nem sempre o tenha sentido dessa forma. Ele nasceu pequenino, não com o seu tamanho final, tal como tu. Surgiu subtilmente, à medida que nos íamos conhecendo, compreendendo e partilhando. Ele aumentava cada vez que mamavas,  que te embalava, que dormias encostada a mim, que me fixavas com os teus doces olhos, que pedias o meu o colo. Em pouco tempo tornaste-te o meu tudo (como te chamo).

Nem sempre o amor nasce enorme, por vezes cresce, desenvolve-se e constrói-se a um ritmo próprio, como tu, como eu, como nós. Tal não faz dele mais ou menos forte, mais ou menos duradouro, apenas o torna naquilo que realmente o caracteriza – ser único.

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Menina, Mulher & Mãe

Não estás pronta para ser mãe

Desculpa dizê-lo de forma tão dura, mas não encontro outra maneira de o fazer. Não interessa se tens 18 anos ou 50, se sempre conviveste com crianças ou nunca estiveste perto de uma, se te sentes imensamente motivada para esta fase de vida ou não, se é o teu primeiro filho ou o terceiro, se a maternidade estava nos teus planos,  se tens muitos ou poucos recursos financeiros, se tens tudo a postos para a chegada do bebé ou ainda nem pensaste no assunto. Nada disto importa, nem altera o facto de não estares pronta para ser mãe:

… Não estás pronta para ver o teu corpo mudar, ganhar novos contornos, deixar de assentar tão bem nas tuas roupas favoritas.

… Não estás pronta para sentir enjoos, dores de costas, dores nas mamas, sono, azia; todo um role de sintomas desagradáveis.

… Não estás pronta para as dores do parto.

… Não estás pronta para passar noites em branco, a dar de mamar ininterruptamente, a mudar fraldas, a lidar com cólicas ou dentes a nascer.

… Não estás pronta para lidar com o choro do bebé horas a fio.

… Não estás pronta para lidar com a incerteza, com a frustração de não compreenderes o que se passa com o teu bebé, o que podes fazer para o ajudar.

… Não estás pronta para constatar que jamais serás a mãe perfeita que sempre imaginaste.

… Não estás pronta para deixar de pensar apenas em ti, no que queres fazer, no que te apetece naquele momento.

… Não estás pronta para lidar com o peso de cuidar sem pausas, sem folgas, nem feriados.

… Não estás pronta para perder a tua identidade.

Existem ainda outras experiências para as quais não estás pronta e sobre as quais ninguém te falou:

… Não estás pronta para ver o teu corpo alterar-se de modo a que o teu bebé se encaixe perfeitamente nele e retire daí tudo o que necessita – alimento, contacto, conforto e amor.

… Não estás pronta para perceber que o teu corpo está preparado e saberá o que fazer no momento do parto.

… Não estás pronta para sorrir cada vez que os vossos olhares se cruzam.

… Não estás pronta para ficar em segundo plano mas ainda assim sentires que tens um dos papéis principais, um foco de luz que provém dos olhos do teu bebé e te segue onde quer que vás.

… Não estás pronta para descobrir uma nova forma de liberdade, em que não podes fazer o que queres, quando queres, mas em que aprendes a tirar o máximo de prazer de pequenos momentos.

… Não estás pronta para esquecer o peso de cuidar sem pausas, sem folgas, nem feriados, com apenas um sorriso, um toque suave daquela mão pequenina no teu rosto, um “mamã” dito de olhos a brilhar.

… Não estás pronta para te habituares a sair de casa cheia de mochilas, lanches e outros mimos, ao ponto de deixar de fazer sentido sair de casa só com a tua mala.

… Não estás pronta para colocar tudo o que sempre acreditaste em causa e descobrir novas formas de agir e educar.

… Não estás pronta para perceber que não queres ser a mãe perfeita que sempre imaginaste mas sim a melhor mãe que consegues ser, aquela que o teu bebé precisa, uma mãe real que tem a humildade de aprender diariamente.

… Não estás pronta para descobrir que tens em ti uma bússola valiosa – o teu instinto – que te irá guiar nesta aventura e conduzir a novos destinos (competências).

