Menina, Mulher & Mãe

Game of Thrones – Versão mães

Sentes saudades daqueles episódios emocionantes que te deixavam colada ao ecrã e te levavam às lágrimas cada vez que terminava uma temporada? Se és mãe, tenho uma excelente notícia para ti – não precisas de esperar por uma nova temporada! Na verdade, tu fazes parte da série. Nunca tinhas reparado?! Não faz mal, já vais perceber do que falo.

Todos sabemos que “quando nasce um bebé, nasce uma mãe“. O que poucos sabem é que as mães vivem em reinos que se distinguem pelas suas crenças e convicções. Alguns destes reinos são mais hostis, outros mais pacíficos, mas quase todos partilham uma guerra antiga – o desejo de conquistar a coroa dos 7 reinos, aquela que lhes confere o título de “Melhores Mães de Sempre”.

Talvez te estejas a questionar sobre o local  onde se dão as batalhas. Basta entrares num grupo de facebook direccionado para mães ou em páginas dedicadas à maternidade para assistires a lutas sanguinárias, daquelas em que vale tudo, até arrancar olhos, e onde um post simples como “o rabinho do meu bebé está assado, que creme recomendam?” termina com frases como “isso só aconteceu porque não teve cuidado nenhum, a culpa é completamente sua, aposto que também tem o rabo assado“.

As personagens dos diferentes reinos andam sempre à espreita, de segunda a domingo, esperando ansiosamente que surja um post que lhes permita atacar sem dó nem piedade, defendendo as cores (crenças) da bandeira do seu reino.

Provavelmente já estão a conseguir identificar alguns dos reinos rivais a que me refiro. Ainda assim, permitam-me que os (re)apresente.

1 – Reino da Amamentação vs. Reino da não-Amamentação

Estes reinos andam constantemente de costas voltadas. Num dos lados vivem as mães que de peito inchado (literalmente) defendem a amamentação, que comparam o leite materno a ouro e aproveitam qualquer conversa para mostrar que são umas survivers, que “só não dá de mamar quem não se esforça“, que as “gajas do reino ao lado são negligentes, estão a criar crianças anafadas e que irão estar sempre doentes“. No outro lado vivem as mães que dão leite artificial; estas acham as primeiras umas histéricas, obcecadas, umas imaturas que cheiram a leite (literalmente), e que no fundo têm inveja dos peitinhos firmes e orientados para Norte das mães que vivem neste reino.

2 – Reino do Parto Natural vs. Reino da Cesariana

A verdadeira mãe é aquela que vive as dores do parto, que tem de fazer força para dar à luz e que no dia seguinte sente a vagina dorida – isto são algumas das frases que ouves nas ruas do Reino do Parto Natural. Dentro deste reino existem diferentes graus de mérito – em primeiro lugar, o parto natural sem epidural e sem pontos (estas são as “máiores”); em segundo lugar, aquelas que cumpriram um destes dois critérios; por último, as que não cumpriram nenhum, vistas como as mais fraquinhas da classe. Ainda assim, nada se compara às cobardes do reino rival, aquelas dondocas que se limitam a deitar na marquesa para dar à luz, umas mimadas a quem a vida é facilitada e que não vivem verdadeiramente a experiência de ser mãe.

No Reino da Cesariana riem-se dos comentários das vizinhas e tratam-nas como umas frustradas, umas traumatizadas que sofreram horrores nos partos, umas mal resolvidas cujo pipi já deu tudo o que tinha para dar.

3 – Reino das Papas Compradas vs. Reino das Papas Caseiras

Assim que uma mãe do Reino das Papas Compradas cria um post a perguntar se determinado sabor/marca de papa comprada no hipermercado é geralmente bem aceite pelos bebés, as rivais do Reino das Papas Caseiras surgem como tubarões que cheiraram sangue, atiram-se e mordem sem grandes ponderações – chovem culpabilizações, suposições de que a criança será um obeso miserável e sem auto-estima, palavras técnicas como maltodextrina, receitas de papas caseiras, acusações de que as tipas que dão papas compradas são umas preguiçosas, e um manancial de estudos que fundamentam todas as afirmações anteriormente feitas.

