Nutrição

O açúcar e as crianças

Surpresa, surpresa! A partir de hoje teremos a colaboração mensal da Dra. Cláudia Viegas – nutricionista, docente na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e mãe de dois.

Deixo-vos um texto importante que escreveu para nós, a propósito daquele doce mal que todas conhecemos e que por vezes não sabemos como gerir na alimentação das nossas crianças.

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“No contexto da alimentação infantil muito se discute sobre o açúcar e os produtos açucarados que podemos ou não dar às crianças.

Quando falamos de açúcar é importante perceber a que nos referimos, pois usamos a palavra em diferentes contextos. Os açúcares fazem parte de um grupo de nutrientes chamados glícidos ou hidratos de carbono, sendo frequente referirmo-nos a estes como açúcares, o que não é correto. Dentro dos hidratos de carbono, existem os de grandes dimensões (polissacáridos) e os mais pequenos (mono e dissacáridos). Os açúcares são estes últimos. Os mais comuns são a frutose (naturalmente presente na fruta), a lactose (naturalmente presente no leite) e a sacarose (açúcar comum de pacote.

O problema dos açúcares não está exactamente, naqueles que estão naturalmente presentes nos alimentos (como a frutose da fruta), mas sim naqueles que adicionamos (açúcar adicionado ao leite, aos iogurtes), ou o açúcar que está presente nos alimentos processados (bollycaos, bolachas, donuts e outros), o açúcar presente nos sumos de fruta e refrigerantes ou ainda os açúcares que usamos para fazer bolos e sobremesas caseiros (seja açúcar branco, mascavado, frutose ou outro qualquer).

Qualquer consumo deste tipo de açúcar considera-se açúcares adicionados ou extra. As últimas recomendações relativas à alimentação infantil neste contexto, referem um consumo de açúcares adicionados inferior a 25 g/dia, sendo de evitar nas crianças com idade inferior a 2 anos (http://circ.ahajournals.org/content/early/2016/08/22/CIR.0000000000000439).

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Aqui ficam alguns exemplos práticos das quantidades presentes em alimentos que oferecemos frequentemente às nossas crianças.

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(informação retirada dos produtos e/ ou disponível em continente on-line)

E mais, uma nota… agora que nos aproximamos do Natal é frequente a presença de bolos, chocolates, sumos e outros produtos açucarados nas nossas casas. Mesmo que estejam presentes, não os coloquem à frente das crianças, não os ofereçam se elas não pedirem e lembrem-se de sair de casa, dar um passeio, jogar à bola, brincar na rua. A actividade física é uma boa forma de gastar essas calorias a mais.”

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Guerreiras com 3M's grandes

Guerreiras com 3M’s grandes – a história da Carla e da Leonor

Imagina que tens 6 filhos, um companheiro, uma casa para cuidar, e que, de repente, descobrem que a tua filha mais nova, que ainda é um bebé, tem um tumor e que terá de ser sujeita a uma série de procedimentos médicos, alguns sem grandes garantias, sendo que a possível cura está no estrangeiro. Esta é a história da Carla.

A Carla é uma guerreira com 3M´s grandes, descrita como uma mulher admirável, uma mãe corajosa, com uma força e garra inigualáveis.Vive num bairro social mas não permite que isso seja desculpa para seguir estereótipos. Luta diariamente para dar o melhor aos filhos, para lhes transmitir hábitos e valores diferentes daqueles que por vezes são partilhados pelo meio social em que vivem, uma educação que lhes permita ir longe – convém referir que estas crianças (dois deles jovens) são apontadas como extremamente educadas. Embora tenha 6 filhos, é uma mãe muita atenta às necessidades de cada um; terá sido exactamente isso que permitiu o rápido diagnóstico da doença da Leonor.