… Não estás pronta para passar madrugadas a contemplar cada detalhe do teu bebé apesar do imenso sono.

… Não estás pronta para ganhar um propósito na vida, encontrar resposta para aquelas dúvidas existenciais que sempre te assolaram.

… Não estás pronta para perder a tua identidade, vê-la a transformar-se e a partir daí surgir algo novo, que reúne maravilhosamente os teus papéis antigos e mais recentes.

… Não estás pronta para perceber que tens junto a ti tudo o que precisas.

… Não estás pronta para constatar que parte de ti passou a viver fora do teu corpo, e onde quer que vá tu também irás.

… Não estás pronta para sentir tanto amor ao ponto de te doer o peito.

… Não estás pronta para um simples abraço transformar os dias mais negros em dias luminosos.

… Não estás pronta para passar o dia a pensar no quanto amas aquela pessoa, para sentires saudades mesmo quando a tens ao lado.

… Não estás pronta para perceber que todo o teu percurso faz sentido – os talvez, as saborosas conquistas, as dolorosas perdas – tudo te conduziu a este ponto, a este lugar, a este grande amor.

 

Não estás pronta para ser mãe, na verdade não precisas de estar. É impossível sentirmos-nos preparadas para algo que não conhecemos. Além disso, o amor flui, não se treina nem “prepara”.

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Amamentação – o óbvio e o menos óbvio

Amamentar é daquelas coisas que tem tanto de simples como de complicado. Se por um lado dispomos de equipamento para o efeito – leia-se mamas – por outro trata-se de uma actividade nova para as partes envolvidas – a mãe nunca usou as suas mamas como fonte de alimento, o bebé nunca precisou de fazer nada para se alimentar, limitava-se a receber o alimento necessário através do cordão umbilical.

No nosso caso, foi complicado. A Letícia nasceu quase prematura, tinha os valores da glicémia baixos (esteve quase a ir para a incubadora) e por isso, depois de ter mamado o meu leite, bebeu leite artificial (LA). Mais, tinha imensa dificuldade em permanecer acordada para mamar e em fazer a pega (colocava o lábio inferior para dentro). No hospital (privado) foram incansáveis, apareciam constantemente no quarto para assegurar que a pega estava a ser bem feita, para vigiar se o leite já tinha subido/descido (ao início produzes colostro, um líquido amarelado ou transparente) e para me motivarem.

Embora no hospital tenha dado sempre leite materno (LM) e de seguida LA, em casa decidi investir mais no primeiro. Dava LM, ela adormecia, acordava pouco tempo depois a querer mamar mais; na altura diziam-me que devia fazer intervalos, criar horários – tudo errado!

Na primeira consulta de pediatria a nossa filha tinha perdido peso, o que para um bebé que desde o nascimento se enquadrava no percentil 15 era péssimo. Chorei muito, senti-me a pior mãe do mundo por ter insistido no LM; a pediatra deu-nos duas alternativas: abandonar o LM ou continuar a dar entre o LA. Nos dias seguintes, com o aumento de consumo do LA, notava-se um desinteresse cada vez maior pelo LM, como resultado eu produzia cada vez menos; sentia-me triste porque adorava dar de mamar (aquele momento só nosso de pele com pele) e por acreditar que o meu leite era o alimento ideal para a nossa filha. Estava prestes a desistir quando recebi uma mensagem no facebook de uma prima do meu primo (daquelas pessoas simpáticas com quem raramente nos cruzamos) que dizia algo deste género: “Olá, Tânia! Espero que tudo esteja a correr bem. Não sei se sabes que me tornei conselheira de aleitamento materno, se precisares de alguma coisa, avisa“. Lembro-me de ter chorado de tão feliz que fiquei, aquela pessoa surgia no meu caminho na hora exacta.