No reino vizinho acreditam que as inimigas passam a vida na cozinha e que para preparar as tais papas caseiras de que tanto se gabam não têm tempo para brincar com os filhos, são uma espécie de hippies que querem tudo natural mas que provavelmente ao cair da noite se enchem de chocolates e gomas para compensar as horas de tédio passadas à procura de estudos para usar como arma.

4 – Reino do Corpinho Pós-Parto Fantástico vs. Reino do Corpinho Pós-Parto em Recuperação

“Ela é” fotos de costas a mostrar um glúteo firme ao ponto de lhe tocar na nuca, “ela é” fotos a mostrar um six-pack utilizado como base para o filhote fazer escalada, tudo isto publicado nos grupos de mães com frases do género: “saí hoje da maternidade e já estou assim“. As “amigas” do reino ao lado, cujo corpo precisa de mais tempo para se ir recuperando, trocam mensagens privadas onde abundam palavras/frases como “convencida, snobe, cuida do corpo porque não cuida do filho, assim também eu“. Do outro lado, as vizinhas que criam aquele género de posts acham as rivais umas preguiçosas, que não cuidam de si, que acham que ser mãe serve como desculpa para se desleixarem, e que por isso precisam desta motivação extra.

5 – Reino do Dorme Connosco vs. Reino do Dorme no Berço

Se o teu filhote dorme contigo, não o digas a alguém do Reino do Dorme no Berço – vão aproveitar para dizer que estás a criar uma criança dependente, incapaz de estar sozinha, um fedelho mimado que se por acaso dormir menos bem receberá logo a justificação de que “isso acontece porque não o habituaram a dormir no berço“; podem até levar-te a pensar que tens uma perturbação qualquer que te impede de te separares momentaneamente da cria.

No outro reino as críticas ao primeiro também abundam, estes defendem que os pais que não partilham a cama com os filhos não se preocupam em criar laços, são frios e distantes, estão a fomentar nas crias um sentimento de abandono e rejeição capaz de explicar várias dificuldades que estas demonstram (“se dormisse com vocês nada disto aconteceria)”.

6 – Reino do Contra Tudo e Contra Todos Só Porque Sim

Este reino está em guerra constante com os restantes. As personagens que aqui habitam não defendem nenhuma “doutrina” em específico, a sua missão é apenas lançar o caos e contrariar tudo e todos só porque sim (daí o nome do reino). Se lhes falarem nas vantagens da amamentação, estas irão apresentar 1001 argumentos contra, se lhes falarem nas desvantagens da amamentação, irão buscar estudos que abordam “as  10 grandes vantagens de amamentar”. Num mesmo dia são capazes de aparecer em diferentes locais com posições opostas, não há limites, desde que se crie uma discussão séria a sua missão está cumprida.

Frequentemente estas personagens vivem infiltradas nos diversos reinos, esperando nas sombras que surja um tópico mais polémico que lhes permita dizer “não concordo!“. Depois de lançarem o seu veneno, afastam-se de mansinho e admiram ao longe as batalhas campais entre as restantes intervenientes; quando não têm esta oportunidade, lançam o tema e esperam, montando uma teia traiçoeira onde as mães dos outros reinos caem sem que se apercebam.

7 – Reino das Mães Livres

Contrariamente aos restantes reinos, aqui não existem guerras, nem ninguém ambiciona a coroa de “Melhor Mãe de Sempre”. Pelas ruas podem-se encontrar mães que fugiram de todos os reinos (excepto do 6!), convivendo de forma saudável e feliz. Não importa se dás LM ou LA, papas caseiras ou papas compradas, se partilhas a cama com o teu filhote ou não, se o teu corpo se está a recuperar mais ou menos depressa. O lema é “só tu sabes o que é melhor para o teu bebé”, por isso ninguém se mete na vida alheia, nem vive a pretensão de se achar capaz de determinar aquilo que é ou não melhor para os outros (até porque têm vida própria e muito com que se ocupar). Se virem algo que mexe com tudo aquilo em que acreditam, percebendo que existe abertura por parte da outra mãe, partilham esse sentimento, contudo sem tentar impor a sua posição – como poderiam impor algo sem conhecer aquele bebé, aquela mãe, aquela relação, aquela família, aquele meio?