Durante um episódio de obstipação da Leonor, na altura com apenas 9 meses, ao fazer a massagem abdominal a Carla sentiu uma massa que lhe pareceu anormal, contudo poderia ser explicada pela obstipação. No dia seguinte, em nova massagem, a Carla sentiu a mesma massa; desta vez parecia-lhe maior – não hesitou, dirigiu-se imediatamente aos serviços de saúde, seguindo os trâmites normais que a conduziram até ao IPO do Porto. A tal massa afinal era um tumor, mais precisamente um neuroblastoma – o tumor mais frequente durante o primeiro ano de vida – no estádio IV. Inicialmente estava alojado no abdómen e no rim, entretanto, apesar da quimioterapia, acabou por se metastizar para a perna e para a face. Já teve cirurgia marcada, contudo perceberam que o tumor ainda estava activo e iniciaram um novo ciclo de quimioterapia.

Aos 14 meses a Leonor deseja o mesmo que qualquer bebé – ter saúde para brincar, correr, explorar o mundo que a rodeia, estar junto aos seus irmãos (o que se torna complicado devido aos internamentos constantes), viver livre e sem dor. Para isso, precisa de ficar curada, o que em Portugal não será possível. Nos Estados Unidos da América existe um tratamento cujo custo é de 250 000 euros. Mais uma vez, esta família não baixou os braços! Com a ajuda da amiga Ruth Soares criaram uma página  no facebookhttps://www.facebook.com/Juntos-pela-Leonor…/ – que até ao momento lhes permitiu angariar cerca de 6000 euros. Sim, ainda estamos (não consigo evitar sentir que faço parte desta causa) longe da meta, mas como diz o poeta António Machado: “o caminho faz-se caminhando”.

Como podemos ajudar?

Neste momento as necessidades desta família são diversas, por isso deixo-vos uma lista daquelas que, segundo a própria, serão as principais:

  1. Donativos monetários.Contrariamente ao que possam pensar – eu fiquei incrédula quando a Ruth mo contou – quando a Leonor vai para casa as despesas de farmácia não têm qualquer comparticipação. Desde um xarope que custa 260 euros e dura 21 dias, às máscaras pediátricas e de adultos, ao tantum verde que a Leonor precisa de usar, até às luvas e compressas, tudo é suportado pela família. Assim, são necessários donativos para o tratamento da Leonor nos EUA, de modo a que o valor final seja alcançado, mas também para estas necessidades inerentes aos tratamentos que actualmente faz. Os dados bancários são os seguintes:
    IBAN PT 50003508290001380942741
    SWIFT: cgdiptpl
  2. Donativos em géneros. Esta é uma família composta por 8 pessoas, com os gastos que lhe estão subjacentes, a somar ao facto de a Carla estar impedida de trabalhar para dar assistência à Leonor e às despesas de que acima vos falo. Deste modo, se preferirem, podem contribuir com bens mais básicos, alimentares ou de higiene. Quanto à Leonor, podem ajudar com fraldas tamanho 5 (têm mesmo de ser da Dodot) e toalhitas.

A propósito da quadra natalícia, sem querer ser intrometida mas já sendo, gostava de vos deixar uma sugestão inspirada nos brindes de casamento de uma grande amiga. Por vezes não sabemos o que oferecer, acabamos por dar prendas que as pessoas não usam, que agradecem simpaticamente e arrumam a um canto. Esta minha amiga arranjou uma solução, a meu ver, brilhante – doar o dinheiro que estava destinado aos brindes de casamento a uma causa, mais precisamente à operação nariz vermelho, e durante o evento presentiou os convidados com um cartão que dizia “eu ajudei a operação nariz vermelho com x valor“, além do típico nariz que os palhaços desta causa costumam usar. Penso que no Natal seria bonito oferecer às pessoas algo deste género, com uma frase apelativa e com referência ao valor/bem com que ajudaram a Leonor. No fundo, estamos a salvar uma vida. Existirá melhor dádiva do que esta?.

Por último, gostava de deixar um abraço apertado a esta mãe inspiradora, que luta com tudo o que tem, talvez até com o que não tem,  que acaba por viver na sombra, esquecendo-se que existe, para bem da filha. Incentivo-vos a fazer o mesmo; por muito forte que a Carla seja, tenho a certeza que o nosso apoio e reconhecimento lhe darão ainda mais força!

