Menina, Mulher & Mãe

Mãe antes dos 25 – as novas mães adolescentes

A minha mãe teve a sua primeira filha – eu – aos 26 anos, na altura era uma idade dita “ideal” para o efeito, a minha mãe era apenas mais uma grávida entre tantas outras com a mesma idade. Embora não acredite em idades “ideais” para ter filhos, o facto de as mulheres engravidarem cada vez mais tarde levou a que a média de idades das recém-mamãs  aumentasse, o que se traduziu numa mudança relativamente ao que consideramos uma idade adequada para conhecer o mundo da maternidade.

Engravidei (intencionalmente) aos 24 anos, fui mãe aos 25 (apesar de me considerar mãe desde o dia em que soube que estava grávida). Quando engravidei estava em Angola, recordo-me de alguns meses antes me perguntarem várias vezes se havia algum problema connosco enquanto casal (problemas de infertilidade), se precisávamos de ajuda (aquelas dicas milagrosas como piscar os olhos 3 vezes, morder um limão e apontar o dedo do pé para nordeste durante o acto), e até de nos verem como “aquele casal que não vai ter filhos”; para os padrões angolanos estávamos fora do prazo. Quando chego a Portugal deparo-me com uma realidade oposta, rapidamente me senti inserida numa espécie de grupo de “mães adolescentes”, grupo esse que anteriormente abrangia as faixas etárias abaixo dos 18 anos e agora passava a estender-se aos 25 anos (ou mais). Posso contar pelos dedos das mãos o número de mães com idades próximas da minha que conheci desde a gravidez até agora, habitualmente era a única mãe com menos de 30 anos na sala de espera do hospital, nos workshops, entre tantos outros. Por vezes travavam-se conversas a partir das quais percebia que, contrariamente ao que imaginava, também era o  primeiro filho daquelas mulheres; havia algum espanto quando revelava que a minha gravidez tinha sido planeada, surgindo frequentemente comentários como “mas ainda é tão nova” e “é corajosa por ter um filho tão cedo“.

Habituei-me ao título de “mãe jovem” que me acompanhou durante toda a gravidez. Tive oportunidade de conhecer as suas vantagens e desvantagens – nas consultas e nas ecografias este aspecto era sempre valorizado por funcionar como factor protector (“podia acontecer isto e aquilo, mas como é jovem o risco é mínimo“); no pós-parto uma das enfermeiras exigia que a minha recuperação fosse mais rápida por, segundo a própria, ser “a mãe mais jovem de todo o piso“. Dois anos depois, sou a encarregada de educação mais jovem da sala da minha filha, sendo que tenho alguns anos de diferença dos restantes pais; ao início sentia-me desconfortável com esta situação, parecia a miúda que ia deixar a outra miúda à creche, evitava expressar grandes opiniões por sentir que não seriam tidas em conta, contudo ao longo do tempo passei a sentir-me segura neste papel (ai maternidade, toda tu és aprendizagem!). Noto, também, que por ser uma mãe mais jovem por vezes existe uma maior tendência por parte das pessoas para darem opiniões, como se a idade traduzisse o grau de competência parental.

Uma vantagem inigualável de ter filhos “mais tarde” é o aumento da probabilidade de os avós já se encontrarem reformados e por isso estarem disponíveis para apoiar os netos – permanecerem com eles em casa até os pais sentirem que será vantajoso entrarem para a creche, no caso das crianças que frequentam a creche podem entrar mais tarde e sair mais cedo, podem cuidar dos netos quando estão doentes, evitando que os pais faltem ao trabalho, além de servirem de figura de referência por estarem verdadeiramente integrados na vida dos netos. Outra vantagem prende-se com o facto de existirem ao redor amigas com filhos, com quem partilhar dúvidas, desabafar, receber roupinhas e outros bens em segunda mão que nos fazem poupar una quantos euros – eu não tive essa sorte, fui e continuo a ser a única mãe no meu grupo de amigas mais próximas.

Em nada me arrependo da idade em que fui mãe, agrada-me a ideia de não sentir qualquer pressa de ter mais filhos por “os anos estarem a passar”, de ver o tempo como um mar de possibilidades e me poder deixar levar. Terá sido a idade ideal? Devia ter esperado mais tempo, aproveitado mais a liberdade de viver com menos responsabilidade? Sim, viveria com menos responsabilidades, mas seria mais tempo vivido sem conhecer este amor arrebatador.

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