Limitam-se a viver livres de pressupostos, da necessidade de ter razão e de fazer as suas opiniões prevalecer. Apenas cuidam dos seus o melhor que podem, um dia de cada vez, sabendo que deixaram de ser mães perfeitas no dia em que o seu bebé nasceu.

3m’s – Menina, Mulher & Mãe

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Nutrição

Alternativas Saudáveis #1 – “Danoninhos”

Como sabem, lançámos o desafio às nossas guerreiras de identificarem “os pratos” menos saudáveis que tanto apreciam, assim como os seus filhotes, cabendo ao nosso parceiro – A Pitada do Pai – alterar as receitas de forma a torná-las mais saudáveis.

Ao longo do tempo iremos responder aos vários pedidos enviados através da página de Facebook. Para já, iremos começar com um dos “discos mais pedidos”, aquele lanchinho que os mais novos tanto apreciam e que geralmente vem carregado de açúcar – os “Danoninhos”. A Pitada do Pai oferece-vos 3 receitas de “Danoninhos” saudáveis, é só escolher o sabor predilecto e pôr as mãos na massa (salvo seja).

Confesso que assim que vi a receita quis logo experimentar (depois mostro-vos o resultado final). Decidimos começar pelo “Danoninho” de framboesa e banana, ficou delicioso, até custa a crer que é saudável.

Deixo-vos o link onde podem encontrar estas (e outras) receitas para toda a família – https://www.apitadadopai.com/3-receitas-de-danoninhos-saudaveis/.

Experimentem e partilhem a vossa opinião.

Esperamos que gostem 😉

 

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Montessori

Como preparar actividades Montessori

Estou tão empolgada por vos apresentar a Diana!

Descobri o seu blog – http://www.taquid.com/ – por mero acaso. Confesso que fiquei colada ao ecrã, a ler atentamente cada um dos seus posts, a tentar ao máximo absorver toda aquela informação tão sabiamente partilhada. Nessa mesma tarde decidi contactá-la, precisava de divulgar o seu fantástico trabalho; tenho a certeza que também irão achar útil.

Esporadicamente a Diana irá escrever para a página sobre diversos temas ligados à educação Montessori. Achei por bem começarmos pelos aspectos mais básicos e foi este o meu pedido – ouvimos falar sobre este método, por vezes tentamos aplicar algumas actividades que vemos aqui ou acolá, no entanto poucos são os que conhecem verdadeiramente o que lhe está subjacente. Não me faz sentido aplicar algo só porque me dizem que é “giro e bom”, importa perceber quais são os seus princípios/linhas orientadoras, até para ter uma forma de avaliar a qualidade de determinada actividade que me é proposta. Por isso, será daqui que vamos partir.

(texto da Diana)

“The first aim of the prepared environment is, as far as it is possible, to render the growing child independent of the adult”                                          The Secret of Childhood

A educação Montessori está orientada para despertar o interesse e permitir à criança uma aprendizagem significativa. É um sistema baseado na escolha de algo em que a criança demonstra interesse. Este interesse natural conduz a uma motivação interior que desenvolve a atenção e a concentração.

A autonomia da criança é a chave para a sua escolha livre. Esta liberdade de escolher o seu próprio trabalho atende à necessidade e à vontade da criança.

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Para quem está a iniciar os estudos ou a aplicação do método, pode sentir-se confuso sobre como organizar os materiais e as atividades. Quando planeamos e organizamos materiais ou atividades para o ambiente preparado, devemos sempre pensar em algumas caraterísticas base:

Sentidos. Os sentidos são agentes de absorção de conceitos. A aprendizagem sensorial assume muita importância em todo o método;

Ritmo. A criança tem o seu próprio ritmo. Respeitar. Nem sempre a criança consegue desenvolver a actividade a 100%, especialmente das primeiras vezes. Se não conseguiu ou não mostrou interesse, não tem importância;

Mãos. O órgão que está ao serviço da mente é a mão.

Erro. Em caso de erro o material deve dar essa resposta, deve ter controle de erro.