A primeira sessão com a Cristina (a tal prima) foi fantástica – ouviu-me, acarinhou-me, sugeriu e deixou-me escolher o caminho que iríamos seguir. Contrariamente ao que me diziam, a Cristina explicou-me e provou-me (enviou material de apoio) as vantagens de amamentar em livre demanda (sempre que o bebé quer); tal também faria com que a minha produção aumentasse. Confesso-vos que as primeiras noites foram terríveis, enquanto com o LA ela mamava e dormia várias horas seguidas, com o LM tinha de acordar constantemente para dar de mamar (no início chegou a ser de 30 em 30 minutos). Gradualmente a produção foi aumentando, passei a ter de acordar menos vezes e a dar menos LA.

Contra todas as expectativas, a nossa filha mamou até aos 12 meses, altura em que, com muita pena minha, fez o desmame natural.

Dar de mamar foi das experiências mais maravilhosas e duras da minha vida. Gostava de ter sido avisada sobre alguns aspectos desde o início, de dispor de várias alternativas que só mais tarde descobri. Posto isto, deixo-vos uma lista com as aprendizagens que fui fazendo (sobretudo com a ajuda da Cristina) e que poderão fazer a diferença entre uma amamentação feliz e uma amamentação abandonada precocemente.

1 -Prepara-te para que não acertar à primeira. O bebé está programado para mamar, a tua mama está programada para dar leite, ainda assim nem tudo flui imediatamente. O bebé pode ter dificuldade em fazer a pega, pode ter tendência a adormecer assim que começa a mamar, entre outros; os teus mamilos podem ter um formato que não facilite a amamentação (podes usar bicos de silicone), podem ter mais tendência a formar gretas, entre outros. Com o tempo (pode demorar!) vais dominar isto e perceber o que resulta com vocês.

2 – Dá de mamar sempre que o bebé quiser. Não te foques em horários, em criar intervalos e rotinas, tudo isso surgirá naturalmente. O teu bebé necessita de se alimentar e, tal como todos nós, terá o seu ritmo de o fazer – há quem coma pouco em cada refeição, e por isso coma mais vezes ao dia, há quem coma mais em cada refeição, e por isso coma menos vezes ao dia. Além disso, o bebé mama de acordo com as suas necessidades em cada fase e será deste modo que as tuas mamas irão perceber a quantidade de leite que precisam de produzir.

3 – “As mamas não são armazéns, são fábricas”. Esta frase da Cristina é mágica e libertadora! Quando começares a amamentar irás reparar que nos segundos que antecedem a mamada as tuas mamas parecem ter silicone de tão grandes e rijas que ficam; no final apenas te restarão duas uvas passa, moles e sem graça. Quando o bebé pede novamente para mamar e as tuas mamas ainda estão em modo uva passa sentirás que estás a produzir pouco, que ainda não tens leite suficiente para o alimentar, o que é altamente stressante. Eis que surge a Cristina com a explicação de que as nossas mamas não funcionam como armazéns, elas vão produzindo leite enquanto o bebé mama, pelo que uma mama aparentemente vazia não é uma mama inútil.

4 – Quanto mais os bebés mamam, mais leite produzimos.  Este princípio é básico mas menos óbvio do que se possa imaginar. Se sentes que estás a produzir pouco, permite que o bebé mame mais vezes ou, em último caso, recorre a uma bomba tira-leite (deverás ter muito cuidado para não começares a produzir demasiado leite e entrares num círculo vicioso em que por produzires demais tens de tirar com a bomba e ao tirar  vais produzir ainda mais).

5 – O vosso conforto é fundamental. Apanha as almofadas todas que andem aí por casa e constrói um castelo de almofadas que te permitam (e ao bebé) sentir confortável enquanto amamentas – nas costas, por baixo dos braços, no colo, vale tudo.

6 – Respira, relaxa e aproveita o momento. Enquanto a prolactina é a responsável pela produção de leite, a ocitocina, conhecida pela hormona do amor (é a que está também ligada aos orgasmos), é responsável por estimular a produção de prolactina e permitir que o tecido mamário se contraia de forma a que o leite passe pelas glândulas mamárias; traduzido por miúdos, a amamentação será mais fácil se estiveres relaxada pois a produção de ocitocina acontecerá de forma mais natural. Andares preocupada por teres “pouco leite” contribui para que tal aconteça.