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Menina, Mulher & Mãe

Para ti, a quem não dão oportunidade de viver o papel de mãe

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Provavelmente sempre que te imaginavas a ser mãe projectavas-te a abraçar o bebé, a estar presente nas suas primeiras conquistas, a alimentá-lo, a partilhar momentos de ternura e carinho, a incentivá-lo a explorar o meio, a protegê-lo nos momentos em que se sentisse inseguro. Prometeste que estarias sempre lá, para amar e cuidar, sem restrições.

Provavelmente à noite deitas a cabeça na almofada e choras por não estares a cumprir o que prometeste. Cada lágrima tem o seu sentido – uma por não estares lá na primeira vez que deu uns passos, outra por teres perdido aquele momento em que deu uma enorme gargalhada, mais uma por não teres sido tu a dar colo quando se assustou  e chorou, e por fim um mar delas por sentires que estás a falhar como mãe.

Provavelmente acreditas que não estás a ser quem deverias ser, que trabalhas demasiado, que estás sempre ocupada com outras coisas, que dás tudo de ti em tarefas que não são essenciais. Não estás onde queres, não vais para onde queres, não fazes o que queres, não és quem queres ser. Entre chegar a casa, dar banho, fazer o jantar e preparar as coisas para o dia seguinte, ficas com a sensação de que não estiveste verdadeiramente com o teu bebé, quase como se vivesses a realidade em modo automático.Dás por ti a pensar que o tempo passa a correr, que os momentos são únicos e que não podem ser recuperados, que a melhor parte da tua vida não está a ser vivida, que te está a escapar por entre os dedos, que estás a permitir que o dinheiro se sobreponha à felicidade.

Provavelmente és perseguida pela culpa, aquela que te bate constantemente à porta, que durante o dia sussurra ao teu ouvido que naquele  momento exacto o teu bebé deve estar a aprender uma coisa nova e que, mais uma vez, não estás lá para assistir. Ao ver o bebé dormir, tão sereno e inocente, sentes uma vontade enorme de lhe pedir desculpa por tudo e, ao mesmo tempo, por nada. A raiva apodera-se de ti – Estou farta desta vida injusta! Por que não tenho direito a viver o papel de mãe?

Provavelmente existe um desequilíbrio entre os teus 3m´s – o segundo “M” (mulher, mais especificamente trabalhadora) está a sufocar o último (mãe), acaba por ocupar mais espaço e  roubar-lhe a oportunidade de se desenvolver e firmar.  É esta repressão do terceiro “M” que faz com que te sintas insatisfeita, afinal não vives em pleno todos os teus papéis!

Provavelmente gostavas que no final do texto aparecessem algumas dicas mágicas de como mudar a situação. A única coisa que está ao meu alcance é dar-te algumas certezas que talvez te aliviem. A primeira é que somos muitas a sentir o mesmo, a pensar o mesmo e a viver o mesmo; acho que esta é uma espécie de condição inerente ao papel de mãe – só não o sente quem não o é. A segunda certeza é que não estás a falhar, a culpa não é tua, fazes certamente o que tem de ser feito, sem grande opção. A última certeza, e na minha opinião a mais importante, é a de que quando estás com o teu filhote dás o teu melhor e é isso, mais do que a quantidade de tempo que passam juntos, que fortalece o vínculo (relação) que vos une; é um cliché, eu sei, mas realmente aqui aplica-se a velha máxima de que a qualidade é melhor do que a quantidade. Acredita que se naquele tempo em que estão juntos, ainda que seja pouco, o bebé sentir que as suas necessidades são escutadas, que as suas vontades são compreendidas (ainda que não sejam cumpridas),que as suas limitações são respeitadas, que lhe é dado incentivo para explorar o meio e ao mesmo tempo um porto seguro para onde regressar caso o deseje, o bebé tem a confirmação de que realmente é amado e está seguro; no fundo, tem de ti tudo o que precisa  para ser feliz.

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