Silêncio. A criança precisa de se focar no material e não nas nossas palavras. Devemos usar o menor número de palavras possíveis;

Organização. É habitual organizar os materiais em tabuleiros. Primeiro, para organizar tudo o que é necessário e dessa forma evitar movimentos e distrações em busca do que falta. Segundo, porque fica tudo preparado na estante de actividades, permanecendo disponível para a criança. Terceiro, fica tudo arrumado no final, no sítio indicado;

Real. Dentro do possível, oferecer à criança materiais e atividades com elementos reais ou naturais. O trabalho torna-se muito mais rico;

Beleza. O Belo inspira o interesse. Objetos e atividades que encantem a criança tornam-se mais atrativos.

Na hora de preparar os materiais, estas regras básicas, são uma grande ajuda. É essencial observar muito bem. Com a observação conhecemos cada vez melhor a criança e dessa forma cresce a empatia pelas suas necessidades de desenvolvimento. Melhora também, o respeito pelo seu tempo, o respeito pela sua personalidade.

Para a criança não interessa o fim, mas sim o processo. Por isso o conceito de resultado final é muito alargado e vai mudando consoante a idade. Quando a criança trabalha de forma concentrada nas atividades, sente uma grande satisfação.  Este sentimento de conquista conduz a criança numa aprendizagem de descoberta.

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Actividades em Família

Festa dos Maios – Recomendo

O flyer apareceu-me à frente, assim de repente. Uma vez que estava sem ideias para esse fim-de-semana, decidi espreitar. Assim que percebi que era no meio da natureza, que envolvia o contacto com animais  e actividades rurais, ficou marcado.

No sábado (6 de Maio), o primeiro dia do evento, fomos até à Quinta do Pisão, em Alcabideche. À entrada da Quinta estão alguns jovens (o staff é composto maioritariamente por jovens, o que achei uma excelente iniciativa) que nos indicam se existem lugares de estacionamento vagos junto ao local das actividades – o caminho é relativamente longo para ir a pé, aconselho-vos a ir de carro ou, pelo menos, a levarem um carrinho se se fizerem acompanhar por miúdos mais pequenos (se forem com miúdos mais crescidos preparem-se para responder 435 vezes à pergunta “já estamos a chegar?”). O parque de estacionamento da Quinta é pequeno, se forem daquelas stressadinhas que não gostam de circular com o carro em locais apertados (yup, sou eu!) vão à pendura.

À entrada do recinto existem várias barraquinhas/rolotes com diferentes tipos de comida e onde podem comprar aquelas coisas que por vezes desaparecem misteriosamente (“eu trouxe a água da miúda, tenho a certeza, já procuraste bem?”). Depois disso, à vossa direita, têm umas escadinhas que dão acesso à primeira parte gira deste evento – as aves de rapina. A Letícia ficou fascinada embora não se aproximasse muito, como podem ver nas fotos (respeitinho é muito bonito).

Por sugestão de uma colaboradora, participámos num passeio sensorial por um trilho que existe junto ao recinto. Neste passeio existem algumas figuras de animais estrategicamente misturadas por entre a vegetação, para as encontrar os pequenotes precisam de ir concentrados. A certa altura colocaram-lhes uma venda e, com o intuito de identificarem vários elementos, mexeram em folhas com diversas texturas, pedras, musgo, tudo o que naturalmente se encontra naquele espaço (estamos mesmo no meio da natureza); de seguida, ainda com as vendas, foi-lhes pedido que ouvissem os sons que os rodeiam (torci tanto para que a Leti não dissesse nenhuma das suas larachas que me fazem rir como uma tonta). Entretanto os meninos receberam uma grelha para preencherem sobre elementos que iriam encontrar ao longo do percurso; confesso que nesta fase a Leti já estava saturada, e como preencher grelhas não é a sua actividade favorita, simpaticamente abandonámos o passeio. Cada criança é diferente, contudo diria que esta actividade é apenas indicada a partir dos 4 anos (na melhor das hipóteses); para os mais pequenotes torna-se demasiado aborrecido.

A verdadeira festa começou aqui, quando nos dirigimos para o outro recinto – o dos cavalos e dos burros. Enquanto esperávamos que fosse a nossa vez de andar de charrete, a Leti foi andar de burro. Na fila existiam outras crianças da idade dela que pediam para andar mas ao aproximar-se do burro começavam a chorar. Preparei-me para enfrentar o mesmo, já me imaginava a entrar no recinto e a sair de imediato; assim que a coloquei em cima do burro ela fez um movimento com a anca e disse “anda, cavalinho!”. Pois é! Como não havia mais ninguém para andar (por sorte dela desapareceram todos) deu umas 527 voltas ao recinto, sempre a exigir que a deixasse ir sem apoio, isto é, sem lhe tocar, “não toca, menina” e “deixa a menina” foram as “músicas” que se fizeram ouvir ao longo do passeio. Acreditam que quando o burro dava algum solavanco, e ela ia mais para trás, se ria imenso?  Vou envelhecer rápido com esta malandrona!