7 – Não existem leites fracos, nem insuficientes, nem que alimentam pouco. Vais ouvir esta frase várias vezes, sobretudo quando o bebé chora, mesmo que por  outro motivo. O teu leite é óptimo, tem tudo o que o teu bebé necessita, nas quantidades exactas. Como referi, existem bebés que precisam de comer mais do que outros, que querem mamar como forma de consolo, entre tantas outras opções que em nada colocam em causa a qualidade do teu leite.

8 – Inicia a mamada na mama em que terminaste. Não me irei alargar em explicações técnicas, até porque não estou qualificada para isso, só quero transmitir a ideia de que enquanto amamentas a composição do leite vai-se alterando – inicialmente produzes um leite mais aguado, destinado a saciar a sede do bebé, ao passo que no final da mamada o leite torna-se mais rico em gordura e possui mais nutrientes e calorias. Se o bebé não esvaziar a mama e iniciar a mamada seguinte na outra mama poderá não chegar novamente à fase do leite mais rico em gordura; para evitar que tal suceda, deverás começar pela mama em que mamou da última vez.

9 – Existem dezenas de posições para dar de mamar. Recordo-me perfeitamente do dia em que a Cristina me perguntou se já tinha experimentado dar de mamar noutras posições – “como assim, outras posições?!”, perguntei eu completamente baralhada. Sim, existe uma espécie de “mamasutra” a que podes recorrer, com posições que poderão ser mais confortáveis do que a posição tradicional que sempre nos foi imposta. No nosso caso, a Leti mamar sentada (posição cavalinho) permitia que ficasse mais desperta e bolsasse muito menos no final (https://brasil.babycenter.com/a1500013/posi%C3%A7%C3%B5es-para-amamentar – apenas alguns exemplos).

10 – Cuida bem dos teus mamilos. Dares de mamar com mamilos feridos/gretados pode tornar-se impossível. Deste modo, coloca algumas gotas do teu próprio leite ou usa um creme adequado.

11 – A amamentação nocturna é importante. Conheço alguns casos de mães que decidiram “saltar” as mamadas da noite, dando LA, o que rapidamente condicionou a sua produção de leite. Durante a noite os níveis de prolactina atingem o seu pico, pelo que é fundamental dar de mamar neste período.

12 – Não laves as mamas antes de amamentar. A mama tem um cheiro próprio que incentiva o bebé a mamar, retirá-lo não é proveitoso.

13 – Podes sentir o útero a contrair durante a amamentação. Não te preocupes, é desejável que assim seja! Amamentar facilita a contracção do útero, isto é, que regresse ao seu tamanho original (já não precisas de um útero todo dilatado).

14 – “Passei o dia a dar de mamar”. Poderão existir dias em que andarás de mamas ao léu por saberes que dentro de momentos darás de mamar de novo, em que sentirás que passaste o dia a dar de mamar, em que te questionarás se amamentar é assim tão importante – é natural, senti o mesmo. Não obstante, são momentos de cansaço que passam, contrariamente aos benefícios da amamentação que duram uma vida inteira.

15 – Pede ajuda, não serás menos mãe por isso. Sem ajuda provavelmente a nossa aventura no mundo da amamentação teria durado menos de 1 mês. Se tens dúvidas, se notas que a amamentação poderia correr de forma diferente, procura ajuda profissional. Existem grupos no facebook dedicados ao aleitamento materno (embora alguns deles sejam compostos por pessoas fundamentalistas), a rede amamenta (http://amamenta.net/) e as conselheiras de aleitamento materno (CAM).

16 – Amamentar deverá ser prazeroso para ambos. Não o será todos os dias, em todos os momentos, pelo menos convém que seja na sua maioria. Se chegaste a um ponto em que já tentaste de tudo, em que sentes que realmente não está a ser proveitoso nem para ti nem para o bebé, tens direito a não querer prosseguir (na verdade tens direito logo desde o início). O LM é fundamental para o bebé, mas a felicidade e o bem-estar da mãe são mais.

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Posso encher o seu bebé de germes e, quem sabe, fazê-lo adoecer?