No final demos uma volta de charrete (ela adorou!) por parte da Quinta e passámos pela horta biológica. Levem algum dinheiro em mão, assim aproveitam para trazer uns legumes biológicos para os vossos rebentos.

Não andámos mesmo a cavalo pois a fila era gigante!

A Festa dos Maios termina este fim-de-semana (dia 14 de Maio). Espreitem  os diversos ateliers que eles oferecem e inscrevam-se se for caso disso (alguns têm vagas limitadas). Aproveitem esta oportunidade para estar em família. Não engorda e é gratuito 😉

Deixo-vos o link do evento – http://www.cm-cascais.pt/evento/festa-dos-maios

P.s: Para quem se preocupa com animais, como nós, estes eventos têm sempre o seu lado menos cor-de-rosa. Não obstante, percebi que os animais que ali estavam vivem mesmo na Quinta e habitualmente andam em liberdade.

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Terças a Duas

Terças a Duas – Auto-estima após ser mãe

3m’s: Não sei o que hei-de vestir para a praia este ano. Não me sinto nada confiante com o meu corpo, não me apetece, de todo, andar a exibi-lo num biquíni.

Meia Lua – Mom. Life Lover (ML): Essa questão da auto-estima é muito pertinente para mim, no fundo tenho mix feelings. Quando estava grávida, foi a melhor fase para mim. Não só porque me sentia feliz por ser mamã mas porque me sentia mesmo bem em relação ao meu corpo. Nunca me tinha sentido tão bem até. Depois quando ele nasceu… nos primeiros momentos consegui perder todo o peso que tinha ganho na gravidez. Mas o difícil veio depois. Com um pós-parto complicado, a nível físico e emocional, fui-me muito abaixo e com isso as hormonas e o descontrole, veio o aumento de peso. Pensei sempre ser apenas uma fase e que iria passar, principalmente quando começasse a trabalhar. Mas a realidade não foi essa e acabou por se revelar até bem pior. Após 5 meses de ter dado à luz, o meu regresso ao trabalho foi atribulado. O meu dia-a-dia era super stressante e o meu descontrole emocional estava mais presente do que nunca. Não me conseguia olhar ao espelho, sentia-me mal comigo mesma. Em todos os sentidos. E os olhares, que nem precisavam de se transformar em comentários, diziam muito e pesavam muito no que eu me sentia.

3m’s: Sim, quando estava em casa com a Letícia também acabava por não fazer nenhuma refeição decente, comia pouco ao almoço porque tinha de estar com ela ao colo, entretanto ela ia dormir e aí eu aproveitava para ir arrumando as coisas, petiscava porcarias pelo meio, às vezes sentia-me tão exausta que pensava que depois de tanto esforço merecia aquele gelado ou aquelas gomas; nessa fase estava com algum peso a mais. Entretanto fui emagrecendo sem o querer, os comentários sobre o peso a mais que quase não existiram (pois não me queriam magoar) deram lugar a duros comentários sobre o facto de estar demasiado magra: “tens de engordar, estás escanzelada, não podes andar assim“.

ML – Eu também ouço comentários, mesmo que não sejam muitos ou às vezes não falem, sente-se; não que sejam maldosos, mas magoam. Sobretudo quando acabamos de ser mães, passados poucos meses, surgem comentários como: “agora tens que ir ao sítio”, “agora a ver se te cuidas”. Actualmente os que oiço mais é “estás em casa tens tempo para fazer exercício” e “só não emagreces porque não queres”.

3m’s: No meu caso mandam-me comer para engordar, logo eu que como bem. Sabes, quando és mãe e magra as pessoas pensam que és uma cabra sortuda e que por isso não te deixas afectar por nada. Nem só emagrecer é difícil, engordar também o pode ser, sobretudo quando dormes pouco e andas preocupada com vários problemas, o stress faz-te emagrecer. Além disso, não percebem que podes ser magra e ainda assim ter complexos, como no meu caso em que sinto constantemente estas banhas laterais, sou magra mas sinto-me disforme.

ML- Conheço bem essas banhas. Eu, por exemplo, como estou em casa acabo por me focar no Martim e esqueço-me de comer. Às vezes dou-lhe o almoço e acabo por não comer ou vou petiscando, depois pão aqui e acolá. Acabo por gerir o meu dia muito à volta das mesmas coisas, saídas com ele e tarefas; quando tenho um momento centro-me na minha escrita; às vezes o dia passa e nem dás conta. Estar em casa com eles não são férias.

3m’s: Quando estava em casa com a Letícia sentia que a pouca energia que me restava, quando restava (era raro), merecia ser despendida noutras coisas importantes e não a fazer exercício. A pressão que nos colocam em cima para perdermos peso faz com que seja mais complicado.

ML: Depois da primeira fase passar, quando vim para casa com o Martim, comecei finalmente a atravessar uma fase mais tranquila e isso fez com que perdesse alguns (poucos) quilos, mas que mais que isso, me aceitasse melhor a mim própria. Estava sozinha, com família longe, e por isso não ouvia comentários de ninguém. Não sentia stress nem as hormonas já estavam presentes. Mas não foi por isso que me passei a sentir 100% bem comigo mesma. O peso a mais (para mim), ainda cá está, assim como tantas outras coisas que queremos sempre mudar e ver diferente em nós. A minha auto-estima não é sempre a melhor. Continuo a sentir que quero estar melhor comigo mesma, mas de uma forma mais serena, sem pressas, sem pressões . Porque estar em casa com um filho, não são férias e o cansaço vem de onde não se percebe , porque ‘não se faz nada’.

3m’s: Eu gostava que as pessoas compreendessem que eu tenho um espelho em casa, eu percebo como é que o meu corpo está, eu vejo-o todos os dias, e nu, de vários ângulos! Se eu perguntar o que acham da minha barriga, agradeço que respondam, caso contrário não preciso de comentários nenhuns. Alegrem o meu dia dizendo que estou com os olhos bonitos, a pele macia, qualquer coisa, mais facilmente conseguirei pegar nisso e transformar em motivação para melhorar a outros níveis. Mais, reconheçam que o facto de não cuidar tanto de mim se deve ao facto de estar a cuidar atentamente de alguém.

terças a duas auto estima

 

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Menina, Mulher & Mãe

És (a) única, mamã

Por que te comparas, mamã? Por que olhas para as outras mães e tentas medir o teu valor assim? Por que pensas que eu seria mais feliz se cuidasses de mim como elas cuidam dos seus filhos?  Tenho uma novidade para ti, mamã – para mim, és inigualável!

És a única que me deu tudo de si – um corpo que me abrigou, protegeu, alimentou, acarinhou, embalou. Sim, és aquela que conheço e me conhece desde o início; antes de eu perceber que já existia já sabia da tua existência, mamã querida.

És a única voz que me acompanha desde sempre, que me tranquiliza, que reconheço sem pestanejar; essa tua voz  é quase nossa, para mim é melodia.

És a única que tem aquele cheirinho que me enfeitiça, que me faz fechar os olhos e deixar levar, um aroma doce que me conduz pelos recantos mais recônditos  dos meus sonhos.

És a única que me beija as feridas e faz a dor passar, aquela cujo abraço preciso quando me sinto doente, que encosta a sua testa à minha e me faz acreditar que tudo vai ficar bem. Já reparaste que adoeces ao ver-me doente? Que o teu coração se desfaz em mil pedaços cada vez que choro? Isto é amor!

És a única cujo colo tem o formato do meu corpo, encaixamos um no outro ao ponto de nos sentirmos um só – as nossas respirações sincronizam-se, os corações batem em uníssono, os nossos corpos fluem num movimento só; podemos ficar assim horas a fio.

És a única que me dá as suas noites de sono, que troca um banho relaxante por uma tarde de mimos, que aceita os restos da minha comida com um sorriso de orelha a orelha, que abdica de uma sesta para me preparar um lanche especial.