É isto que qualquer mãe ou pai ouvem quando as pessoas se aproximam repentinamente do bebé e tentam beijá-lo e/ou tocar-lhe na cara e nas mãos. Rapidamente soa um alerta mental com direito a buzinas ruidosas e luzes vermelhas que nos impelem a fugir – “Alerta!!! Perigo eminente!!! Evacue o espaço!!!”. Cheguei a sentir-me aquele pedaço de bolacha que cai no parque infantil e rapidamente se vê cercado de formigas que o atacam de todos os flancos – “ele é” outras crianças a tentar mexer na cara do bebé, “ele é”adultos que acham o bebé lindo e por isso querem beijar-lhe as mãos, no fundo “ele é” mãos e bocas que surgem sem aviso. Como é perceptível, um simples passeio pode tornar-se num momento de alguma tensão.

Acredito que tomaram banho de manhã e se sentem a coisa mais “fresh & clean” de sempre, mas a verdade é que não são (nem vocês nem ninguém, não se ofendam). As nossas mãos mexem em dezenas de coisas imundas que, apesar de para nós não apresentem qualquer risco, são altamente prejudiciais para um bebé; a vossa boca é igualmente uma forte transmissora de doenças que embora não vos afectem podem fazê-lo a um bebé, como é o caso do herpes que nos causa apenas algum desconforto ao passo que num recém-nascido pode ser fatal. Mais, não pensem que por beijarem as mãos do bebé não há forma de contágio, pelo contrário, tal quase equivale a beijar a boca do bebé, pois será aí que as mãos irão parar.

Reparem que os bebés vão recebendo as vacinas de forma gradual, mantendo um sistema imunitário algo frágil durante os primeiros tempos. Sei que antigamente as crianças nem recebiam vacinas, que a tia Lurdes beijou todos os sobrinhos na boca ainda na maternidade, que não se esterilizavam os biberões e as chuchas – sim, é verdade, e a taxa de mortalidade infantil era assustadora exactamente por isso! Não vos digo que coloquem as crianças numa redoma ou que fujam de qualquer contacto com os outros – um sistema imunitários que nunca é colocado à prova não se fortalece –  defendo sim que se tenham alguns cuidados, sobretudo nos primeiros meses, como lavar bem as mãos e dar beijinhos/tocar por cima da roupa. Além disso, há que fazer uma leitura das vontades dos pais – esta é a regra de ouro!

Deixo-vos uma lista de alguns comportamentos que poderão adoptar com o intuito de afastar aquelas pessoas que se aproximam do vosso bebé e, ignorando as vossas vontades, tentam “beijar-lhe as mãozinhas fofas e a carinha laroca”:

1 – Soltar um grito à Homer Simpson (D’oh!);

2 – Ensinar o bebé a bolsar nestes momentos (esta é difícil, eu sei);

3 – Fingir que a criança está com uma doença contagiosa;

4 – Fugir com o carro de bebé (para quem usa) e só parar quando encontrarem um local seguro;

5 – Nos dias em que estiverem com menos paciência, usem alguém como transmissor da mensagem (a minha mãe dizia de imediato “toquem só na roupa, a mãe detesta que toquem na pele da menina“);

6 – Colocar rapidamente a nossa mão à frente da boca/mão da pessoa no momento do contacto físico;

7 – Simplesmente ser assertivo e dizer “isso não!” (se quem está do outro lado se ofender, esse será um problema que terá de resolver com o tempo; nós estaremos muito ocupadas a ver os nossos filhos crescerem saudáveis).

Eu sei que os bebés são seres maravilhosos e que a vontade de os acarinhar é instintiva. Como referi, podemos fazê-lo, respeitando os desejos dos pais e adoptando alguns cuidados básicos. O amor e carinho são essenciais no desenvolvimento do bebé, tal como a sua saúde.