És a única que fica de lágrimas nos olhos quando aprendo algo novo, que se esquece das dores nas costas quando sorrio, que não se lembra de nenhum dos seus problemas quando ouve as minhas gargalhadas, que me tenta fazer feliz a todo o custo (e como por vezes te sai caro, mamã).

És a única capaz de me amar até nos dias mais negros, em que o cansaço toma conta do teu corpo, em que questionas tudo, até a decisão de ser mãe, mesmo nesses dias tenho o teu amor, eu sei disso e tu também.

És a única que consigo amar sem ter de pensar em fazê-lo, foste e sempre serás a primeira forma de amor que conheci, e isso, mamã, é uma marca tua que levarei comigo para sempre.

 

Feliz Dia da Mãe para todas as guerreiras que diariamente dão o melhor de si aos seus filhos ❤

3m’s- Menina, Mulher & Mãe

única mamã

 

 

 

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Menina, Mulher & Mãe

Adeus, belos seios, até depois

Estão a ver duas meloas redondas e rijinhas? Boa! Agora imaginem um tanque de guerra a passar-lhes por cima, seguido da Companhia Alemã de Sapateado “Chili con Tap”(foi a primeira que encontrei na net), a terminar com rinocerontes a lutarem por cima delas durante a época de acasalamento. Se conseguiram formar uma imagem mental, parabéns, estão a ver as minhas mamocas! Pronto, admito que nunca foram meloas (excepto quanto estava a amamentar), eram apenas ameixas, mas era ameixa da boa – redondas, bonitinhas e com aquele ar de serem da época. Neste momento parecem ter sido deixadas ao sol em pleno Agosto, transformaram-se em ameixas secas.

ameixa seca

Foram quase 12 meses a dar de mamar até a pequena perder o interesse (não sei se sentiu que já tinha feito estragos suficientes ou se às tantas começou a achar que as “canecas” estavam com um ar tão acabado que nem dava vontade de beber de lá).

Durante a gravidez ouvi histórias de várias mulheres cujo peito tinha crescido durante a gestação e assim se mantinha até hoje (“oh menina, eu tinha o peito tão pequenino antes de ser mãe, não imagina!”). Depois de um 5º ano de escolaridade em que fui apelidada de “azeitonas” pelo palerma do André Almeida (“sim, só tinhas uns caroços“, diz ele agora para se tentar desculpar), pensei que talvez pudesse arrumar estes meus complexos e virar borboleta no meio de todo este processo. Lixei-me! Como disse, apesar de pequeninas, elas tinham um formato fantástico, só lhes faltava o enchimento; agora falta-lhes tudo de bom – estão descaídas, zangadas uma com a outra (está cada uma a olhar para seu lado) e muito mais pequenas do que antes (como é que é possível?!). Apenas me consegui safar das estrias, de resto sofro de todos os males.

Pergunto-me até que ponto isto é justo – dei de mamar, sacrifiquei-me imenso em termos físicos e psicológicos pelo bem da minha cria, passei por duas mastites com direito a febre e tudo, será que a justiça divina não me podia providenciar dois marmelos jeitosos?! Estou a pedir muito?! Por que é que não fui seleccionada para constar nos casos de sucesso mamário pós- amamentação?! Enfim, questões para as quais não tenho resposta.

Naturalmente, estou a brincar com este assunto com o intuito de o aligeirar e de vos mostrar que não estão sós nos dramas com as mamocas; contudo não lhe retiro o lado sério que tem. Sim, por vezes vejo as minhas mamas ao espelho e torço o nariz, fico triste e sinto que fisicamente já estive melhor, mas simultaneamente sinto orgulho em mim por ter amamentado a minha filha enquanto ela quis, por lhe ter dado tudo de mim, pelo laço que criámos (atenção que tal não significa que o mesmo não acontecesse se usasse um biberão). Para mim, valeu a pena! Estes “danos colaterais” recordam-me de todo o meu percurso enquanto mãe, vejo-os como marcas de amor e de orgulho, detalhes num quadro abstracto enorme. Além disso, há sempre aquela esperança de ir ao segundo filho e este conseguir melhorar a situação (vai mamar colado ao tecto enquanto eu faço uma reza qualquer retirada na net para ajudar a manter aquele volume nice típico da amamentação).

Melhores mamas dias virão!

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