 

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Mulheres à Obra – mulheres empreendedoras como tu

Carla Lopes e Camila Rodrigues conheceram-se através de um grupo de facebook. Tudo começou com base numa conversa banal em que uma mãe partilhava a sua vontade de trabalhar a partir de casa, a que se seguiu um debate sobre a pertinência de existir um local onde mulheres empreendedoras pudessem partilhar experiências, ideias e recolher informação pertinente sobre a construção de negócios. Carla e Camila puseram mãos à obra – o nome do grupo não foi escolhido por acaso – e decidiram criar o grupo de facebook Mulheres à Obra, visando responder às diversas necessidades de quem procura criar um negócio ou melhorar o que possui.

Devido ao enorme sucesso do grupo e ao interesse demonstrado por outras entidades em criar parcerias, dentro de alguns meses será lançado um Portal. Aqui poderão encontrar formações on-line, cursos na sua maioria gratuitos, links que remetem para sites com informação sobre a criação de empresas, legislação em vigor, artigos regulares sobre diversas questões ligadas ao empreendedorismo, parcerias, listas de entidades de confiança (com as quais já colaboraram) pertencentes a diversas áreas e eventos de networking.

Apesar de existir concorrência – várias pessoas da mesma área – não se verifica uma competição desmesurada entre as “membras” (nome carinhoso dado pelas administradoras) do grupo, sendo que estas cooperam entre si independentemente de trabalharem na mesma área (algumas até criaram pequenos documentos/vídeos onde explicam a base da sua área de negócio). Em termos práticos, estabelecem-se regularmente parcerias, compram-se serviços a preços especiais (várias mulheres criaram um valor tabela diferente para “membras”), esclarecem-se dúvidas ligadas à legislação, divulgam-se eventos de empreendedorismos, partilham-se ideias e dúvidas sobre possíveis negócios (algumas para mães que pretendem trabalhar a partir de casa) e aproveitam-se propostas de trabalho que vão surgindo.

Se tens alguma ideia na gaveta, um sonho antigo, montes de dúvidas e incertezas, junta-te ao grupo – https://www.facebook.com/groups/394280080927656/ – e partilha; aqui ninguém fica sem resposta. Irás encontrar mais de 2000 meninas, mulheres e mães empreendedoras, de diversas áreas, cheias de vontade de (entre)ajudar.

 

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Obrigada, avós queridos

Obrigada por me amarem ainda antes de nascer, por me permitirem saber que os meus pais não são os únicos a amar-me, por pensarem em mim com tanto carinho.

Obrigada por sonharem comigo e me desejarem, ainda que por vezes se sentissem inseguroem relação ao futuro.

Obrigada por apoiarem os papás, por lhes darem colo nas fases menos coloridas, por lhes darem hipótese de repousarem e voltarem mais disponíveis para mim.

Obrigada por cuidarem dos meus pais enquanto eu não existia. Criaram o que de melhor há em mim, construíram a base da minha vida, transmitiram-lhes grande parte do que hoje são e do que amanhã serei.

Obrigada por me deseducarem, pelos doces às escondidas, os snacks fora de horas, os incentivos às malandrices.

Obrigada por todas as brincadeiras, todos os saltos, todos os passeios, por todas as gargalhadas partilhadas.

Obrigada por verem o melhor de mim, por cada lágrima nos olhos quando aprendi algo novo, por cada vez que me levantaram do chão, sacudiram a poeira dos joelhos e me permitiram tentar de novo.

Obrigada por cada abraço, cada mimo, cada beijinho repenicado, cada afagar a cabeça, cada troca de olhares.

Obrigada pela paciência em cada birra, cada suspiro mais profundo, cada aviso carinhoso.

Obrigada por me verem como uma das melhores coisas que vos aconteceu.

Acima de tudo, obrigada por me darem o vosso coração. Vocês vivem no meu e em mim.

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A culpa é da mãe

Se escreverem a palavra maternidade num qualquer motor de busca irão reparar que a palavra culpa surge associada (estou a brincar, não faço ideia se isso acontece, apenas sei que tal se sucede na realidade). Assim que damos à luz aprendemos duas lições: 1) para o mundo a mãe é a principal responsável pelo bebé, o pai é apenas aquele assistente que “dá uma mãozinha”; 2) comportamentos “menos desejáveis” por parte do bebé são resultado da nossa pessoa (por nossa entenda-se exclusivamente da mãe). Deste modo, rapidamente percebemos que o pai é um pobre coitado que nada pode fazer, um actor secundário numa peça protagonizada pela mãe; o bebé é um adereço, não lhe são atribuídas motivações nem características próprias, um ser que recebe passivamente a informação e a reproduz.

Quando te tornas mãe além de um bebé ganhas uns quantos dedos apontados. Curiosamente, esses mesmos dedos desaparecem nos momentos de conquista e vitória, pois aí a “culpa” não te é atribuída – bem-vinda ao mundo dos dois pesos e duas medidas!

… Se o parto corre bem, o bebé um valente, tiveste uma hora abençoada, a equipa médica era boa.

… Se o parto corre menos bem, não soubeste fazer força nos momentos certos, não tens elasticidade suficiente, não te soubeste impor.

… Se o bebé mama bem, é um comilão, um guloso, tu és uma sortuda.

… Se o bebé mama menos bem, o teu leite é fraco/não alimenta, os teus mamilos não têm um bom formato, produzes pouco leite.

… Se o bebé dorme a noite toda, é um dorminhoco, um anjinho, uma bênção.

… Se o bebé acorda durante a noite, o teu leite é fraco, não sabes treinar o sono dele (tens de o deixar chorar e dar-lhe menos colo).

… Se o bebé tem um bom desenvolvimento, é espertalhão, atento, malandreco.

… Se o bebé tem um desenvolvimento menos próximo da média, a mãe não teve os devidos cuidados durante a gravidez, não o soube estimular, protegeu-o em demasia.

… Se o bebé gosta de estar no chão, é dono do seu nariz, independente, um crescido.

… Se o bebé prefere estar no colo, está mal-habituado, é dependente da mãe.

… Se o bebé faz menos birras, é fácil de lidar, bem comportado, um pachola.

… Se o bebé faz mais birras, a mãe não soube impor limites, dar-lhe uma palmada na hora certa.

… Se a criança come bem, é bom garfo, tem boa boca, tem um apetite invejável.

… Se a criança come pouco, a mãe não tem mão para a cozinha, não faz comidas saborosas, põe pouco sal.

Podia escrever uma lista digna de preencher um papiro, exemplos não faltariam. A culpa, atribuída por nós ou pelos outros, sobretudo no início em que nos sentimos mais inseguras, surge com frequência e sussurra-nos frases inquietantes ao ouvido. Nesse momento, agarra-a pelos cabelos, olha-a nos olhos e trata-a pelo nome – responsabilidade. Tu, tal como o pai, são responsáveis por aquele bebé (sim, este filme tem dois actores principais). A vossa principal responsabilidade consiste em darem o vosso melhor, o que é totalmente diferente de acertarem em tudo à primeira. Sim, tenho responsabilidade, tal como o pai (repito propositadamente) , em vários comportamentos da minha filha; já existiram birras que podia ter evitado, fases em que o sono era menos bom por comportamentos que eu mantinha, dias em que comeu menos bem por eu não ter compreendido o que ela queria. No meio de tudo isto existe a interferência das características da minha filha, ela tem um temperamento próprio, tem preferências, já vai fazendo escolhas (sim, ela tem vontade própria). Por último, existem os factores externos, que não são responsabilidade de ninguém, mas influenciam o modo como as situações se desenrolam (como por exemplo a minha filha não ter feito a sesta por nesse dia existir um bailarico junto à nossa casa).

Por último, e mais importante, reparem que a responsabilidade também é vossa quando o vosso filho salta, corre, brinca, ri, sorri, é feliz. Esta responsabilidade não vos é apontada com a mesma frequência, o número de pessoas que vos diz “fazes esta criança tão feliz” é menor. Não obstante, acreditem que em cada salto, em cada correria pela casa, em cada brincadeira, em cada sorriso e em cada riso essa responsabilidade está presente; um dia os vossos filhos irão traduzi-la em gestos e palavras de amor.

3m´s – Menina, Mulher & Mãe

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